segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Evidência da salvação

“Se você disser com a sua boca: "Jesus é Senhor" e no seu coração crer que Deus ressuscitou Jesus, você será salvo. Porque nós cremos com o coração e somos aceitos por Deus; falamos com a boca e assim somos salvos” (Romanos 10:9-10)

Para evangelizarmos segundo o texto acima, em primeiro lugar devemos dizer algo sobre o coração da pessoa. Ele representa o centro, a essência do que é um homem. É a sede de seu intelecto, mente, emoções e vontade. Portanto, é absurdo pensar que um homem pode crer em Cristo com seu coração e que isso não tenha um efeito radical sobre o resto de sua vida.

Vamos analisar a linguagem: “Você gostaria de receber a Jesus em seu coração?” O que significa isso? Alguma vez você pensou sobre isso? A Bíblia diz: “Crer em seu coração”. Mas nós transformamos em: “Você gostaria de pedir que Ele entre em seu coração?” Crer com o coração significa crer com o núcleo, com a verdadeira essência de quem você é. Não quer dizer que você vai abrir uma câmara secreta e pedir que Ele entre.

O testemunho da Escritura e a interpretação de todos os eruditos evangélicos afirma que somos salvos somente pela fé; então, porque Paulo parece abraçar a confissão como um requisito para a conversão genuína? Vamos ler o texto novamente em outra tradução. “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. Paulo, através de todo o livro de Romanos, escreveu: “Salvação é somente pela fé”. Então porque agora está acrescentando a confissão? Paulo não está contradizendo a doutrina da salvação somente pela fé, mas está ensinando que nossa confissão pública do Senhorio de Jesus Cristo é a evidência de crer no coração. Se alguém é verdadeiramente convertido, ele confessará publicamente a Cristo em palavras e em obras. Isso não significa o mesmo que apresentar-se diante da igreja na noite de sua suposta conversão. Se alguém realmente é convertido, vai confessar publicamente a Cristo em palavras e em obras.

Porque eu acrescento “em palavras e em obras”? Porque Mateus 7:21 diz: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus” “Nem todo que me confessa como Senhor, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. Ora, eu não estou dizendo que somos salvos pela fé nas obras; de maneira nenhuma. Eu sou um pregador da Graça. O que estou dizendo é que a salvação envolve uma doutrina perdida chamada “Regeneração”. E que, quando um Deus salva um homem, Ele está regenerando seu coração, convertendo-o em uma nova criatura, e a evidência é esta: você viverá como uma nova criatura. E ele confessará a Cristo, isto é, o homem que verdadeiramente tem crido em seu coração, terá sua vida marcada pela confissão bíblica de Cristo em palavras e em obras. Você poderá ver, escutar de sua boca e ver na sua vida, que sua fé é uma genuína fé salvadora.

Agora, vejamos isso de uma perspectiva cultural. Digamos que somos uma igreja de 20 pessoas, Século I, no Império Romano. Você sabe, pela Epístola aos Romanos, que estão matando alguns desses Cristãos. Estão morrendo como ovelhas. Agora bem, digamos que existem 20 de nós e estamos trabalhando em uma construção. Estamos trabalhando em uma espécie de edifício em Roma, uma construção. Tudo está calmo, nenhum problema está acontecendo. Um dia bonito, é a hora do almoço, estamos descansando, é primavera, estamos deitados na grama, passando muito bem, descansando... E de repente escutamos barulho de passos. Escutamos tambores, levantamos e vemos soldados carregando um pequeno altar, e sobre esse altar há uma pequena vasilha com incenso e um pequeno fogo em cima, e nós ficamos aterrorizados. Enquanto todos os homens da construção se põem de pé, a maioria deles não crentes — e ali estamos, uma pequena igreja no meio deles — os soldados nos reúnem e nos dizem: “Aproximem-se. Deem honra a César”. Então o primeiro homem, um não crente, se aproxima, toma um pouco de incenso, joga-o no fogo e diz: “César é Senhor”. Ele se retira feliz como sempre, e em seguida outro, e em seguida outro, e finalmente ele vem ao primeiro de nós, os Cristãos. Um de nós se aproxima, o soldado o cutuca com a lança: “Dê honras a César”. “lesous estin kyrios”. “Jesus é Senhor”, e morre. E o próximo dos nossos: “Jesus é Senhor”, e morre. E assim sucessivamente.

