sexta-feira, 10 de março de 2017

Cresce a procura por igrejas sérias

Os cristãos evangélicos brasileiros são divididos em diversas denominações, que entre si, são identificadas por categorias como, por exemplo, pentecostais, reformadas, neopentecostais.

Mas há um movimento não organizado de cristãos à procura de igrejas sérias, que pregam o Evangelho como ele é, sem doutrinas criadas por homens e com foco na mensagem de Jesus Cristo.

Sobre essa tendência registrada nos quatro cantos do país, o pastor Renato Vargens – líder da Igreja Cristã da Aliança, em Niterói (RJ), usou seu blog para publicar um artigo que propõe uma reflexão sobre os motivos de existirem tantos evangélicos em busca de “igrejas sérias”.

“Em todo lugar no Brasil cresce o número de cristãos procurando igrejas sérias. Tornou-se comum, ouvir irmãos dizendo que cansaram do evangelho da autoajuda, do entretenimento, da prosperidade, do gospel e da libertinagem. De fato há uma enorme procura por igrejas bíblicas e centradas nas Escrituras, cujos pastores pregam as maravilhosas verdades do Evangelho”, comentou.

De acordo com Vargens, que é escritor e conferencista internacional, esse movimento é resultado de uma insatisfação que nasceu a partir do comportamento das próprias lideranças evangélicas, que – salvo exceções – distorcem a mensagem do Evangelho a seu próprio interesse pessoal.

Confira os motivos listados pelo pastor a seguir:

1- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque cansaram de ouvir pregadores fracos e despreparados tanto bíblica quanto teologicamente,

2- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque não suportam mais ouvir mensagens antropocêntricas cujo foco é a satisfação do freguês e não a glória de Deus.

3- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque não suportam mais uma igreja com louvores ensimesmados, cujo conteúdo encontra-se absorto em autoajuda.

4- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque não suportam mais ver o dinheiro e os recursos do Reino de Deus sendo mal administrados por pastores inescrupulosos.

5- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque não suportam mais ouvir heresias, distorções teológicas, e absurdos doutrinários dos mais variados possíveis.

6- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque estão cansados de mensagens legalistas, desprovidas de graça e sabedoria.

7- Os cristãos estão procurando igrejas sérias porque estão cansados de apóstolos, bispos e pastores messianistas, cuja o evangelho pregado é espúrio, "coronelesco", despótico e ditatorial.

Por Tiago Chagas -

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A meninização e feminilização do homem cristão

Falta homem na igreja? Não. Faltam homens que se comportem como homens? Sim. Sobram meninos. E permitam-me dizer: faltam homens com postura masculina, tanto no agir, como na aparência. Isso é um problema? Com certeza. E qual o estado desse problema? Grave! Infelizmente estamos criando uma geração de jovens cristãos meninos e femininos. Meninos pelo comportamento, pela falta de compromisso, de seriedade e de posicionamento diante de Deus e da comunidade. Femininos pelo modo de vestir, se expressar e comportar diante de Deus e da comunidade.

Qual o problema?

A igreja precisa de homens, e muito. De mulheres também, mas primordialmente de homens. Nós fomos chamados a exercer o papel de liderança, de ensino, de defesa, de posicionamento, direcionamento e de exemplo para as gerações mais novas. A igreja precisa contribuir para a formação de homens de verdade. O problema é que muitas estão contribuindo para a formação de meninos. Muitas estão contribuindo para a feminilização dos jovens. Meninos não lideram, não se posicionam e nem direcionam da maneira correta. A igreja não se sente segura. As ovelhas, principalmente mulheres e crianças, não depositarão confiança em homens que transpiram feminilidade. Uma igreja não é saudável quando seus homens não são homens de verdade. Não estou falando de homossexualidade, mas da falta de postura de um verdadeiro homem de Deus. A igreja não pode estar nas mãos de meninos.

Quais são as causas?

A igreja é a culpada, claro. Não todas, lógico. Como? Produzindo entretenimento em vez de alimento sólido. Entretenimento produz meninos, exposição séria da Palavra produz homens. Não defenderei nem o equilíbrio entre eles, pois é preciso bem mais exposição da Palavra do que entretenimento. Quando as brincadeiras, palhaçadas, gincanas, festas e shows ganham destaque no agir da igreja a meninização se destaca nos jovens. E o que falar da feminização? Homens crescem em masculinidade com outros homens. É comum ver igrejas e jovens que têm seus exemplos de fé somente ou principalmente em mulheres. Muitos deles constroem seus referenciais em cantoras gospel ou pastoras famosas. Muitos são incentivados a dançar como mulheres. Muitos são influenciados por pastores meninos a se vestirem com traços femininos. A falta de homens causa mais falta de homens. O produto do entretenimento é a meninização. A falta de referencial é a causa da feminilização.

