domingo, 22 de dezembro de 2019

Deus é quem coloca e tira os governantes

"...o Altíssimo domina sobre todos os reinos dos seres humanos e os dá a quem quer, e quando deseja; e pode decidir colocar no poder o mais simples dos homens!" (Daniel 4:17)

Deus tem um propósito para a humanidade, um propósito para os eventos atuais, e Ele realizará esse propósito através da liderança que Ele colocar ou permitir que esteja naquela posição, seja para a bonança, seja para adversidade. 

Em primeiro lugar, é preciso confiar que Deus está no controle de tudo, tanto na bonança, quanto na adversidade. E para confiarmos em Deus, devemos sempre ver as circunstâncias adversas com os olhos da fé, e não com os dos sentidos. Confiar na bonança pode ser mais fácil. O difícil mesmo é continuar confiando na adversidade. A fé para confiar em Deus na adversidade vem apenas pela Palavra de Deus. É apenas das Escrituras, aplicadas a nosso coração pelo Espírito Santo, que recebemos a graça de confiar em Deus na adversidade. "Deus, em seu amor, sempre deseja o que é melhor para nós. Em sua sabedoria, sempre sabe o que melhor, e em sua soberania, tem o poder de concretizá-lo."

A Bíblia registra que Nabucodonosor, um poderoso governante do Império Babilônico há seiscentos anos antes de Cristo, recebeu uma visão de Deus. O profeta Daniel interpretou esse sonho. Daniel explicou que Deus entregou essa visão a Nabucodonosor "para mostrar que o Altíssimo domina sobre todos os reinos dos seres humanos e os dá a quem quer, e quando deseja; e pode decidir colocar no poder o mais simples dos homens!" (Daniel 4:17).

Como está implícito nas palavras de Daniel, Nabucodonosor não era um homem agradável. Ele jogava pessoas vivas em fornalhas acesas se não se curvassem ao seu ídolo. Ele ameaçou assassinar todos os seus conselheiros se eles não interpretassem seu sonho.

Nos últimos tempos, poucos países desenvolvidos experimentaram um governante tão violento. No entanto, a Bíblia mostra claramente que às vezes Deus coloca líderes terríveis em posições de grande poder com o claro propósito de realizar Seus planos.

Certamente, isso ocorreu com o faraó do êxodo, cujo coração Deus endureceu uma e outra vez até o Egito ser humilhado por tratar mal Seu povo Israel. Deus enviou Moisés para dizer a Faraó: "Mas, na verdade, para isso te hei mantido com vida, para te mostrar o Meu poder, e para que o Meu nome seja anunciado em toda a terra" (Êxodo 9:16).

Algumas vezes, Deus esteve diretamente envolvido na escolha de indivíduos a posições muito proeminentes. Ele inspirou o profeta Isaías a anunciar, com antecedência, a ascensão de Ciro, o Grande, ao poder para cumprir Seu propósito (Isaías 45:1). E um século e meio depois, Deus colocou Ciro sobre o Império Persa.

Noutra ocasião, Daniel declarou: "Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre… Ele muda as épocas e as estações; destrona reis e os estabelece" (Daniel 2:20-21, NVI). O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos que viviam na capital do Império Romano, escreveu: "Nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele" (Romanos 13:1, BLH; Salmos 75:6-7, João 19:10-11).

Isso significa que Deus de alguma forma "endossa" qualquer líder com todas as suas falhas e fraquezas? Não. O que isso significa é que Deus tem um propósito para a humanidade, um propósito para os eventos atuais, e Ele realizará esse propósito através da liderança que Ele colocar ou permitir que esteja naquela posição. E essa liderança permanecerá nessa posição até o dia em que ele quiser. De fato, Deus estabelece e destrona governantes e, em uma democracia, Ele faz isso impulsionando ou refreando a vontade do próprio povo. (Veja como Deus faz isso em Êxodo 3 e 12)

Embora as Escrituras mostrem que, às vezes, Deus realmente decide quem será o governante oficial de uma nação, Ele também permite que as pessoas escolham governantes que não compactuam dos valores ensinados nas Sagradas Escrituras, mesmo em detrimento delas. Em certa ocasião, Ele criticou Seu povo com estas palavras: "Israel desprezou o bem… Eles fizeram reis, mas não por Mim" (Oséias 8:3-4). A lição é clara: Deus só aprova aqueles governantes que não "rejeitam o bem", como definido por Ele. Entretanto, para juízo do povo, ele pode manter aqueles governantes que praticam o mal.

O apóstolo Paulo dá este excelente conselho aos cristãos que questionam o que pensar e fazer quanto aos seus governantes: "Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade" (1 Timóteo 2:1-2).

Portanto, é nosso dever orar para que Deus proveja governantes que trabalhem para tornar possível ao povo viver "uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade", que é agradável e apropriada aos olhos de Deus. É também nosso dever cobrar desses governantes a prática do bem. Entretanto, é fundamental reconhecer a vontade de Deus antes de esperar que Ele ouça nossas orações (ver 1 João 3:22). Até mesmo Jesus, que tinha plena fé nas decisões de Deus, orou: "Todavia não se faça a Minha vontade, mas a Tua" (Lucas 22:42). E é na Palavra de Deus, a Bíblia, onde podemos encontrar Sua vontade revelada.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Jovens cristãos abandonam a igreja nos anos da faculdade

As igrejas podem estar cheias de adolescentes, mas um novo estudo publicado na última semana mostra que estudantes universitários podem ser mais raros nos cultos de domingo.

Segundo a pesquisa da LifeWay Research, 66% dos jovens deixaram de frequentar a igreja por pelo menos um ano entre 18 e 22 anos. Outros 34% continuaram frequentando duas vezes por mês ou mais.

Embora o índice de 66% seja preocupante para os líderes, os números podem parecer mais promissores quando comparados a um estudo de 2007 da LifeWay Research. Anteriormente, 70% dos jovens entre 18 e 22 anos saíram da igreja por pelo menos um ano.

“A boa notícia para os líderes cristãos é que as igrejas parecem não estar perdendo mais estudantes do que há dez anos. No entanto, a diferença na taxa de desistência não é grande o suficiente para dizer que realmente melhorou”, disse Scott McConnell, diretor executivo da LifeWay Research.

A taxa de saída da igreja aumenta com a idade, conclui o estudo. Enquanto 69% frequentava a igreja aos 17 anos, o índice cai para 58% aos 18 anos e 40% aos 19 anos. Quando chegam aos 20 anos, cerca de 1 em cada 3 frequentam a igreja regularmente.

Por que eles desistem?

Praticamente todos os que abandonaram a igreja (96%) apontaram sua mudança de vida como motivo para desistir. Outra parte das razões está relacionada à igreja ou pastor (73%); crenças religiosas, éticas ou políticas (70%) ou ministério de jovens (63%).

“A maioria dos motivos pelos quais os jovens saem da igreja reflete mudanças em suas prioridades e hábitos”, disse McConnell. “Mesmo quando as igrejas comunicam fielmente suas crenças através de palavras e ações, nem todo jovem abraça ou prioriza essas crenças”.

Quase metade (47%) daqueles que deixaram a igreja disseram que a faculdade desempenhou um papel em sua ausência por pelo menos um ano.

Cinco motivos específicos estiveram entre os mais citados: entrar na faculdade (34%); membros da igreja que parecem julgadores ou hipócritas (32%); não se sentir mais conectado com as pessoas da igreja (29%); discordar da posição da igreja sobre questões políticas ou sociais (25%); e responsabilidades de trabalho (24%).

Entre todos os que abandonaram a igreja, 29% disseram que a pausa foi planejada. Outros 71% afirmaram que sua saída não foi intencional.

“Na maior parte, as pessoas não estão deixando a igreja por amargura, influência dos ateus na faculdade ou a renúncia à fé”, disse Ben Trueblood, diretor do ministério de estudantes da LifeWay. “O tempo que eles passavam com as atividades na igreja foi simplesmente substituído por outra coisa”.

Onde eles estão agora?

Nem todos os adolescentes saem da igreja quando são jovens adultos. Um índice de 34% frequentou cultos duas vezes por mês ou mais aos 22 anos.

Quando questionados por que decidiram ficar, mais da metade disse que a igreja era uma parte vital de seu relacionamento com Deus (56%) e que a igreja ajudava a orientar suas decisões na vida cotidiana (54%). Quatro em 10 (43%) queriam seguir o exemplo dos pais ou outro membro da família.

Entre aqueles que desistiram da igreja por pelo menos um ano, 31% estão atualmente frequentando duas ou mais vezes por mês.

“Em algum nível, podemos ser encorajados que alguns retornem. Ao mesmo tempo, devemos reconhecer que quando alguém desiste nesses anos, há uma chance de 69% de que eles fiquem fora”, analisou Trueblood.

Para evitar esse movimento, Trueblood afirmou que as igrejas devem ter um foco estratégico nos indivíduos durante os anos tradicionais da faculdade. “Em muitos lugares esta é uma área do ministério esquecida e sem recursos. O foco é colocado nas crianças, estudantes e só volta até que entrem no estágio de ‘família jovem’. Isso precisa mudar”.

Entre aqueles que frequentaram uma igreja protestante quando eram adolescentes, 7 em cada 10 dizem continuam sendo protestantes agora. Outros 10% se identificam como católicos, 4% são agnósticos e 3% ateus.

“Enquanto alguns jovens adultos que deixam a igreja estão rejeitando sua fé de infância, a maioria está escolhendo manter as crenças que tinham, mas com uma dose menor de igreja”, disse McConnell.

Por Mundo Cristão

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Críticas destrutivas: um problema de quem faz, não de quem recebe

As críticas destrutivas são motivadas por uma ou mais das seguintes razões:

1) Sentimentos de inferioridade;
2) Insatisfação consigo mesmo;
3) Necessidade de se integrar na comunidade;
4) Vingança e covardia;
5) Narcisismo e egocentrismo.