E nós temos levado a verdade que Paulo nos está ensinando aqui, de que se você verdadeiramente crê, vai confessar a Cristo mesmo que custe a sua vida, nós temos tomado essa linda verdade e a temos reduzido a isto: se você repete uma oração em frente a um monte de gente em uma igreja na América, isso garante que você é salvo, se você acha que foi sincero. Isso não é o que ele está dizendo! Outra vez, no momento em que uma pessoa invoca o Senhor com fé, ela é salva. Mas, a evidência de salvação não é que uma vez na vida dela ela foi sincera em fazer uma oração. A evidência de sua salvação é: existe um arrependimento genuíno? Existe fé? Além disso, essas duas graças evangélicas continuam em sua vida e estão crescendo? Em outras palavras, a evidência da justificação pela fé é a obra contínua de santificação pelo Espírito Santo.

Por Paul David Washer

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

As nossas pregações

“O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade. Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente” (Êxodo 34:6-7)

Ao evangelizamos alguém, em vez de repetir o mantra moderno que existe hoje nas igrejas evangélicas “Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida”, devemos dizer quem é Deus. Devemos dizer que Ele é o Criador, o Sustentador e o Senhor de todas as coisas, e Ele é digno de sua honra e sua obediência. É isso que devemos dizer a quem evangelizamos.

O livro de Êxodo proclama muito bem quem é Deus. Conforme o verso acima, ali está uma das revelações mais grandiosas de Deus no Velho Testamento. Moisés se esconde na fenda de uma rocha, e Deus proclama Sua glória a Moisés. Agora, vejam a resposta de Moisés: “E Moisés apressou-se, e inclinou a cabeça à terra, adorou” (Êxodo 34:8). Então, em vez de dizer: “Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida”, diga a eles quem Deus é. Porque se você lhes dê um deus feito à sua própria imagem, garanto que eles irão aceitá-lo, mas não será o Deus que salva. Diga a eles quem Deus é, exalte a Deus diante deles e diga-lhes que tudo em suas vidas tem que inclinar-se ante a Sua vontade. Ele não é como vocês. Arrependa-se e creia.

As nossas pregações estimulam os homens por aquilo que Deus pode fazer por eles aqui na terra, ou por quem Deus é? Observem bem a seguinte pergunta: “Você sabe que é um pecador?” Meus queridos amigos, a pergunta não é se vocês sabem que são pecadores. A pergunta é: Enquanto você me ouve pregar o Evangelho, Deus tem trabalhado de tal maneira em sua vida que o pecado que você antes amava agora odeia? Vão até o Diabo e perguntem se ele sabe que é um pecador. Ele vai dizer: “Sim, sim eu sou e, de fato, sou um pecador muito bom”. Alguém diz: “Sim, eu sou pecador”. Eles sabem o que isso significa? É como quando alguém diz: “Eu aceitei a Deus”, porém, quando você começa a escutar a sua definição do deus que ele aceitou, você percebe que não é o Deus da Bíblia! Da mesma maneira, quando uma pessoa diz: “Eu sou um pecador”, isso pode significar qualquer coisa! Por exemplo: “Eu não tenho suficiente amor por mim mesmo”. Você deve usar as Escrituras. O Espírito Santo, usando a espada para penetrar em seus corações, lhes demonstrará o que realmente é ser um pecador.

Eu estava pregando anos atrás e havia um grupo de conselheiros fazendo um treinamento. Havia uma mulher que dirigia o grupo. E ela não gostava muito de mim. Então, uma noite, eu estava pregando e começou a haver um mover de Deus; as pessoas do lado esquerdo começaram a chorar, e começaram a atravessar o auditório. As pessoas estavam chorando, algumas quase em convulsão. Eu não tinha sequer terminado o sermão e uma garota correu e ficou deitada, atravessada nos degraus, e depois outra pessoa, e começaram a chorar. Eu levantei a vista para onde estavam os conselheiros e a líder me olhou assim como se não soubesse o que fazer, e eu sinalizei que não fizesse nada. Eu continuei pregando e, quando finalmente terminei de pregar, ela deu um passo adiante e me dei conta de que ela iria interferir, então desci até ela e parei ao seu lado, e ela queria que eu agisse. E eu sinalizei que não. Então, finalmente, ela me olhou e deu um passo adiante, mas eu pus minha mão sobre seu ombro e lhe disse: “Irmã, não toque na arca de Deus. É o Deus de Israel que está ferindo estas pessoas com respeito aos seus pecados! Não conforte a alma que Deus está quebrantando! Deixe-os a sós com Deus!”