Quais são as consequências?

Quando meninos lideram eles produzem mais meninos. Quando meninos lideram eles não se tornam referenciais sérios de masculinidade. Quando meninos lideram a juventude cristã definha. A igreja perde sua força de sal e luz e vira uma cópia maquiada do mundo. Os jovens perdem o interesse pela Escritura, discipulado, evangelismo verdadeiro e santidade. Líderes produzidos pelo entretenimento gospel produzem dependentes de entretenimento gospel. E tudo isso colabora para a feminilização dos jovens. Fico triste de visitar congressos e shows onde grande parte dos jovens homens não se vestem, falam e agem como homens. Preconceito? Não, preocupação. Roupas não querem dizer muita coisa, mas elas nunca estão sozinhas, na maioria das vezes apenas refletem o comportamento de meninos gospelmente mimados. Esses serão os próximos líderes, e se assim continuar, nossa igreja sofrerá nas mãos de uma geração de homens mais interessada em brincar de igreja do que sofrer por ela.

O produto do entretenimento é a meninização. A falta de referencial é a causa da feminilização.

O que devemos fazer?

Líderes, principalmente de jovens, precisam tomar uma atitude. Aqueles que já desempenham uma liderança verdadeiramente masculina e compromissada com a Palavra devem continuar firmes, mesmo quando as tentações da moda e entretenimento baterem na porta. Esse líderes devem incentivar o crescimento espiritual e a maturidade nos jovens, escolhendo bem aqueles que liderarão outros e as futuras lideranças. Aqueles que insistem no entretenimento, nas modinhas e brincadeira devem dar mais atenção a Palavra. Em alguns casos até acabar de vez com qualquer aspecto dessa onda de brincadeiras e loucuras eclesiásticas. Os influentes devem começar a viver como homens de verdade, não meninos. Devemos ensinar sim, que homens possuem traços e comportamento de homem. Até brincar devemos brincar como homens. Palhaçada demais pode significar Bíblia de menos. Fico triste em ver igrejas que em todas as programações algo diferente, engraçado ou holywoodiano precisa acontecer. Fico triste ao ver líderes incentivando a meninice. Voltemos a suficiência das Escrituras. Resgatemos a seriedade que é ser um homem de Deus.

Por Pedro Pamplona, 
pamplonapedro.wordpress.com

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Predestinação e livre arbítrio

Estamos diante de um tema de difícil explicação, e a razão pelo qual é complexo se dá pelo fato de que ambas as posições são escriturísticas. O assunto tem sido objeto de discussão através da história do cristianismo a mais de dois mil anos, e hoje tem sido para nós um grande desafio. Os teólogos chamam estas interrogações de antinomia. Isto acontece quando duas doutrinas bíblicas parecem discordar uma da outra. 

O obstáculo notório é que na Bíblia existe uma coleção de versículos afirmando que Deus é soberano para escolher quem ele quer. Ele escolheu, predestinou, elegeu. Em sua soberania ele tem seus escolhidos desde a fundação do mundo (Rm 8.29; Ef 1. 4-5,11; Rm.9. 6-29; 1Pe. 2.8; Jd 4; 1 Pe 1.2,20. Nas palavras de Jesus esta verdade é confirmada: Ninguém poderá vir a mim, se, pelo pai, não lhe for concedido (Jo. 6.65; 6.44; 10.25-28).

Por outro lado, encontramos vários versículos que afirmam o contrario e diz que o homem deve se arrepender, e, portanto é responsável pelos seus atos. Deus é paciente em esperar nosso arrependimento (2 Pe. 3.9), é possível rejeitar a salvação (Mt. 23.37), temos o livre arbítrio pra ouvir ou não a sua voz e arrepender-se (Ap. 3.20). Leia também: Lc 15.7; Ap.16.9; Ap.16.11. 

Sua soberania é indiscutível porque esta verdade esta explicita em toda a Bíblia. Ele é o Deus todo poderoso e soberano sobre todas as coisas. Tanto o homem como todas as coisas que foram criadas têm como propósito glorificar o Deus de toda a eternidade porque tudo foi feito por ele e para ele, e, portanto ele é indiscutivelmente soberano para escolher quem ele quer.