Diante dos críticos destrutivos, a única solução é se afastar deles.

Para gerenciar e conviver com esta epidemia social de críticas destrutivas devemos nos afastar ou nos protegermos dessas pessoas tóxicas. Essas pessoas são seres negativos cujo padrão de comportamento é envenenar as pessoas, ou seja, “colocar uns contra os outros”.

O mais sensato é se afastar, principalmente quando tentam nos tornar “cúmplices” da sua crítica. Não nos esqueçamos de que a interação com essas pessoas pode prejudicar a nossa saúde emocional e social.

A chave é não se deixar contaminar e nem ser afetado pela crítica quando o alvo somos nós. Lembre-se de que a crítica fala mais daquele que critica do que da pessoa que é criticada. É um problema pessoal do outro, não nosso.

“Para evitar as críticas não faça nada, não diga nada, não seja nada”. -Elbert Hubbard-

Muitas vezes criticamos e julgamos as pessoas sem qualquer intenção construtiva. Por alguma razão, existem pessoas que projetam a sua negatividade e as suas inseguranças julgando o que os outros fazem ou deixam de fazer, dizem ou deixam de dizer, através das críticas. São pessoas que se dedicam a transmitir e disseminar o que acreditam que são defeitos e maus exemplos de comportamento.

Em maior ou menor grau, todos nós já fomos vítimas e produtores de julgamentos e críticas destrutivas. Na verdade, a prática de criticar atingiu tal magnitude que agora proliferam programas de televisão e de rádio que se baseiam unicamente nisso: na tentativa de prejudicar as pessoas criticando e julgando o seu comportamento. Atualmente, esses programas estão se tornando cada vez mais populares e têm níveis muito elevados de audiência. O que está acontecendo? Por que gostamos de criticar?

Compreender o mecanismo da crítica pode nos ajudar a entender como este padrão de comportamento funciona. Falaremos neste artigo sobre algumas das principais razões pelas quais as pessoas agridem e prejudicam os outros por meio de julgamentos e críticas destrutivas.

“Tudo, absolutamente tudo, é criticável. É apenas uma questão de imaginação”.

1. Os sentimentos de inferioridade

Os sentimentos de inferioridade podem ser uma motivação para criticar os outros. Às vezes, essa motivação são os sentimentos de superioridade. Neste sentido, para muitas pessoas o sentimento de superioridade é apenas um disfarce para o seu sentimento de inferioridade, um lugar onde elas não se sentem tão inseguras.

Então, elas tentam satisfazer a necessidade de se sentirem poderosas e superiores, independentemente dos meios, mesmo que seja passando por cima de alguém e prejudicando a sua imagem através das críticas.

“Para algumas pessoas, quando faltam músculos nos braços, sobram na língua.” -Miguel Delibes-

2. A insatisfação consigo mesmo

Nós criticamos os outros para que os nossos próprios defeitos sejam minimizados diante dos demais e de nós mesmos. Quando criticamos alguém, nos enganamos com a ilusão de que o problema está na outra pessoa e não em nós mesmos. Quando criticamos nos convencemos de que os outros também erram, e de que os seus erros são maiores do que os nossos para não nos sentirmos tão mal.

Assim, quando criticamos mostramos os reflexos do que nos incomoda em nós mesmos: projetamos os nossos medos e inseguranças. Na verdade, quando não aceitamos algumas das nossas características e as reconhecemos nos outros, elas geram uma grande rejeição e ativam o nosso senso crítico. Este fenômeno tem um nome e é conhecido como “o eu rejeitado”.

As pessoas ciumentas e invejosas são muito críticas. Quando se sentem inferiores a alguém ativam um mecanismo de defesa que consiste em diminuir as qualidades da outra pessoa através da crítica. Nestes casos, é normal que aumentem os defeitos da outra pessoa ou até mesmo inventem.

“Essas pessoas não estão acostumadas a fazer autocríticas, as suas energias são dirigidas para julgar os outros. Neste sentido, elas olham para o outro, porque temem o que podem ver em si mesmas”.

3. A necessidade de se integrar na comunidade

As relações sociais de algumas pessoas se baseiam em criticar os outros. Alguns estudos nos mostram que, para garantir a nossa participação em um grupo, muitas vezes tendemos a criticar as pessoas de grupos diferentes. Dessa forma, a crítica atua como um reforçador desse “sentimento de pertencer”, para si mesmo e, muitas vezes, para os outros membros do grupo.

Neste contexto, a crítica será muito influenciada pela atitude do grupo. Se o grupo aprova e aceita, isto será reforçado: é muito provável que as críticas aumentem em intensidade e frequência. Por outro lado, em caso de rejeição, a pessoa que procura fortalecer o seu “sentimento de pertencer” buscará outros caminhos.

Finalmente, quando acreditamos que somos especialistas em algum assunto, podemos criticar os outros para demonstrar o que sabemos e reafirmarmos a nossa posição. Isto reflete uma falta de autoestima e um desejo de admiração não resolvido ou mal resolvido, em qualquer caso, insatisfeito.

4. Vingança e covardia

Uma das razões que podem levar alguém a criticar outra pessoa pode ser o desejo de vingança. Pode haver situações que não foram totalmente assimiladas, estão mal resolvidas ou sem perdão. Nestes casos, a crítica é usada como uma ferramenta de humilhação e vingança. Quando não temos coragem de dizer algo “na cara” de uma pessoa que nos prejudicou recorremos à crítica para esconder a nossa frustração, raiva ou insatisfação.

“A crítica é, na realidade, um lugar onde nós colocamos a nossa raiva. Então, o que fazemos? Começamos a criticar, porque acreditamos que isto é melhor do que enfrentar a nossa própria raiva”. -Jorge Cassieri-

A crítica como vingança tem muito a ver com a vingança como manipulação. Às vezes, critica-se com a intenção perversa de colocar alguém contra a pessoa criticada, para bani-la do grupo, para isolá-la…

5. Narcisismo e egocentrismo

Quando nos sentimos com direito a um tratamento ou condição especial e acreditamos que não estamos recebendo o que temos direito, sentimos que nos devem algo. Às vezes, por um sentimento narcisista, acreditamos que os outros devem se colocar a nosso serviço. Quando sentimos que este não é o caso, podemos usar a crítica para reclamar, menosprezar e fazer o outro se sentir mal.

“Em vez de criticar, elogie. Em um mês você notará uma enorme mudança em si mesmo”. -Alejandro Chaban-

Atitude diante das críticas destrutivas

É inquestionável que as críticas, quaisquer que sejam as suas formas, são inevitáveis. Neste sentido, como explica Stamateas, se aplica a “lei dos três terços”. Existe um terço de pessoas que nos amam, outro terço de pessoas que nos odeiam e outro terço são pessoas que não nos conhecem e, mesmo assim, falam de nós.

No entanto, não podemos subestimar o poder negativo e destrutivo que algumas críticas podem alcançar. Winston Churchill comparou a crítica com uma dor que podemos vir a sentir fisicamente. Um estudo recente revelou que as experiências de rejeição, críticas e humilhação são processadas ​​pela mesma área do cérebro que é responsável pelo processamento da dor.

“Com as pedras que os críticos lançam continuamente, você pode erguer um monumento”. -Kant-

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Um engano chamado Teologia Inclusiva

O padrão de Deus para o exercício da sexualidade humana é o relacionamento entre um homem e uma mulher no ambiente do casamento. Nesta área, a Bíblia só deixa duas opções para os cristãos: casamento heterossexual e monogâmico ou uma vida celibatária. À luz das Escrituras, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são vistas não como opção ou alternativa, mas sim como abominação, pecado e erro, sendo tratada como prática contrária à natureza. Contudo, neste tempo em que vivemos, cresce na sociedade em geral, e em setores religiosos, uma valorização da homossexualidade como comportamento não apenas aceitável, mas supostamente compatível com a vida cristã. Diferentes abordagens teológicas têm sido propostas no sentido de se admitir que homossexuais masculinos e femininos possam ser aceitos como parte da Igreja e expressar livremente sua homoafetividade no ambiente cristão.

Existem muitas passagens na Bíblia que se referem ao relacionamento sexual padrão, normal, aceitável e ordenado por Deus, que é o casamento monogâmico heterossexual. Desde o Gênesis, passando pela lei e pela trajetória do povo hebreu, até os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento, a tradição bíblica aponta no sentido de que Deus criou homem e mulher com papéis sexuais definidos e complementares do ponto de vista moral, psicológico e físico. Assim, é evidente que não é possível justificar o relacionamento homossexual a partir das Escrituras, e muito menos dar à Bíblia qualquer significado que minimize ou neutralize sua caracterização como ato pecaminoso. Em nenhum momento, a Palavra de Deus justifica ou legitima um estilo homossexual de vida, como os defensores da chamada “teologia inclusiva” têm tentado fazer. Seus argumentos têm pouca ou nenhuma sustentação exegética, teológica ou hermenêutica.

A “teologia inclusiva” é uma abordagem segundo a qual, se Deus é amor, aprovaria todas as relações humanas, sejam quais forem, desde que haja este sentimento. Essa linha de pensamento tem propiciado o surgimento de igrejas onde homossexuais, nesta condição, são admitidos como membros e a eles é ensinado que o comportamento gay não é fator impeditivo à vida cristã e à salvação. Assim, desde que haja amor genuíno entre dois homens ou duas mulheres, isso validaria seu comportamento, à luz das Escrituras. A falácia desse pensamento é que a mesma Bíblia que nos ensina que Deus é amor igualmente diz que ele é santo e que sua vontade quanto à sexualidade humana é que ela seja expressa dentro do casamento heterossexual, sendo proibidas as relações homossexuais.