Como podemos ver, a pergunta não é simplesmente: “Você sabe que é um pecador?”, mas é: “Meu querido amigo, você sabe o que isso significa?”, “Deus tem começado a trabalhar em seu coração de tal maneira que você está começando a ver o pecado como Deus o vê?”, “Há sementes de uma atitude, de uma atitude divina de odiar o pecado como Deus o odeia?”, “O orgulho que você tinha do pecado tem agora se convertido em vergonha?”, “Deus está fazendo algo?” Essas devem ser as perguntas.

Por Paul David Washer

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O autêntico convite bíblico

“Ele (Jesus) dizia: - Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho” (Marcos 1:15)

A convenção de uma denominação evangélica que conheço chegou à conclusão de que 60% de todos os seus convertidos nunca frequentaram a igreja. E a sua resposta a enfermidade foi: “Temos que fazer um melhor trabalho no discipulado”. Não! As ovelhas de Jesus ouvem a sua voz e elas O seguem, quer você as discipule, quer não! (João 10:3) Nós devemos discipular? Sim, devemos discipular.

Nos anos 70, o discipulado pessoal começou a ser importante. “Nós temos a mesma quantidade de gente saindo pela porta traseira da igreja, como de gente entrando pela porta principal, porque não estamos fazendo discipulado pessoal”. Digo que não! É porque não estamos pregando o Evangelho corretamente e porque estamos declarando as pessoas convertidas, sem na verdade serem, e “saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (1 João 2:19).

Você precisa entender isto. Nós lidamos 5 minutos com uma pessoa em sua conversão e então gastamos 50 anos discipulando um bode tentando torná-lo uma ovelha! Não estou dizendo isso porque eu sou uma pessoa nervosa. Estou dizendo isso porque estou nervoso, porque inúmeras pessoas estão sendo enganadas. O problema não são os políticos liberais, mas sim os pregadores evangélicos. Se as pessoas são alguma vez desafiadas quanto à sua conversão, por sua falta de fruto, ou por sua carnalidade excessiva, elas defendem sua esperança de salvação, mais uma vez afirmando a sinceridade da sua oração e a confirmação de seus líderes religiosos. Se algum aconselhamento é feito, a pessoa é geralmente admoestada a abandonar a sua apostasia e começar a servir o Senhor novamente. Contudo, a validade da sua conversão nunca é examinada ou mesmo questionada.

Tantas pessoas enganadas! Por exemplo: evangelismo de crianças. Não deixaria o meu filho ir a 98% das escolas bíblicas de férias neste país e direi por quê. Um grupo de crianças entra e contam-lhes lindas histórias sobre Jesus, e então: “Quantos de vocês amam a Jesus?” Digo, exceto pelo menino de jaqueta de couro com símbolos satânicos desenhados nas suas costas, todas as demais crianças na sala vão levantar-se e dizer: “Eu amo a Jesus!”. “Bem, quantos de vocês querem ir para o céu?”, “Oh, eu quero!” “Quantos de vocês querem fazer esta oração?”, “Eu vou!”. E logo marcham rumo ao Batismo, e muitas vezes o batistério está decorado como se fosse uma festa feliz, como desenhos, para que elas realmente o desfrutem. Então, quando elas são suficientemente grandes para serem rebeldes aos seus pais, elas se rebelam e passam a viver em grande imoralidade e pecado. Depois, quando têm 25 a 30 anos, depois da faculdade, elas decidem que necessitam consertar as coisas, porque a moralidade é realmente um caminho melhor a seguir, então elas “re-dedicam” suas vidas, e continuam frequentando os cultos uma vez por semana, tendo apenas uma moralidade suficiente para anuviar suas consciências e para mandá-los direto para o inferno. Isso é o que está acontecendo.

E quando o Joãozinho começa a sair do caminho, dormir com sua namorada, usar drogas, vender drogas, e tudo o mais, sua mãe, seu pai e seu pastor vão até ele e dizem: “Você é um Cristão, tem que deixar de viver desse jeito”. Em vez de dizerem isto: “Você fez uma profissão de fé em Cristo, foi batizado em Seu nome, e por um tempo pareceu que você caminhava com Ele, mas agora você está desviado da fé, e tem demonstrado que provavelmente nunca O conheceu e que está reprovado desde o princípio. Arrependa-se e creia no Evangelho! Fuja da ira vindoura!”. Essa é a diferença! 

Por Paul David Washer

 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Um convite sincero

“Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos” (Apocalipse 3:20)

Os convites para homens virem a Cristo mais proeminentes na América são estes: “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”. “Você sabe que é um pecador?”, “Você quer ir para o céu?”, “Você quer orar e pedir para que Jesus entre em seu coração?”, “Ele entrou em seu coração quando você orou?”, “Você foi sincero?”, “Agora você é um Cristão. Bem-vindo à família de Deus!”.

Eu digo que isso é como um bezerro sagrado, um bezerro de ouro, e, na comunidade evangélica de hoje, eu sou mais atacado por isso do que por qualquer outra coisa. Mas, eu lhes asseguro: isso não é linguagem bíblica e não se encontra na maior parte da história Cristã. Este método sem o qual não conseguimos evangelizar não é nem bíblico nem histórico, e tem exatamente nos conduzido àquilo de que tanto nos queixamos.

A maior parte dos Estados Unidos da América se declara “nascida de novo” e não o é. O maior campo de evangelismo atualmente encontra-se nos edifícios da igreja. Não quero dizer que se encontra nas igrejas — porque todos na igreja são verdadeiramente convertidos — mas nos edifícios das igrejas. Você diz: “Oh, nós temos muitas igrejas, irmão Paul”. Não! Nós temos um grupo enorme de lindos edifícios de tijolos com belos jardins, mas a glória de Deus se tem apartado deles e o nome “Icabode” será escrito na fachada de suas portas.

Vejamos este convite: “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”. Muitas vezes, isso vem acompanhado por uma explicação de tudo o que Jesus pode fazer pela pessoa. Consertar sua vida, seu matrimônio, suas finanças, sua autoestima. Mas, considere tudo o que nós conhecemos sobre o pecador: é egocêntrico, independente, quer fazer sua própria vontade, quer realizar seus próprios sonhos, e está apaixonado por si mesmo. Então, você chega até este homem e diz: “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”. E ele diz: “O quê? Deus me ama?! Isso é fantástico! Eu também me amo! Que bom, isso é maravilhoso! E você ainda está dizendo que Ele me ama mais do que eu me amo? Bem, isso soa impossível. Como pode ser que alguém tenha um amor tão grande assim? E Deus tem um plano maravilhoso para minha vida!? Oh! Eu também tenho um plano maravilhoso para minha vida também! E você está me dizendo que, se eu aceitar esse Jesus, Ele vai me ajudar com todos os meus planos maravilhosos e eu posso ter ‘Minha Melhor Vida Agora’”?! “Sim!”. “Bem, então eu aceitarei a um deus assim! Você tem mais dois desses?”

Você enxerga isso? Eles dizem: “Irmão Paul, não é isso o que queremos dizer”. Mas é assim que se entende. Dizem-me: “Paul, você é muito duro. Cheio de sarcasmo”. Sim, eu sou. Mas, veja, todos estão lamentando o fato de que este país crê que é salvo quando não é mais salvo do que... Ele está perdido — como dizem no Alabama — como uma bola em grama alta. Mas, ninguém quer dizer qual é o problema, e o problema é que, ainda que preguemos o Evangelho corretamente, usamos este método de convidar os homens que não é nem bíblico e nem histórico! Fazemos com que pulem alguns degraus evangélicos, e digam “Sim” às perguntas apropriadas, e, logo de forma papal, os declaramos salvos! E, quando creem nessa mentira religiosa, dada por uma autoridade religiosa, se alguém vem depois e tenta pregar o Evangelho a eles — porque estão vivendo no mundo —, eles não escutarão, porque a mentira religiosa tem muito poder.