Em segundo lugar, a “teologia inclusiva” defende que as condenações encontradas no livro de Levítico se referem somente às relações sexuais praticadas em conexão com os cultos idolátricos e pagãos, como era o caso dos praticados pelas nações ao redor de Israel. Além disso, tais proibições se encontram ao lado de outras regras contra comer sangue ou carne de porco, que já seriam ultrapassadas e, portanto, sem validade para os cristãos. Defendem ainda que a prova de que as proibições das práticas homossexuais eram culturais e cerimoniais é que elas eram punidas com a morte – coisa que não se admite a partir da época do Novo Testamento. É fato que as relações homossexuais aconteciam inclusive – mas não exclusivamente – nos cultos pagãos dos cananeus.

Contudo, fica evidente que a condenação da prática homossexual transcende os limites culturais e cerimoniais, pois é repetida claramente no Novo Testamento. Ela faz parte da lei moral de Deus, válida em todas as épocas e para todas as culturas. A morte de Cristo aboliu as leis cerimoniais, como a proibição de se comer determinados alimentos, mas não a lei moral, onde encontramos a vontade eterna do Criador para a sexualidade humana. Quando ao apedrejamento, basta dizer que outros pecados punidos com a morte no Antigo Testamento continuam sendo tratados como pecado no Novo, mesmo que a condenação capital para eles tenha sido abolida – como, por exemplo, o adultério e a desobediência contumaz aos pais.

PECADO E DESTRUIÇÃO

Os teólogos inclusivos gostam de dizer que Jesus Cristo nunca falou contra o homossexualismo. Em compensação, falou bastante contra a hipocrisia, o adultério, a incredulidade, a avareza e outros pecados tolerados pelos cristãos. Este é o terceiro ponto: sabe-se, todavia, que a razão pela qual Jesus não falou sobre homossexualidade é que ela não representava um problema na sociedade judaica de sua época, que já tinha como padrão o comportamento heterossexual. Não podemos dizer que não havia judeus que eram homossexuais na época de Jesus, mas é seguro afirmar que não assumiam publicamente esta conduta. Portanto, o homossexualismo não era uma realidade social na Palestina na época de Jesus. Todavia, quando a Igreja entrou em contato com o mundo gentílico – sobretudo as culturas grega e romana, onde as práticas homossexuais eram toleradas, embora não totalmente aceitas –, os autores bíblicos, como Paulo, incluíram as mesmas nas listas de pecados contra Deus. Para os cristãos, Paulo e demais autores bíblicos escreveram debaixo da inspiração do Espírito Santo enviado por Jesus Cristo. Portanto, suas palavras são igualmente determinantes para a conduta da Igreja.

O quarto ponto equivocado da abordagem que tenta fazer do comportamento gay algo normal e aceitável no âmbito do Cristianismo é a suposição de que o pecado de Sodoma e Gomorra não foi o homossexualismo, mas a falta de hospitalidade para com os hóspedes de Ló. A base para esta afirmação é que se diz, no original hebraico, que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (Gênesis 19.5) e não abusar sexualmente deles, como é traduzido em várias versões, como na Almeida atualizada. Já a Nova versão internacional e a Nova tradução na linguagem de hoje dizem que os concidadãos de Ló queriam “ter relações” com os visitantes, enquanto a SBP é ainda mais clara: “Queremos dormir com eles”. Usando-se a regra de interpretação simples de analisar palavras em seus contextos, percebe-se que o termo hebraico usado para dizer que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (yadah) é o mesmo termo que Ló usa para dizer que suas filhas, que ele oferecia como alternativa à tara daqueles homens, eram virgens: “Elas nunca conheceram (yadah) homem”, diz o versículo 8. “Assim, fica evidente que “conhecer”, no contexto da passagem de Gênesis, significa ter relações sexuais. Foi esta a interpretação de Filo, autor judeu do século 1º, em sua obra sobre a vida de Abraão: segundo ele, os homens de Sodoma se acostumaram gradativamente a ser tratados como mulheres.”

Ainda sobre o pecado cometido naquelas cidades bíblicas, que acabaria acarretando sua destruição, a “teologia inclusiva” defende que o profeta Ezequiel claramente diz que o erro daquela gente foi a soberba e a falta de amparo ao pobre e ao necessitado (Ez 16.49). Contudo, muito antes de Ezequiel, o “sodomita” era colocado ao lado da prostituta na lei de Moisés: o rendimento de ambos, fruto de sua imoralidade sexual, não deveria ser recebido como oferta a Deus, conforme Deuteronômio 23.18. Além do mais, quando lemos a declaração do profeta em contexto, percebemos que a soberba e a falta de caridade era apenas um entre os muitos pecados dos sodomitas. Ezequiel menciona as “abominações” dos sodomitas, as quais foram a causa final da sua destruição: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali” (Ez 16.49-50). Da mesma forma, Pedro, em sua segunda epístolas, refere-se às práticas pecaminosas dos moradores de Sodoma e Gomorra tratando-as como “procedimento libertino”.

Um quinto argumento é que haveria alguns casos de amor homossexual na Bíblia, a começar pelo rei Davi, para quem o amor de seu amigo Jônatas era excepcional, “ultrapassando o das mulheres” (II Samuel 1.26). Contudo, qualquer leitor da Bíblia sabe que o maior problema pessoal de Davi era a falta de domínio próprio quanto à sua atração por mulheres. Foi isso que o levou a casar com várias delas e, finalmente, a adulterar com Bate-Seba, a mulher de Urias. Seu amor por Jônatas era aquela amizade intensa que pode existir entre duas pessoas do mesmo sexo e sem qualquer conotação erótica. Alguns defensores da “teologia inclusiva” chegam a categorizar o relacionamento entre Jesus e João como homoafetivo, pois este, sendo o discípulo amado do Filho de Deus, numa ocasião reclinou a sua cabeça no peito do Mestre (João 13.25). Acontece que tal atitude, na cultura oriental, era uma demonstração de amizade varonil – contudo, acaba sendo interpretada como suposta evidência de um relacionamento homoafetivo. Quem pensa assim não consegue enxergar amizade pura e simples entre pessoas do mesmo sexo sem lhe atribuir uma conotação sexual.

“TORPEZA”

Há uma sexta tentativa de reinterpretar passagens bíblicas com objetivo de legitimar a homossexualidade. Os propagadores da “teologia gay” dizem que, no texto de Romanos 1.24-27, o apóstolo Paulo estaria apenas repetindo a proibição de Levítico à prática homossexual na forma da prostituição cultual, tanto de homens como de mulheres – proibição esta que não se aplicaria fora do contexto do culto idolátrico e pagão. Todavia, basta que se leia a passagem para ficar claro o que Paulo estava condenando. O apóstolo quis dizer exatamente o que o texto diz: que homens e mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza, e que se inflamaram mutuamente em sua sensualidade – homens com homens e mulheres com mulheres –, “cometendo torpeza” e “recebendo a merecida punição por seus erros”. E ao se referir ao lesbianismo como pecado, Paulo deixa claro que não está tratando apenas da pederastia, como alguns alegam, visto que a mesma só pode acontecer entre homens, mas a todas as relações homossexuais, quer entre homens ou mulheres.

É alegado também que, em I Coríntios 6.9, os citados efeminados e sodomitas não seriam homossexuais, mas pessoas de caráter moral fraco (malakoi, pessoa “macia” ou “suave”) e que praticam a imoralidade em geral (arsenokoites, palavra que teria sido inventada por Paulo). Todavia, se este é o sentido, o que significa as referências a impuros e adúlteros, que aparecem na mesma lista? Por que o apóstolo repetiria estes conceitos? Na verdade, efeminado se refere ao que toma a posição passiva no ato homossexual – este é o sentido que a palavra tem na literatura grega da época, em autores como Homero, Filo e Josefo – e sodomita é a referência ao homem que deseja ter coito com outro homem.

Há ainda uma sétima justificativa apresentada por aqueles que acham que a homossexualidade é compatível com a fé cristã. Segundo eles, muitas igrejas cristãs históricas, hoje, já aceitam a prática homossexual como normal – tanto que homossexuais praticantes, homens e mulheres, têm sido aceitos não somente como membros mas também como pastores e pastoras.

Essas igrejas, igualmente, defendem e aceitam a união civil e o casamento entre pessoa do mesmo sexo. É o caso, por exemplo, da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos – que nada tem a ver com a Igreja Presbiteriana do Brasil –, da Igreja Episcopal no Canadá e de igrejas em nações européias como Suécia, Noruega e Dinamarca, entre outras confissões. Na maioria dos casos, a aceitação da homossexualidade provocou divisões nestas igrejas, e é preciso observar, também, que só aconteceu depois de um longo processo de rejeição da inspiração, infalibilidade e autoridade da Bíblia. Via de regra, essas denominações adotaram o método histórico-crítico – que, por definição, admite que as Sagradas Escrituras são condicionadas culturalmente e que reflete os erros e os preconceitos da época de seus autores. Desta feita, a aceitação da prática homossexual foi apenas um passo lógico. Outros ainda virão. Todavia, cristãos que recebem a Bíblia como a infalível e inerrante Palavra de Deus não podem aceitar a prática homossexual, a não ser como uma daquelas relações sexuais consideradas como pecaminosas pelo Senhor, como o adultério, a prostituição e a fornicação.

Contudo, é um erro pensar que a Bíblia encara a prática homossexual como sendo o pecado mais grave de todos. Na verdade, existe um pecado para o qual não há perdão, mas com certeza não se trata da prática homossexual: é a blasfêmia contra o Espírito Santo, que consiste em atribuir a Satanás o poder pelo qual Jesus Cristo realizou os seus milagres e prodígios aqui neste mundo, mencionado em Marcos 3.22-30. Consequentemente, não está correto usar a Bíblia como base para tratar homossexuais como sendo os piores pecadores dentre todos, que estariam além da possibilidade de salvação e que, portanto, seriam merecedores de ódio e desprezo. É lamentável e triste que isso tenha acontecido no passado e esteja se repetindo no presente. A mensagem da Bíblia é esta: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”, conforme Romanos 3.23. Todos nós precisamos nos arrepender de nossos pecados e nos submetermos a Jesus Cristo, o Salvador, pela fé, para recebermos o perdão e a vida eterna.