Então, a pergunta seguinte: “Você sabe que é um pecador?” E, muitas vezes, essa pergunta não é feita com muita seriedade. É mais ou menos como: “Ouça, você sabe que todos nós somos pecadores, não é?” E se a pessoa diz: “Sim, eu sei que sou um pecador”. A pergunta seguinte é: “Você quer ir para o céu?”, “Sim, sim eu quero!”. “Então, gostaria de orar e pedir a Jesus que entre em seu coração? Só levará 5 minutos”. “Somente 5 minutos?”, “Sim”. Porque a Bíblia diz: “mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (João 1:12). “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10:9). “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3:20). “Então, você gostaria de receber a Jesus? Porque é isso o que diz a Bíblia”. “Só vai levar 5 minutos?” — Só 5 minutos, claro! Então, em seguida, geralmente depois que uma pessoa ora ou é guiada em uma oração pelo evangelista, lhe é assegurado que, se foi sincera, Jesus entrou definitivamente em seu coração, porque Ele prometeu que o faria e, se não entrou, Ele é um mentiroso, já que ela foi sincera.

Quantas pessoas que você conhece, creem que vão para o céu, não porque confiam muito em Cristo, mas sim no grau de sinceridade que tiveram na decisão que tomaram há muito tempo? Muitas vezes, depois de uns poucos minutos de aconselhamento, eles são imediatamente apresentados diante da igreja, e receberam as boas vindas dentro da família de Deus — Estou equivocado? — Vão à frente, já vi isto muitas vezes, são levados a um conselheiro que foi treinado em uma forma de aconselhamento compacto, falam com eles de 5 a 10 minutos enquanto seguem com o apelo, e são imediatamente apresentados diante da igreja: “nosso novo irmão ou irmã em Cristo”. E essa é a última vez que a maioria deles vai receber aconselhamento sobre sua conversão em toda sua vida.

E depois, o que acontece? Se eles nunca cresceram, ou se eles duvidarem de sua salvação, são levados outras vezes àquele dia no qual oraram e são indagados acerca da sinceridade da sua decisão. Se, em algum momento, eles vão de novo ao pastor duvidando de sua salvação, ele os levará de novo àquele dia e lhe dirá: “Bem, alguma vez você orou e pediu para Jesus entrar no teu coração?”, “Sim”. “Você foi sincero?”, “Creio que sim”, “Então, é só o Diabo que está tentando-o”. Se eles nunca crescerem nas coisas de Deus, a falta de crescimento é atribuída à falta de discipulado ou à doutrina do cristão carnal.

No próximo texto vou dizer porque o convite bíblico correto é este: “Ele [Jesus] dizia: - Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho” (Marcos 1:15)

Por Paul David Washer

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Evangelismo bem-sucedido

“Veio sobre mim a mão do Senhor, e ele me fez sair no Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos. E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor. Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo” (Ezequiel 37:1-10)

Eu acabei de descrever a conversão dos homens.

Quando vamos pregar, como lemos no texto, sempre somos como um Ezequiel, e sempre estamos parados em um vale de ossos secos. E, observem, eles estão muito secos. Ora, certamente, nos tempos de Ezequiel não havia nenhuma técnica para trazer vida a ossos sem vida. A medula estava completamente seca, fora dos esqueletos. Não era mais do que poeira! Não havia nenhuma técnica, não havia persuasão, não havia poder, não havia nada, humanamente falando, que se pudesse fazer para trazer esses ossos à vida. Isso é evangelismo, e você faria bem em aprendê-lo agora.

Os homens estão mortos em seus delitos e pecados. Eles não somente estão mortos, mas estão na escravidão do pecado. A vida que eles têm é uma vida apenas para seguir ao príncipe deste mundo. Aborrecem a Deus; são inimigos de Deus; estão cegos. Fazem tudo em seu poder para restringir e limitar cada traço de conhecimento que têm sobre Deus. Trabalham com todas as suas forças para endurecer sua consciência para que ela não lhes fale. Preferem sofrer no inferno do diabo por toda a eternidade a dobrar os seus joelhos e se arrepender e crer em seu Deus. Vá e tente aprender alguma técnica evangelística para trazê-los à vida; faça intermináveis chamadas ao altar para que eles repitam uma oração; conte todo tipo de histórias sentimentais; manipule suas paixões, suas emoções e a única coisa que vocês vão obter é um grupo de pessoas que são duas vezes mais filhas do inferno.

A igreja na América hoje se parece com um parque de diversões de Jesus, porque se você atrai pessoas usando métodos carnais, terá que manter essas pessoas usando métodos carnais.

Para que os homens sejam salvos há somente uma forma, e é que um homem como Ezequiel pare no meio desse vale, e pregue a única mensagem que Deus prometeu abençoar: o Evangelho de Jesus Cristo! Quando estamos procurando missionários, ou quando estamos entrevistando candidatos, só queremos uma coisa: um homem que saiba que o ministério é uma impossibilidade; que os homens não podem ser convertidos mais do que os mortos podem ser ressuscitados, ou mais do que mundos podem ser trazidos à existência do nada. Um homem que entende que tem apenas algumas poucas armas de guerra, mas que são poderosas: a pregação do Evangelho, oração intercessora, e amor sacrificial e abnegado. Dê-me homens e mulheres como estes, e veremos o Evangelho avançar neste mundo. Porém, quanto mais você depender de armas carnais, quanto mais as igrejas tentarem crescer, não sendo igrejas bíblicas, mas sim encontrando a última moda com que possam atrair o maior número de pessoas, enquanto fizermos isso, nunca veremos o poder de Deus. E a igreja, em seu desejo de ser relevante, torna-se ridícula perante os seus inimigos.

Por Paul David Washer

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Evangelismo sem poder de Deus

“O meu ensinamento e a minha mensagem não foram dados com a linguagem da sabedoria humana, mas com provas firmes do poder do Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:4) 

Vou falar uma coisa séria sobre missões. Existe todo tipo de missões neste mundo, mas a maioria delas não é bíblica. Não necessitamos de mais missões. Deixe-me compartilhar algo com alguns de vocês que são novos missionários. As missões devem ser definidas pelo exegeta e pelo teólogo, isto é, pelo estudioso das Escrituras, não pelo antropólogo ou o sociólogo nem pelos “experts” em novas tendências culturais. Fazemos missões e evangelismo de acordo com as Palavras Sagradas da Escritura e não precisamos da ajuda de Wall Street.

Não temos o direito de diluir a afronta do Evangelho ou civilizar suas exigências radicais, com o objetivo de fazê-lo mais atrativo a um mundo caído ou a membros carnais da igreja. Nossas igrejas estão cheias de estratégias para fazê-las mais “amigáveis”, “desembrulhando” o Evangelho, removendo a pedra de tropeço e retirando o fio da navalha para que ele seja mais aceitável aos homens carnais. Nós devemos buscar ser “agradáveis”, mas devemos nos dar conta de que importa agradar somente a Um, e esse é Deus. Se nós estamos nos esforçando para tornar a nossa igreja e a nossa mensagem “adaptáveis”, então, devemos adaptá-las a Ele. Se estamos nos esforçando para edificar nossa igreja e nosso ministério, então, devemos edificá-los sobre uma paixão de glorificar a Deus e um desejo de não ofender a Sua Majestade. Não importa o que o mundo pensa de nós. Não estamos aqui para buscar as honras desta terra, mas sim as honras dos céus.

Outra coisa que quero mencionar. Nossa mensagem não é apenas escandalosa, ela é inacreditável. Eu quero que saibam disso. É uma mensagem inacreditável. Paulo, na carne, teria todas as razões para se envergonhar do Evangelho que ele pregava. E havia ainda outro motivo para ter vergonha carnal: o Evangelho é uma mensagem absolutamente inacreditável, um aviso absurdo para os sábios deste mundo. Como Cristãos, nós às vezes falhamos em perceber o quão assombroso é quando alguém crê em nossa mensagem. Em um sentido, o Evangelho é tão inverossímil que a sua propagação pelo Império Romano é prova da sua natureza sobrenatural.