Lembremos ainda que os autores bíblicos sempre tratam da prática homossexual juntamente com outros pecados. O 20º capítulo de Levítico proíbe não somente as relações entre pessoas do mesmo sexo, como também o adultério, o incesto e a bestialidade. Os sodomitas e efeminados aparecem ao lado dos adúlteros, impuros, ladrões, avarentos e maldizentes, quando o apóstolo Paulo lista aqueles que não herdarão o Reino de Deus (I Coríntios 6.9-10). Porém, da mesma forma que havia nas igrejas cristãos adúlteros e prostitutas que haviam se arrependido e mudado de vida, mediante a fé em Jesus Cristo, havia também efeminados e sodomitas na lista daqueles que foram perdoados e transformados.

COMPAIXÃO

É fundamental, aqui, fazer uma importante distinção. O que a Bíblia condena é a prática homossexual, e não a tentação a esta prática. Não é pecado ser tentado ao homossexualismo, da mesma forma que não é pecado ser tentado ao adultério ou ao roubo, desde que se resista. As pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo devem lembrar que tal desejo é resultado da desordem moral que entrou na humanidade com a queda de Adão e que, em Cristo Jesus, o segundo Adão, podem receber graça e poder para resistir e vencer, sendo justificados diante de Deus.

Existem várias causas identificadas comumente para a atração por pessoas do mesmo sexo, como o abuso sexual sofrido na infância. Muitos gays provêm de famílias disfuncionais ou tiveram experiências negativas com pessoas do sexo oposto. Há aqueles, também, que agem deliberadamente por promiscuidade e têm desejo de chocar os outros. Um outro fator a se levar em conta são as tendências genéticas à homossexualidade, cuja existência não está comprovada até agora e tem sido objeto de intensa polêmica. Todavia, do ponto de vista bíblico, o homossexualismo é o resultado do abandono da glória de Deus, da idolatria e da incredulidade por parte da raça humana, conforme Romanos 1.18-32. Portanto, não é possível para quem crê na Bíblia justificar as práticas homossexuais sob a alegação de compulsão incontrolável e inevitável, muito embora os que sofrem com esse tipo de impulso devam ser objeto de compaixão e ajuda da Igreja cristã.

É preciso também repudiar toda manifestação de ódio contra homossexuais, da mesma forma com que o fazemos em relação a qualquer pessoa. Isso jamais nos deveria impedir, todavia, de declarar com sinceridade e respeito nossa convicção bíblica de que a prática homossexual é pecaminosa e que não podemos concordar com ela, nem com leis que a legitimam. Diante da existência de dispositivos legais que permitem que uma pessoa deixe ou transfira seus bens a quem ele queira, ainda em vida, não há necessidade de leis legitimando a união civil de pessoas de mesmo sexo – basta a simples manifestação de vontade, registrada em cartório civil, na forma de testamento ou acordo entre as partes envolvidas. O reconhecimento dos direitos da união homoafetiva valida a prática homossexual e abre a porta para o reconhecimento de um novo conceito de família. No Brasil, o reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de herança e outros benefícios aconteceu ao arrepio do que diz a Constituição: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (Art. 226, § 3º).

Cristãos que recebem a Bíblia como a palavra de Deus não podem ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma vez que seria a validação daquilo que as Escrituras, claramente, tratam como pecado. O casamento está no âmbito da autoridade do Estado e os cristãos são orientados pela Palavra de Deus a se submeter às autoridades constituídas; contudo, a mesma Bíblia nos ensina que nossa consciência está submissa, em última instância, à lei de Deus e não às leis humanas – “Importa antes obedecer a Deus que os homens” (Atos 5.29). Se o Estado legitimar aquilo que Deus considera ilegítimo, e vier a obrigar os cristãos a irem contra a sua consciência, eles devem estar prontos a viver, de maneira respeitosa e pacífica em oposição sincera e honesta, qualquer que seja o preço a ser pago.

Texto originalmente publicado no site O Tempora, O Mores.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Entendendo o movimento de restauração e o movimento apostólico

Nunca se viu tantos apóstolos como neste início de século. Em cada canto, esquina e cidade encontramos alguém reivindicando o direito de ser chamado apóstolo.

O chamado movimento de restauração defende a tese de que Deus está restaurando a igreja. Para estes, após a morte dos primeiros apóstolos, a igreja de Cristo paulatinamente experimentou um processo de declínio espiritual culminando com a apostasia vivenciada pelos seus adeptos no período da idade média.

Com o advento da Reforma Protestante, os defensores desta teologia afirmam que Deus começou a restaurar a saúde da igreja. Segundo estes, Lutero foi responsável pela redescoberta da salvação pela graça, e agora no século XXI, estamos vivendo a restauração do ministério apostólico. Os teólogos desta linha de pensamento afirmam que a restauração dos apóstolos é uma das últimas coisas a serem feitas pelo Senhor, antes de sua vinda. Para os adeptos desta linha de pensamento, os apóstolos de hoje possuem, em alguns casos, maior autoridade do que os apóstolos do primeiro século, até porque, para os defensores desta corrente teológica a glória da segunda casa será maior do que a primeira.

Para estes o ministério apostólico não acabou. Na verdade, tais teólogos advogam que o ministério apostólico é perpétuo e que o livro de Atos ainda continua a ser escrito por santos homens de Deus, os quais, mediante a sua autoridade apostólica, agem em nome do Senhor.

Este movimento tem suas semelhanças com o surgimento dos mórmons e a Igreja dos Santos dos Últimos Dias, que ensina que o corpo de escritos inspirados por Deus não se fechou e que Deus tem muita coisa nova para dizer e para revelar aos seus santos através de seus apóstolos.

Infelizmente, assim como os mórmons, os adeptos do movimento apostólico consideram a Bíblia uma fonte importante, mas não única para a fé. Para os apóstolos deste tempo, Deus, através de seus profetas, pode revelar coisas novas, ainda que isso se contraponha a sua Palavra. Basta olharmos para as doutrinas hodiernas que chegaremos à conclusão que os apóstolos do século XXI, acreditam que suas revelações são absolutamente diretivas, normativas e inquestionáveis.
Segundo a bíblia quais deveriam ser as credenciais de um apóstolo?

1. O apóstolo teria de ser testemunha do Senhor ressurreto. Em Atos vemos os apóstolos reunidos no cenáculo, conversando sobre quem substituiria Judas. Em Atos 1.21-22 lemos: “É necessário pois, que, dos homens que nos acompanham todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre vós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição”. Paulo diz que viu Jesus ressurreto: “Não sou, porventura livre? Não sou apóstolo? Não vi a Jesus, Nosso Senhor?” (1Co 9.1)

2. O apóstolo tinha de ter um chamado especial da parte de Cristo para exercer este ministério. As Escrituras são absolutamente claras em nos mostrar que os apóstolos, incluindo Paulo, foram chamados por Cristo (Mt 10.2-4; Gl 1.11-24).

3. O apóstolo era alguém a quem foi dada autoridade para operar milagres. Isso fica bem claro em 2Coríntios 12.12: “Pois as credenciais do meu apostolado foram manifestadas no meio de vós com toda a persistência, por sinais prodígios e poderes miraculosos”. Era como se ele dissesse: “Como vocês podem questionar meu ofício de apóstolo, se as minhas credenciais foram apresentadas claramente entre vós”. Sinais, milagres e prodígios maravilhosos.

4. O apóstolo tinha autoridade para ensinar e definir a doutrina firmando as pessoas na verdade.

5. Os apóstolos tiveram autoridade para estabelecer a ordem nas igrejas. Nomeavam os presbíteros, decidiam questões disciplinares e questões doutrinárias, e falavam com autoridade do próprio Jesus.

Será que diante destas questões os “apóstolos” da modernidade podem de fato reivindicar o título de apóstolo de Cristo? Por acaso, algum deles viu o Senhor ressurreto? Foram eles comissionados por Cristo a exercerem o ministério apostólico? Quantos dos apóstolos brasileiros ressuscitaram mortos? E suas doutrinas? Possuem elas autoridade para se contraporem aos ensinamentos bíblicos?

Pois é, infelizmente os “apóstolos” do nosso tempo não possuem respostas a estas perguntas.

O posicionamento da ortodoxia evangélica entende que o ministério apostólico cessou com a morte dos apóstolos no primeiro século. Sem a menor sombra de dúvidas, considero a utilização do título “apóstolo” por parte dos pastores como uma apropriação indevida de um ministério, o qual não existe mais nos moldes que vemos no Novo Testamento.

Por: Renato Vargens

Trecho do livro “Reforma Agora – o antídoto para a confusão evangélica no Brasil”, lançamento da Editora Fiel para o mês de setembro.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Marxismo e cristianismo são conceitos incompatíveis

O escritor Felipe Lemos, utilizou o portal oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia para escrever uma mensagem clara e direta contra a ideologia marxista.
“Em um de seus escritos, Marx afirmou que a “religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de uma situação carente de espírito. É o ópio do povo”. Seria uma visão da religião como uma fuga do ser humano das suas responsabilidades?”, disse a nota.

“A aversão de Marx pela religião (de modo geral), e pelo cristianismo (de modo particular), se dá pelo fato de ser um obstáculo à implementação de sua utopia. Por isso, usou de dois artifícios intelectuais para ridicularizá-la.

O primeiro foi dizer que a religião era algo inventado pelos ricos para aliviar o sofrimento causado pelo capitalismo sobre os pobres. Em segundo lugar, foi alegar que essas ideias eram falsa consciência imposta pela classe dominante para defender e perpetuar a propriedade privada.

É no primeiro sentido que Marx via a religião como fuga das responsabilidades. Marx tinha uma maneira ruim de tratar seu leitor: ao passo que, por um lado, queria “abrir seus olhos” para a “verdade” dizendo que a religião era uma armadilha da classe dominante, acusava o proletário de ser um iludido, na pior acepção do termo, provocando-o a abandonar a fé. Assim Marx tratava a classe pela qual ele desejava realizar a revolução”, explica.

Ao responder ao questionamento se os cristãos podem conciliar as ideias marxistas com as crenças bíblicas, a Igreja Adventista do Sétimo Dia responde:

“Cristianismo e marxismo são duas coisas opostas entre si, impossíveis de serem conciliadas. As diferenças começam pela criação: a Bíblia mostra que Deus é o Criador do homem, ao passo que, para Marx, foi o homem quem construiu a ideia de Deus”.

Leia a nota completa:

Sim, é necessário que as organizações religiosas se manifestem contra o Marxismo. Pois, como mo bem disse Thiago Oliveira, do blog Electus, se nós somos cristãos e temos os nossos pressupostos baseados na Escritura, logo, não podemos abraçar uma doutrina concorrente ao cristianismo. Ainda mais quando esta corrente enxerga a religião, ou melhor, a metafísica como sendo um produto da opressão, uma vez que os oprimidos a inventaram como um entorpecente que alivia a dor (ópio).

A doutrina cristã não foi fabricada. Ela é a revelação de Deus por meio do seu Filho, trazendo boas novas de salvação. Daí entendemos o porquê do Cristianismo sempre ser perseguido nos regimes marxistas.

Para o cristão, as desigualdades e injustiças econômicas são fruto do pecado e o único capaz de curar esse mal é Jesus Cristo. Mas a promessa de um mundo sem dor e sem lágrimas está no porvir (Ap 21.4). Ora, isso frustra os marxistas que pregam o Reino dos Céus na terra, algo que não funcionará enquanto o pecado dominar o coração humano.

Tanto as sugestões marxianas como as de qualquer outra ideologia que busque o fim da pobreza não serão bem-sucedidas neste mundo corrompido. Podemos ter uma agenda política que pregue uma melhor distribuição da riqueza nacional, ou o Estado do bem-estar social. Podemos criar programas de microcrédito e de transferência de renda. Podemos ver o incentivo estatal e privado na educação profissionalizante.

Seja qual for, como observa Aaron Armstrong, “[…] essas soluções estão tratando os sintomas, não a causa; estão podando os galhos, não desenterrando a raiz. A questão principal por trás da pobreza é o pecado”.

Algumas dessas ideias podem até minorar muitos males, mas não acabarão definitivamente com a injustiça e opressão existentes na sociedade.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Economia e Política na Cosmovisão Cristã: Resenha

Contribuições para uma teologia evangélica

A Obra é uma espécie de tese mesclada com conferência, trazendo fortes apontamentos através de conceitos e experiências de estudos e pesquisas. O autor mesclou parte do livro com a palestra proferida por ele em março de 2016 no 10º Congresso de Teologia Vida Nova.

O que impressiona nesta obra é o conteúdo altamente rico no sentido de orientar e apontar como deveriam ser as questões políticas de uma sociedade e o comportamento de um congressista (entenda-se qualquer tipo de político), como deve agir e realizar seu mandato, com bases não denominacionais, mas somente éticas e morais segundo o que a Bíblia mostra clara e objetivamente.

A combinação traz pontos estratégicos também apontados durante a publicação de um livro referente a apresentação ao Congresso Americano em Washington, DC,EUA. Os capítulos 1, 2 e 3 tratam assuntos diretamente relacionados a questões morais e éticas da política e do cidadão como um todo, foi desenvolvido e trabalhado por Wayne Grudem, já os capítulos 4 e 5 do livro foram desenvolvidos partir da união de Grudem com Barry Asmus.

Me perdoem, como resenhista sei que não é muito ético apresentar minha visão particular, mas o conteúdo desta obra realmente me impactou, caso eu fosse alguém que tivesse boa situação financeira, enviaria um exemplar a cada vereador, prefeito, deputados, ministros e todas outras autoridades do Legislativo e Executivo de todo o território Brasileiro, ou se eu fosse alguém influente nas questões políticas, tornaria a leitura deste livro uma questão obrigatória antes de receber o mandato político ou administrativo aqui no Brasil.

As 128 páginas do livro estão divididas em 5 bons capítulos. O primeiro deles: Por que os cristãos devem influenciar positivamente o governo? O Autor traz a tona uma de suas experiências, realizada em 2016 em um evento da Vida Nova, aqui no Brasil e desenvolve todo um pensamento bíblico a respeito de politica e do que é verdadeiramente servir e ser um representante Cristão nos cargos públicos. Fala também sobre economia e política abertamente, sempre apontando e comparando com exemplos de cristianismo mostrados e relatados nos textos bíblicos. O mais interessante de tudo é que justamente os dois primeiros capítulos parecem uma espécie de resumo contextualizado não somente de conceitos de ética moral, mas trazem todo um pensamento e apresenta ainda, as ideias equivocadas que os evangélicos e igrejas possuem a respeito de política. Existe uma solução bíblica para isso, e é justamente nesta concepção que acontece todo o trabalhar no livro.

O Capítulo 2: O Papel do governo na regulação do mercado e desigualdade econômica. O autor aborda este papel governamental defendendo a economia de livre mercado. Textos bíblicos apontam advertências contra governos que tomam para si o que por direito legítimo pertence às pessoas, ensinando que a propriedade destes bens é, em geral, individual e não do Estado.

O capítulo 3: É correto o cristão participar de atos de desobediência civil, protestos públicos e tentativas de mudar o governo em situações específicas? Por meio de exemplos tanto do Antigo testamento quanto do Novo, o autor argumenta que homens e mulheres tementes a Deus desobedeceram às autoridades civis em submissão ao Senhor. Apresenta algumas aplicações ao citar exemplos de fatos recentes ocorridos nos EUA, nos quais cristãos corajosos desobedeceram ao Estado quando este lhe exigiu violação das leis de Deus, entendendo assim claramente que o mais importante de tudo na vida é submeter-se ao Senhor e não aos homens.

Já no penúltimo capítulo, 4, Direitos de propriedade inerentes ao oitavo mandamento são necessários para a prosperidade humana, existe todo um trabalho realizado em cima do foco e tema do livro. Os autores, até aqui, apontam como o direito à propriedade privada implica certas responsabilidades individuais, visto que os seres humanos são administradores de bens que pertencem, em última instância, ao próprio Deus (baseado em entendimento bíblico dos textos de Salmos 24 em diante).

O último capítulo: Qual o risco para o negócios se perdermos uma cosmovisão cristã? O que é apontado no encerramento da obra é que existe sempre algo porvir e que virá, que existe consequências para cada atitude ou ação, e o povo cristão precisa conhecer e estar preparado a assumir cada qual com suas devidas colocações. Basicamente, os autores apresentam cinco grandes convicções que podem ser perdidas caso estes cristãos não se deixem influenciar a sociedade com os padrões do divino. Em outras palavras, é mostrado biblicamente quais as crenças para cada situação dentro do cenário político e econômico de todo um país, onde o resultado do abandono ou distanciamento destas crenças ou convicções para os negócios e para a sociedade será a total desintegração e destruição decorrentes de maior intervenção estatal e da falta de valor do trabalho.

Todo o livro e a excelente obra, parece que tem muito (ou pelo menos deveria ter) com o Brasil e com os políticos que aqui teimam em querer fazer suas regras, suas posturas e seus próprios legados egocêntricos, deixando totalmente os interesses do povo e da sociedade para atenuarem, trabalharem apenas em interesses próprios e egocêntricos.

É preciso urgente que todos os cristãos (independente de qualquer credo denominacional) comece a atuar conforme os princípios bíblicos e proclamem esses princípios à sociedade, a fim de que a cosmovisão bíblica leve as pessoas a ser mais produtivas e a expressar amor ao próximo por meio de seu trabalho.

Realmente, no ensejo, a qualidade e o conteúdo desta obra me causou momentos de impactos profundos e de reflexões acerca do nosso querido Brasil. Está tudo muito nítido (só não enxerga quem não quer ver) que a Bíblia é objetiva quanto a política e a economia, não somente corrigindo mas principalmente relatado através de passagens pelos livros sagrados que é possível reconhecer a Deus (O Cristo vivo) em uma política e assim obter por meio deste reconhecimento, resultados incríveis e positivos a toda uma sociedade e consequentemente contagiar todo um País com o amor, o respeito e o cristianismo verdadeiro.

No mais, gostei bastante da leitura e indico não somente para indivíduos ou pessoas que pretendem ingressar num cargo político ou administrativo, mas todas as pessoas que exercem já algum tipo de influência (direta ou indiretamente) na posição que ocupa em seu trabalho com municípios, organizações não governamentais, entidades, prefeituras, conselhos e por ai adiante.

Sua leitura é bem fácil, não possuem textos complicados ou carregados de termos técnicos, todo entendimento se faz através da interpretação que os autores deram aos estudos dos princípios ético, morais e políticos através da leitura da Bíblia e seus ensinamentos. Tanto a igreja de Cristo como as igrejas locais, precisam se atentar aos fatos do que está acontecendo no cenário político e econômico do local, cidade ou região que se vive. Ao invés de uma postura omissa em relação ao governo, somos todos desafiados, com base nas Escrituras e em exemplos históricos, a influenciar a política e as leis, contribuindo para a justiça e a paz na sociedade em que vivemos.

Segue com uma boa recomendação de leitura que agregou a mim uma visão mais direcionada do que Deus quer que façamos nestas situações e posições quando ocupamos.

Por Carlos Xandelly

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A polarização nunca vai acabar

Se ouvíssemos Marina Silva, entenderíamos que a polarização acabou e veríamos como é possível viver juntando o melhor da esquerda e da direita. O problema é que Janaína Paschoal teve muito mais votos que Marina Silva. Janaina teve mais de 2 milhões de votos e Marina cerca de 1 milhão.

Por que biblicamente a polarização nunca acabará? Simples: porque desde o princípio dos tempos, a humanidade se divide entre Caim e Abel. Acreditar na terceira via é como acreditar que Caim e Abel poderiam superar diferenças e viver em paz.