O que jamais poderia atrair algum gentio, completamente ignorante quanto às Escrituras do Antigo Testamento e arraigado na filosofia grega ou em superstições pagãs, para que viesse a acreditar nessa tal mensagem sobre um homem chamado Jesus? Ele nasceu sob circunstâncias questionáveis, numa família pobre, em uma das regiões mais depreciadas do Império Romano e, ainda assim, o Evangelho reivindicou que Ele era o eterno Filho de Deus, concebido pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem. Foi um carpinteiro de profissão, um mestre religioso itinerante sem qualquer instrução formal e, ainda assim, o Evangelho reivindica que Ele ultrapassada toda a sabedoria do filósofo grego e dos sábios romanos da Antiguidade. Foi pobre e não tinha onde repousar sua cabeça e, ainda assim, o Evangelho reivindica que, por três anos, Ele alimentou milhares pela Palavra; curou todo tipo de enfermidade entre os homens e até ressuscitou os mortos. Foi crucificado fora de Jerusalém como um blasfemador e um inimigo do Estado, e, ainda assim, o Evangelho reivindica que Sua morte foi o evento fundamental em toda a história da humanidade, e o único meio para a salvação do pecador e a reconciliação com Deus. Foi colocado em uma tumba emprestada e, ainda assim, o Evangelho reivindica que ao terceiro dia Ele ressuscitou dentre os mortos, apareceu a muitos de Seus seguidores e em quarenta dias ascendeu aos céus, assentando-se à direita da Majestade nas alturas. Assim, o Evangelho reivindica que um carpinteiro judeu e pobre, o qual foi rejeitado como um lunático e blasfemador pelo Seu próprio povo, e crucificado pelo Estado, é agora o Salvador do mundo, o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, e, ao Seu nome, todo joelho se dobrará, incluindo os Césares.

Você tem alguma ideia de como é impossível para qualquer um, nos tempos de Paulo, crer nesta mensagem? É impossível! Quem jamais poderia ter crido em tal mensagem, senão pelo poder de Deus? Não há outra explicação. O Evangelho nunca poderia ter sido levado para fora de Jerusalém, muito menos ao Império Romano, e a toda nação deste mundo, a menos de que Deus tenha estabelecido que assim fosse. A mensagem teria morrido desde o momento de sua concepção, se tivesse dependido de habilidade organizacionais, eloquência, ou poderes apologéticos de seus pregadores. Todas as estratégias missionárias do mundo e todas as artimanhas astutas do mercado de Wall Street nunca poderiam ter feito avançar o Evangelho, o tropeço e a loucura do Evangelho. Martin Hengel escreve sobre o velho escândalo da cruz: “Crer que o único Filho pré-existente do único Deus verdadeiro, o Mediador na criação e o Redentor do mundo, tenha aparecido em tempos recentes, num lugar afastado da Galiléia, como um membro da obscura nação dos judeus, e, ainda pior, que tenha morrido a morte de um criminoso comum em uma cruz, somente poderia ser considerado como um sinal evidente de insanidade mental...”.

Essa verdade traz, ao mesmo tempo, um encorajamento e uma advertência para os que pregam o Evangelho. Primeiro, é um encorajamento saber que a simples proclamação fiel do Evangelho assegurará o seu avanço contínuo no mundo. Segundo, é uma advertência para que nós não sucumbamos à mentira de que podemos fazer avançar o Evangelho através de habilidades, eloquência ou engenhosas estratégias de crescimento de igrejas. Tais coisas não têm poder para produzir a impossível conversão dos homens. Nós devemos nos lançar, com desespero esperançoso, aos únicos meios bíblicos para fazer avançar o Evangelho: a ousada e clara proclamação de uma mensagem da qual não apenas nós não temos vergonha, mas na qual nós cremos e nos gloriamos, porque é o poder de Deus para a salvação de qualquer um que crer.

Concluirei dizendo isto: Nós vivemos em uma época incrédula e cética. Nossa fé é ridicularizada como um mito sem esperança, e somos vistos seja como fanáticos de mente fechada, seja como homens de mente fraca, vítimas de um engano religioso. Tal forma de ataque frequentemente nos coloca na defensiva e tentamos contra-atacar, e provar a nossa posição e a nossa relevância com a Apologética. Quero dizer isto: eu estou de acordo com a Apologética, mas, ainda que algumas formas dessa disciplina sejam muito úteis e necessárias, devemos nos entender que o poder ainda está na proclamação do Evangelho. Não podemos convencer um homem a crer mais do que podemos levantar os mortos. Tais coisas são a obra do Espírito de Deus. Os homens são atraídos à fé somente através da obra sobrenatural de Deus e Ele tem prometido trabalhar, não através da sabedoria humana, nem através de habilidades intelectuais, mas através da pregação de Cristo crucificado e ressuscitado dentre os mortos. Devemos encarar o fato de que nosso Evangelho é uma mensagem inacreditável. Não deveríamos esperar que alguém nos dará atenção, muito menos que crerá, sem uma obra graciosa e poderosa do Espírito de Deus. Quão desesperançosa é nossa pregação quando separada do poder de Deus! Quão dependente de Deus é o pregador! Todo nosso evangelismo é nada mais que uma incumbência de tolos, a menos que Deus toque nos corações dos homens. Não obstante, Ele tem prometido fazer justamente isso, se nós fielmente pregarmos o Evangelho.