O problema é que Deus tem lado nessa briga, e o diabo também. Quando Caim matou Abel, Deus levantou a Sete como substituto de Abel, e não como síntese hegeliana.

O cristão precisa entender isso. A Bíblia sempre vê a História como esse confronto entre os filhos de Caim e os filhos de Abel. Isaque e Ismael, Esaú e Jacó, José e seus irmãos, Moisés e Coré, Davi e Eliabe, Salomão e Adonias, Jesus e seus irmãos incrédulos.

Nosso papel não é pregar o fim da polarização por meio da síntese dos dois lados. Nosso papel é pregar o fim da polarização por meio da vitória dos filhos de Abel. É dizer aos filhos de Caim que se submetam ao culto que agrada o Deus de Abel enquanto há tempo para se arrepender. Os pastores hipster marineiros precisam entender isso.

Votos Marina Silva:
https://g1.globo.com/…/eleic…/2018/apuracao/presidente.ghtml

Votos Janaina Paschoal:
https://www.oantagonista.com/…/campanha-de-janaina-custou-…/

Helder Nozima


domingo, 30 de setembro de 2018

Um convite aos cristãos

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2:1-4)


Nesta semana, convido-os a separar um dia para jejuar pelo nosso País e pelas eleições. Não jejue apenas pelo Presidente correto. Jejue pelos que serão eleitos para o Congresso. Jejue pelo seu Estado e pela sua Assembleia Legislativa. Jejue pedindo a Deus que derrame sua graça sobre o Brasil e sobre a Igreja.

Sempre falei de Jesus claramente aqui. E lembro que é Jesus o único que pode salvar o Brasil de si mesmo. Pela Bíblia, o Brasil merece algo pior que a Venezuela. Todos merecemos o inferno. É apenas a graça de Cristo que nos dá emprego, saúde, paz e tudo o mais.

Como reformado, acredito que o Antigo Testamento não é outra aliança. O Novo Testamento é apenas a realização do Antigo. E o que aprendemos no Antigo Testamento é que Deus abençoa os países e governantes que buscam a Ele e se esforçam em guardar a sua Lei. Quando a Lei de Deus é desprezada, os juízos se multiplicam. O fator de sucesso não é a boa gestão da economia e nem o tamanho do Estado, mas sim o temor a Deus e a obediência a Ele.

O Ocidente de um modo geral tem se afastado de Deus e de sua Lei. O Brasil não é exceção. Ore para que Deus aja no coração do nosso povo e de nossos príncipes para que nos arrependamos e voltemos a Ele.

Ore também pela Igreja brasileira. As igrejas evangélicas brasileiras precisam de purificação. A Teologia da Prosperidade, a hipocrisia do evangelho de aparências e o legalismo são abominações que abundam em nosso meio. A Palavra tem sido mal pregada e mal exposta, inclusive no meio reformado. Há pouca oração verdadeira e tem faltado amor verdadeiro também. Nossos conceitos de justiça são mais seculares que bíblicos. Falta coragem pra confrontar os pecados em nosso meio.

Se o Brasil é impuro, talvez estejamos como o sal insípido, que só serve pra ser pisado pelos homens. Ore para que o arrependimento, a confissão e o choro comecem no meio da Igreja.

Jejue e ore. Os príncipes são nada diante de Cristo. Busque a bênção do Rei dos Reis.

Por Helder Nozima

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O comunismo, ou socialismo, é satânico por natureza

As expressões “comunismo” e “socialismo” recebem significados nem sempre muito precisos. Numa explicação bem resumida, daria para dizer que, segundo a teoria marxista, o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo. Este, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que substituiria o capitalismo, implicando o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado. “No socialismo, a sociedade controlaria a produção e a distribuição dos bens em sistema de igualdade e cooperação. Esse processo culminaria no comunismo, no qual todos os trabalhadores seriam os proprietários de seu trabalho e dos bens de produção”, diz a historiadora Cristina Meneguello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Portanto, o comunismo é uma ideologia política e socioeconômica, que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum dos meios de produção.

O comunismo já causou a morte de mais de 100 milhões pessoas através da fome, massacres políticos e genocídio. Criou sociedades em que o poder se concentra nas mãos de um pequeno grupo que escraviza nações inteiras e onde os campos de matança, gulags e campos de reeducação através do trabalho tornam-se parte da vida quotidiana.

Mas os fracassos econômicos, os assassinatos em massa e as nações escravas criadas pelo comunismo não são os maiores crimes desse sistema.

O maior crime do comunismo é a destruição da alma humana.

O objetivo-chave do comunismo é desmoralizar as sociedades: destruir a cultura, a religião e os valores básicos de qualquer sociedade em que ele toca.

Esse objetivo está claramente exposto no “Manifesto Comunista”, onde Karl Marx e Friedrich Engels escreveram em 1848 que o comunismo procura “abolir toda a religião e toda a moralidade”.

O mais assustador para uma pessoa é a destruição da fé, da crença e da moralidade. Na Bíblia, o Livro de Mateus estabelece: “E não temais aqueles que matam o corpo, mas a alma não podem matar; temais quem pode destruir a alma e o corpo no inferno”.

Temos visto repetidamente que o objetivo do comunismo é destruir a alma da Humanidade.

Quando a fome varreu a Rússia em 1921, depois que o ex-líder soviético Vladimir Lênin ordenou que fossem confiscadas todas as sementes dos camponeses, entre 5 e 10 milhões de pessoas morreram de inanição. Segundo o “Livro Negro do Comunismo,” a resposta de Lênin foi que a fome foi boa para o movimento comunista, porque “a fome destruiu a fé não somente no czar, mas também em Deus”.

Embora o comunismo use várias máscaras, e até tente convencer as pessoas de que suas intenções são boas, a influência de suas verdadeiras raízes sempre pode ser vista. E embora o comunismo pareça ser ateu, muitos de seus fundadores, incluindo Marx, não o eram. Eles tinham crenças satânicas.

O pregador romeno Richard Wurmbrand, que foi encarcerado sob um regime comunista, documentou muito desta história em seu livro “Marx e Satã”.

Um exemplo é Mikhail Bakunin, um dos sócios de Marx na Primeira Internacional, que escreveu: “O Mau é a revolta satânica contra a autoridade divina, revolta em que vemos o germe fecundo de todas as emancipações humanas, a revolução. Os socialistas se reconhecem mutuamente pelas palavras “em nome daquele que foi muito prejudicado”.

Ele também declarou: “Nesta revolução teremos que despertar o Diabo nas pessoas, para despertar as paixões mais baixas. Nossa missão é destruir, não construir”.

O satanismo de Marx é evidente em seus primeiros escritos. No poema “Invocação de um desesperado”, ele escreveu que “construiria [seu] trono nas alturas”, e continuou: “Em uma cimeira imensa e fria/por seu baluarte — supersticioso espanto,/Por seus agentes — a mais negra agonia./Quem olhar para ele com olhos sãos, retornará mudo, com palidez mortal;/ Nas garras da mortalidade cega e fria./Que sua felicidade prepare seu túmulo!”.

No poema de Marx “O violinista”, ele escreve: “Os vapores infernais sobem e enchem a mente/até que enlouqueço e meu coração está completamente mudado”, e “Você vê esta espada? O Príncipe das Trevas vendeu-o para mim”.

Em seu livro de 1968 “Marx”, o biógrafo Robert Payne escreveu que Marx “tinha uma visão do mundo como a do Diabo e a malignidade do Diabo. Às vezes, ele parecia saber que estava cumprindo o trabalho de maldade”.

Também podemos mostrar através dos principais dogmas do comunismo que ele é satânico por natureza. Isto remonta ao materialismo dialético, que Joseph Stalin descreveu em 1938 como “a perspectiva do partido marxista-leninista”.

O Satanismo trabalha invertendo valores dentro do sistema cristão. O materialismo dialético funciona invertendo os valores de todas as crenças tradicionais em todos os sistemas religiosos retos. Ele trabalha com três princípios para identificar, contradizer e eliminar o ponto médio. A inversão de qualquer valor tradicional se converte na agenda que impulsiona o comunismo e usa essas inversões das tradições e da moralidade para fazer a sociedade entrar em luta, de modo a usar esta luta para destruir os valores que existem dentro dessa sociedade.

O Papa Pio XI escreveu em 1937 que, sob esse sistema, o comunismo tenta “aguçar os antagonismos que surgem entre as várias classes da sociedade”. Usando isso, ele disse, os comunistas criam a luta de classes para criar ódio violento que possa impulsionar sua agenda sob a falsa bandeira de “progresso”.

O comunismo não é apenas um sistema político ou econômico. Suas formas existem dentro de muitos movimentos projetados para destruir nossos valores, nossas tradições e nossas crenças. É um espectro, como Marx descreveu, que visa destruir a Humanidade.
Pôster de propaganda russa do movimento anti-bolchevique de 1919 mostra os líderes comunistas Lênin, Trotsky, Kamenev, Radek, Sverdlov e Zinoviev sacrificando um personagem alegórico representando a Rússia para uma estátua de Karl Marx 

Por Joshua Philipp, Epoch Times

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Imunização cognitiva

Hoje é dia do Psicólogo. Parabéns! Segue um texto apropriado para esta época das eleições e interessantíssimo sobre psicologia das massas.

Os estudiosos explicam com a imunização cognitiva.

Cognitiva vem de cognição, que é o processo de aquisição do conhecimento, incluindo o pensar, a reflexão, a imaginação, a atenção, raciocínio, memória, juízo, o discurso, a percepção visual e auditiva, a aprendizagem, a consciência, as emoções. Envolve os processos mentais que influenciam o comportamento de cada indivíduo.

A imunização cognitiva é um escudo que permite que as pessoas se agarrem a valores e credos, mesmo que fatos objetivos demonstrem que eles não correspondem à verdade. A pessoa cognitivamente imunizada está no terreno da fé, que dispensa o raciocínio lógico. Para ela, argumentos lógicos não têm relevância.

E então assistimos gente com estudo, inteligente, articulada, que sabemos que não está tirando nenhum proveito material, defendendo em público o indefensável. Como é que essas pessoas chegam a esse ponto?

Bem, existem ao menos cinco fases no processo de imunização cognitiva.

Primeira fase: isolamento de quem tem opiniões contrárias, protegendo suas ideias. A pessoa vai eliminando de seu convívio ou mesmo de sua atenção, quem pensa diferente.

Segunda fase: redução da exposição às ideias contrárias. Passa a ler e ouvir apenas as opiniões em linha com seus credos. Nos estados totalitários, é quando a liberdade de expressão passa a ser ameaçada, quando a imprensa perde a liberdade, quando vozes dissidentes são caladas. É quando os processos educacionais adotam opiniões selecionadas, com autores e textos cuidadosamente escolhidos para seguir apenas uma visão de mundo.

Terceira fase: conexão dos credos a emoções poderosas. Se você não seguir aquelas ideias, algo de ruim vai acontecer. Lembra do "se você pecar, vai para o inferno"? Se você não votar naquele candidato, sua vida, suas economias, seus benefícios estarão em perigo...

Quarta fase: associação a grupos que trabalham para combater as ideias dos grupos contrários. Isso acontece não só em política, mas até mesmo na ciência, quando métodos de investigação científica focam nas fraquezas das teorias adversárias, ignorando os pontos fortes.

Quinta fase: a repetição. Repetição, repetição, repetição. Cria-se um tema, um slogan que materializa um determinado credo ou visão, que passa a ser repetido como um mantra, numa técnica de aprendizado. O grito "não vai ter golpe", por exemplo, não é uma criação espontânea, obra do acaso. É pensado, calculado. Sua repetição imuniza cognitivamente as pessoas contra os argumentos a favor do impeachment.

Os especialistas em psicologia das massas sabem que nossas mentes evoluíram muito mais para proteger nossos credos que para avaliar o que é verdade e o que é mentira. E os especialistas em comunicação constroem retóricas fantásticas, com intenção de desviar o tema principal e, especialmente, imunizar cognitivamente os soldados da causa.

E aí, meu caro, minha cara, não adianta mostrar o vídeo, o recibo, o cheque, o testemunho do caseiro, a ordem da transportadora, o grampo telefônico... O imunizado cognitivo está vacinado contra fatos objetivos.

Naturalmente esse "torpor cognitivo" não se restringe ao campo politico, social, econômico ou religioso. Ele perpassa todas as áreas da vida humana e faz, por exemplo, que uma pessoa acredite, mesmo contra a razão, que o Brasil é o melhor lugar do mundo, que o palmeiras é campeão mundial, que o capitalismo é o responsável por todos os males do mundo, que chá de boldo cura o câncer e por aí vai.

Tá explicado então? Se você está se sentindo entorpecido das ideias, incapaz de descer do muro, provavelmente alguém está lhe ministrando umas doses de imunizante cognitivo.

E você nem percebeu que está.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Teologia da libertação versus teologia bíblica



Libertação e justiça são temas populares na esfera pública. E os cristãos devem se interessar por tais temas. Nós fomos libertos e sabemos que Deus é justo.

Mas o que a Bíblia quer dizer ao falar sobre ser liberto? E sobre buscar a justiça?

Algumas vozes na igreja construíram paradigmas teológicos inteiros a partir desses temas, aplicando-os à sociedade como um todo. Considere afirmações como as seguintes:

[…] A única razão de ser [da teologia cristã] é apresentar em um discurso ordenado o significado da ação de Deus no mundo, para que a comunidade dos oprimidos reconheça que a sua sede inata por libertação não é apenas consistente com o evangelho, mas é o evangelho de Jesus Cristo.

A construção de uma sociedade justa tem valor em termos do Reino, ou, numa fraseologia mais comum, participar do processo de libertação já é, em certo sentido, uma obra salvífica.[1]

Essas assertivas foram feitas por James Cone e Gustavo Gutierrez, respectivamente. Ambos tiveram papéis influentes no desenvolvimento da chamada Teologia da Libertação na América do Norte e do Sul na segunda metade do século XX. A partir dos conceitos sociais de raça e classe, Cone e Gutierrez construíram sistemas teológicos que seriam, ao fim, adotados por cristãos protestantes na América do Norte, predominantemente em igrejas afro-americanas, e segmentos da Igreja Católica na América Latina.

Para avaliar e responder a propostas como essas, os pastores precisam da teologia bíblica.

Afinal, a teologia da libertação se estendeu hoje de modo a servir a uma miríade de outras causas – do feminismo à homossexualidade e ao ambientalismo. O objetivo deste artigo não é discutir essas ramificações contemporâneas, mas colocar uma teologia bíblica evangélica em diálogo com a teologia da libertação, como um estudo de caso para aprendermos como a teologia bíblica protege e fortalece as igrejas na sã doutrina.

O que a teologia bíblica tem a dizer…

Em um sentido genérico, teologia bíblica é simplesmente teologia derivada da Bíblia. E, embora esse compromisso certamente seja necessário para se chegar à verdade sobre Deus, muitas molduras teológicas – inclusive a teologia da libertação – reivindicam procedência bíblica.

Contudo, o termo “teologia bíblica” também se refere a um modo de interpretar a Bíblia, isto é, um modo que ajuda a compreender as narrativas menores as quais, juntas, compõem uma narrativa bíblica total. Ele se preocupa tanto com a grande imagem quanto com os seus pixels, em especial como os autores bíblicos entendiam os detalhes desses pixels à luz da grande imagem como um todo.

Então o que a teologia bíblica tem a dizer em resposta às reivindicações e objetivos da teologia da libertação? Eu posso pensar em cinco tópicos que a teologia bíblica desejaria abordar:

Sobre a opressão sistêmica: os contextos da teologia da libertação

Primeiro, a teologia bíblica expressará uma compreensão empática dos contextos sociais e políticos nos quais a teologia da libertação emergiu nas Américas. Indivíduos como Cone e Gutierrez estavam buscando, desesperadamente, demonstrar a relevância da Bíblia em meio a horrendas realidades sociais e econômicas. Poucos evangélicos na época estavam interessados em abordar tais coisas e muitos impediram progresso naquelas áreas.

A natureza corrosiva do racismo de Jim Crow no sul dos Estados Unidos e as realidades devastadoras da pobreza crônica na América Latina levaram pensadores teológicos a forjar um sistema que fosse tanto profético como público. Infelizmente, à medida que certas questões foram trazidas para o centro, o essencial foi empurrado para as margens.

A teologia bíblica não apenas nos chama a reconhecer esses contextos, mas também nos ajuda a examiná-las de maneira correta. Todas as injustiças no mundo apontam de volta para a queda e para a rebelião fundamental do homem contra Deus. Por exemplo, racistas são racistas porque são rebeldes contra Deus. E, ao apontar para a verdadeira origem do racismo, a teologia bíblica pode então seguir o rastro do enredo bíblico até descobrirmos que a cura definitiva está na pessoa e obra de Jesus Cristo. Apenas os cristãos têm a única mensagem apta a reconciliar racistas e outros rebeldes com um santo e justo Deus.

A missão da igreja local, sem dúvida, é entregar e espalhar essa mensagem evangélica.

Sobre o pecado: o réu da teologia da libertação

A teologia da libertação descreve o pecado não em termos de uma rebelião individual contra um santo e justo Deus, mas em termos de injustiça estrutural e coletiva. E negligenciar completamente os pecados do indivíduo é um erro. Por outro lado, pode-se fechar os olhos para as evidências da queda estrutural ao mesmo tempo em que se reconhece a pecaminosidade dos indivíduos que habitam essas estruturas.

A teologia bíblica encoraja o equilíbrio. O enredo da Escritura situa a origem do pecado no coração humano individual, de tal modo que Paulo pode concluir: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Mas, tão logo indivíduos caídos começam a construir civilizações, sua condição caída se concretizará nas instituições que governam a sociedade, do juramento de Lameque à decisão coletiva de construir Babel, às balanças enganosas e aos decretos iníquos (Gênesis 4.24; 11.4; Deuteronômio 16.19-20; Provérbios 16.11; Isaías 10.1-2). Uma lei ou prática injusta, em outras palavras, é uma injustiça institucionalizada ou estrutural.

Além disso, o enredo do Israel pré-exílico nos apresenta não apenas uma narrativa de atos pecaminosos discretos, mas da corrupção infecciosa de uma nação inteira, em parte devida às injustiças de seus reis e sacerdotes, cujos pecados manifestavam-se não apenas individualmente, mas institucional e estruturalmente – em tudo, desde os seus tratados com potências estrangeiras à prática do suborno e à exploração do órfão e da viúva.

Assim, falar da obra de Cristo ao cumprir a lei e os profetas é falar não apenas de uma lavagem e purificação individuais, mas de uma lavagem e purificação institucional e estrutural. Ele não é apenas o indivíduo justo; ele é o verdadeiro templo. Ele não apenas guardou o sábado; ele é o Senhor do Sábado. Ele não é apenas um novo Adão; ele é um novo reino e nação e governo.

Os cristãos, que se submetem ao governo de Cristo, deveriam, portanto, estar entre os primeiros a reconhecer não apenas a prevalência do pecado individual, mas do pecado institucional e corporativo. Ao considerarem a governança de Cristo, eles estão treinados para discernir a natureza de um governo verdadeiramente justo. Embora grandes falhas marquem o registro histórico nesse particular, indivíduos cristãos deveriam lutar para liderar o caminho não apenas de oposição a atos individuais de injustiça, mas às injustiças institucionais. Nós devemos servir como sal e luz em um mundo tenebroso. Ainda assim, a teologia bíblica compreende que este mundo continuará a falhar em refletir a glória de Deus, exatamente porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus.