Por Paul David Washer

 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Época humanista

Portanto, como as Escrituras Sagradas dizem: “Quem quiser se orgulhar, que se orgulhe daquilo que o Senhor faz” (1 Coríntios 1:31) 

Vivemos numa época humanista. Durante as últimas décadas, o homem tem lutado para tirar Deus de sua consciência e de sua cultura. Tem derrubado cada um dos altares visíveis do único Deus verdadeiro e tem construído monumentos dedicados a si mesmo com o zelo de um fanático religioso. Isto não é uma luta entre o secularismo e o pensamento religioso. Não pense isso, porque o secularista tem uma religião, e algumas vezes ele é muito mais fanático em sua religião do qualquer Cristão jamais fingiu ser.

O homem tem conseguido fazer de si mesmo a medida central e o fim de todas as coisas. Ele louva o seu próprio valor inerente, exige homenagens à sua autoestima, e promove o cumprimento de suas ambições e de suas autorrealizações, como a coisa mais importante a se alcançar. E se você não crê que isso se tem alastrado dentro do Cristianismo, então você não leu o livro “Sua Melhor Vida Agora”, de Joel Osteen, porque é exatamente disso que se trata. Ele menospreza o remorso de sua consciência. Ele não pode removê-la, ela está ali para ficar. Ele menospreza o remorso de sua consciência como remanescente de uma religião antiquada de culpa: o Cristianismo. E ele livra a si mesmo de qualquer responsabilidade do caos moral que o rodeia, culpando a sociedade ou, pelo menos, essa parte da sociedade que não tem alcançado a sua “iluminação”. Qualquer sugestão de que sua consciência pudesse estar correta em seu testemunho contra ele mesmo, ou de que ele poderia ser responsável pela quase infinita variedade de maldade no mundo, é impensável para esse homem.

Por esta razão, o Evangelho é um escândalo para o homem caído, porque expõe suas ilusões sobre si mesmo, e o convence de sua queda e de sua culpa. Este é o primeiro e o principal trabalho do Evangelho, e esta é a razão pela qual o mundo detesta tanto a pregação do verdadeiro Evangelho: porque o verdadeiro Evangelho arruína a festa do homem, faz cair chuva sobre a sua celebração, expõe suas falsas crenças, e faz ver que “o imperador está nu”.

As Escrituras reconhecem que o Evangelho de Jesus Cristo é uma pedra de tropeço e uma loucura para todos os homens de todas as eras. E vou dizer isto mais adiante: Não apenas é um escândalo, mas deve ser um escândalo. Foi um dos reavivalistas do passado que disse: “Como é possível que o mundo não tenha ido bem com o Homem mais santo que andou sobre a terra, mas pode viver bem conosco?” Nós deveríamos ser um escândalo. Agora, nós não temos que viver como um bando de fanáticos. Não temos que fazer um monte de loucuras para sermos um escândalo. Basta ser fiel a esta única proclamação: Jesus é o Senhor de tudo. Tentar remover o escândalo dessa mensagem é anular a cruz de Cristo e seu poder salvador.

Devemos compreender que o Evangelho não é somente escandaloso; ele deve sê-lo. Através da loucura do Evangelho, Deus decretou destruir a sabedoria dos sábios, frustrar a inteligência das mentes mais brilhantes e humilhar o orgulho de todos os homens, com o fim de que nenhuma carne se glorie em Sua presença.

O Evangelho de Paulo não apenas contradizia a filosofia religiosa e a cultura de seus dias, como também declarava guerra contra elas. Não uma guerra política. Não uma guerra militar. Mas uma guerra espiritual pela verdade. Recusava a trégua ou fazer tratados com o mundo e não se conformava com nada menos do que a redenção absoluta da cultura ao Senhorio de Jesus Cristo, até que cada um de nossos pensamentos fosse levado cativo a Cristo.

Faríamos bem em seguir o exemplo de Paulo. Devemos ser cuidadosos a fim de rejeitarmos qualquer tentação em conformar nosso Evangelho à moda do momento ou ao desejo dos homens carnais.

Por Paul David Washer