Ademais, na teologia da libertação, o pecado é descrito dentro do binário oprimido/opressor. Não há espaço para debruçar-se sobre normas universais de comportamento ético. Além disso, parece que aqueles que constituem a comunidade dos oprimidos são até mesmo incapazes de cometer pecado.

Aqui, a teologia bíblica novamente enfatizaria a universalidade do pecado (Romanos 3.23; 5.12). Toda a humanidade, tanto os opressores quanto os oprimidos, é culpada de pecado. Essa culpa e corrupção herdadas têm sua gênese no Jardim, no qual tanto a inocência como o paraíso são perdidos por causa da desobediência idólatra (Gênesis 3.7, 23).

Isso significa que, dentro do enredo bíblico, até mesmo aqueles considerados vítimas são também vilões que necessitam desesperadamente da graça salvadora.

A Bíblia não conta uma história de mocinhos contra bandidos. Em vez disso, ela conta a história de um único que é bom, o qual sofre em lugar de um povo que é mau e em favor desse povo adquire o bem (2 Coríntios 5.21). O conflito humano procede da quebra da comunhão com Deus, da qual toda a humanidade padece. Qualquer teologia que rejeite este fato pode apenas enganosamente ser chamada “da libertação”, uma vez que ela confina seus aderentes à perpétua escravidão e, talvez, à condenação eterna.

Sobre a vitimização como lente interpretativa: a hermenêutica da teologia da libertação

A teologia da libertação ensina que a Bíblia deve ser interpretada sob a perspectiva do pobre e do oprimido. Ela faz isso a fim de evitar mais injustiças e de trazer à luz os sofrimentos das vítimas sociais. De fato, ela afirma que a Bíblia existe para revelar Deus como o libertador das vítimas oprimidas. Essa libertação é, de muitas maneiras, vista como a essência da mensagem da salvação.

Mas deveríamos nós utilizar a comunidade dos oprimidos ou os pobres como a lente interpretativa por meio da qual lemos a Bíblia? Uma teologia bíblica correta defende que a Bíblia não é sobre o homem, mas sobre o Deus-homem, Jesus Cristo. A pessoa e obra de Cristo é o ápice da história da redenção. Ele é o objeto último e o consumador da fé que justifica. Lembre-se de que Jesus colocou a si mesmo no centro da narrativa do Antigo Testamento (Lucas 24.27). Assim, uma hermenêutica centrada em Cristo é o princípio para abrir o significado das Escrituras.

Essa convicção nos ajuda a nos concentrarmos no conteúdo do grande drama bíblico. É a história da história dele, movendo da criação à queda, à redenção, à consumação. A Bíblia conta a história de um Deus que planejou, da eternidade passada, assegurar a salvação de um povo pecador ao enviar e sacrificar o seu Filho.

Sobre a narrativa do êxodo: o tema dominante da teologia da libertação

Para a teologia da libertação, especialmente a teologia da libertação negra, o relato do Êxodo é o tema central em torno do qual a teologia se orienta. O ato de Deus libertar o seu povo da escravidão egípcia estabelece as expectativas e a agenda atual da teologia da libertação.

Aplicar a história de resgate do Êxodo ao mundo temporal das nações e da política não começou no meio do século XX. Escravos negros americanos nos séculos XVIII e XIX foram atraídos para a narrativa do Êxodo, uma vez que ela refletia sua condição. A narrativa servia como uma prova positiva de que Deus era capaz de e desejava resgatar um novo Israel (escravos negros) de um novo Egito (América). Olhando mais além, os puritanos do século XVII que atravessaram o Atlântico consideravam estar deixando um Egito (Inglaterra) em missão divina, embarcando no que um historiador chamou “uma peregrinação pelo deserto”. Não obstante, a teologia da libertação moderna foi a primeira a tomar essa narrativa e aplicá-la como normativa às comunidades oprimidas.

A teologia bíblica expõe diversos problemas com essa pressuposição prescritiva. Primeiro, ela ignora o fato de que as pragas culminam na morte dos primogênitos e na Páscoa, um ato de julgamento que caía tanto sobre os descendentes de Abraão quanto sobre o resto do Egito. Os descendentes de Abraão, contudo, tinham um modo de escapar por meio de um sacrifício substitutivo. Os Evangelhos, depois, caracterizam Cristo como o nosso Cordeiro Pascal (por exemplo, João 1.29). Não seria correto dizer, portanto, que o caminho do nosso êxodo é por meio do sacrifício expiatório desse Cordeiro Pascal, em vez de, por exemplo, por meio da modificação de leis injustas?

Segundo, a teologia da libertação falha em reconhecer – ou, pelo menos, parece menosprezar – a realidade pactual em que o Êxodo se expressa. O Êxodo não foi um evento meramente político e socioeconômico. Em vez disso, Deus estava mantendo uma promessa pactual ao reunir para si mesmo um povo pactual: “Tomar-vos-ei por meu povo [israelitas] e serei vosso Deus” (Êxodo 6.7). A Antiga Aliança, então, foi cumprida na Nova. E em nenhum lugar Jesus faz uma nova aliança no seu sangue com os puritanos. Ou com os escravos negros. Ou com os excluídos da América do Sul. Em vez disso, ele oferece uma nova aliança por todos aqueles que se arrependem e crêem em sua obra pactual realizada.

Terceiro, a teologia da libertação falha em considerar o objetivo do evento do Êxodo. Deus diz a Faraó: “Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto” (Êxodo 7.16, ênfase acrescida). O objetivo não era, em última instância, a libertação política ou econômica, mas ajuntar um povo governado por Deus, obediente e adorador. E, contudo, nós sabemos que os israelitas acabaram por fracassar em submeter-se ao governo de Deus, fracassaram em adorar e fracassaram em obedecer. Embora eles tenham sido resgatados da escravidão física, permanecem em escravidão espiritual. A teologia da libertação, portanto, põe a sua esperança num Êxodo que, literalmente, não liberta e jamais libertou.

Felizmente, o tema do Êxodo não está confinado ao Pentateuco; ele está presente em toda a Bíblia. A desobediência pecaminosa de Israel culmina com os cativeiros assírio e babilônico nos séculos VIII e VI a.C., respectivamente. Antes desses cativeiros, os profetas Isaías e Jeremias falaram de um novo Êxodo, um que iria ofuscar o primeiro. Segundo esses profetas, este Êxodo, quando plenamente realizado, não apenas incluiria o retorno dos exilados, mas, e mais importante, a libertação espiritual.

Assim, o grande descuido da teologia da libertação no que se refere à narrativa do Êxodo é que ela falha em tratar o evento do Êxodo como uma sombra da libertação que Cristo traz. À medida que a Bíblia se descortina e a Nova Aliança é estabelecida, Cristo é retratado como um superior Cordeiro pascal (1 Coríntios 5.7), como um superior Moisés (Hebreus 3.1-6) e como o verdadeiro Israel (Oséias 11.1; Mateus 2.15). Colocando de modo simples, o Êxodo é, em sua plena expressão, a salvação eterna do pecado e da condenação, salvação que só se pode encontrar em Cristo. Um novo povo de Deus está sendo moldado segundo a sua justiça, não segundo uma identidade étnica ou uma condição social.

Sobre o fim dos tempos: o erro escatológico da teologia da libertação

É difícil discernir o que a teologia da libertação ensina sobre o fim dos tempos. O modo como Deus levará este mundo ao seu fim apropriado não constitui uma preocupação imediata dos teólogos da libertação. Além disso, a realidade de uma vida por vir é raramente discutida. O que importa é o aqui e o agora e como a opressão, a pobreza e a injustiça podem ser erradicadas hoje. Ela sustenta que uma teologia preocupada com um mundo superior e por vir paralisa as comunidades oprimidas e justifica o status quo. Portanto, a teologia da libertação busca desiludir as pessoas de suas expectativas futuras e encorajá-las a buscar essas esperanças futuras agora.

Embora perigosamente desorientada, há algo de valor a se reconhecer aqui. A teologia da libertação oferece uma crítica justa a alguns na comunidade evangélica, ao expor o que pode apenas ser considerada uma indiferença para com a injustiça social, ainda que escondida sob uma doutrina ortodoxa.

Não obstante, o corretivo que a teologia bíblica oferece é de imensa importância: ela afirma a ressurreição final e a nova criação por vir. O testemunho bíblico está cheio de um constante refrão da esperança eterna. As alianças bíblicas culminam na nova aliança em Cristo, marcada pelo selo da habitação do Espírito – o literal penhor da prometida herança a se receber (Efésios 1.14). E, contrário ao que a teologia da libertação sugere, a esperança dessa herança encoraja tanto a paciência que reflete a Cristo (2 Coríntios 4.17-18; 1 Pedro 2.21-23) como os esforços que exaltam a Cristo (1 Coríntios 15.58).

A teologia bíblica expõe o fato de que a teologia da libertação não apenas tem uma escatologia excessivamente realizada, mas se engana completamente acerca do fim dos tempos. O objetivo último do drama bíblico da redenção não é fazer com que o homem habite com o homem em harmonia e igualdade. O objetivo do drama se realizará e se expressará na exclamação desta grande voz: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles.” (Apocalipse 21.3). Infelizmente, a libertação que importa não pode ser encontrada na teologia da libertação.


Notas:
[1] As citações no início deste artigo – assim como os ensinamentos em geral do sistema teológico criticado – foram respectivamente extraídas de James H. Cone, A Black Theology of Liberation, Fortieth Anniversary Edition (New York: Orbis Books, 2010) [N.T.: Sem tradução em português] e Gustavo Gutierrez, A Theology of Liberation, 15th Anniversary Edition (New York: Orbis Books, 1988) [N.T.: Publicado em português sob o título Teologia da libertação: perspectivas (São Paulo: Edições Loyola, 2000)].

Por: Steven Harris. © 2014 9Marks. Original: Biblical Theology and Liberation.
Este artigo faz parte do 9Marks Journal.
Tradução: Vinícius Silva Pimentel. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Teologia Bíblica e Teologia da Libertação.