O homem por sua vez deve arrepender-se de seus pecados, reconhecer sua condição de pecador, sua depravação. Sua responsabilidade está em retornar para Deus numa atitude de humilhação e arrependimento sincero. Deve ouvir a voz de Deus (Ap.3.20), Aceitar a salvação (Mt.23.37) e atender a perspectiva de Deus quanto ao arrependimento.

O tema predestinação e livre arbítrio têm levados vários estudiosos da Bíblia a trilhar no caminho perigoso do extremismo. O hipercalvinismo e o arminianismo extremo tomam posições radicais não deixando espaço para uma análise mais equilibrada das escrituras.

O primeiro afirma que Deus já tem seus escolhidos desde a fundação do mundo e, portanto não há necessidade de evangelizar. Deus haverá de salvar os seus. O Hipercalvinismo não admite a ideia da responsabilidade humana dogmatizando a doutrina da predestinação.

A segunda diz que o homem deve buscar e se esforçar para receber a salvação, não crê na depravação total do homem, não admitindo a ação exclusiva de Deus quanto à salvação dos perdidos. 

Não optando pelos extremos, entendemos que o assunto deve ser analisado com prudência e humildade, pois ambas são escriturísticas. Como já dissemos, a soberania de Deus é indiscutível, mas algumas questões difíceis de explicar precisam ser colocadas aqui.

Primeiro, como Deus pode escolher a uns e desprezar a outros, visto que as escrituras diz que Deus não faz acepção de pessoas (Mt.11.28; Jo.17.20; 6.39) ? Seria pela sua presciência, sabendo quem haveria de aceitar a Cristo (arminianismo), ou pela sua soberania escolhendo quem ele quer (calvinismo)?

Segundo, e o que dizer do caso de faraó onde as escrituras nos informa que num momento Deus endurece seu coração, mais adiante o rei por sua própria vontade endurece o seu coração (Ex. 9; 12; 8:15). Soberania de Deus e livre arbítrio se misturam no caso de faraó? Difícil de responder.

Não há outro caminho a trilhar se não o do equilíbrio (Pv.3.21). Creio na possibilidade de unir duas verdades bíblicas que parecem divergir uma da outra num paradoxo. Não podemos exaltar uma doutrina em detrimento da outra, ambas são como duas linhas que correm horizontalmente lado a lado e que se encontram no final. Como diz o Dr. Augustus Nicodemus, são como dois trilhos de trem que seguem no sentido horizontal e depois desaparecem. Não sabemos o destino, somente no final.

Olhando por esta janela, podemos crer que Deus é soberano para predestinar, eleger, escolher e até rejeitar quem ele quer, mas por outro lado, o homem é responsável pelos seus atos. É desafiado a buscar a Deus. Deve arrepender-se de seus pecados, crer em Jesus e aceitá-lo como Senhor e Salvador de suas vidas. Certamente o mistério que atravessa os séculos será revelado na eternidade, pois como diz o apostolo Paulo: Conhecemos em parte, mas na sua vinda o que está oculto será revelado (1 Cor. 13. 8-12).

Portanto, Deus é soberano e tem os seus escolhidos desde a fundação do mundo, no entanto a escritura anuncia a todos os homens que se arrependam e se convertam dos seus maus caminhos (Mt 4:17;Mc 1:15;At;2:38;At:17:30).

Por Marcos Aurélio dos Santos

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ideias equivocadas sobre a eleição divina

“Aquele que vier a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37)

Há sempre aqueles que não compreendem a mecânica da eleição, aqueles que leem na doutrina coisas que não estão ali. Por isto, será proveitoso dedicarmos algum tempo examinando algumas ideias equivocadas sobre esta grande e gloriosa doutrina. Existem sempre aqueles que dizem, “Não está certo, não é justo Deus escolher algumas pessoas e deixar outras”. Há diversas maneiras de responder a esta objeção. Nós podemos dizer, como o apóstolo Paulo em Romanos 9: 20-21, “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quemo fez: porque me fizeste assim? Ou não temo oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra, e outro para desonra?”. Quem é o homem para dizer a Deus que Ele é injusto? Ele é o Criador, e pode fazer com a criatura o que bem Lhe agradar. Nós também podemos responder a esta objeção (de que não seria justo Deus escolher alguns homens e deixar outros) dizendo que fazer esta objeção é negar um fato cardeal de Evangelho — nominalmente que a Salvação não é uma recompensa a ser ganha, ou um prêmio a ser merecido. É simplesmente um dom imerecido. E uma vez admitindo que a Salvação é um dom, nós, pela lógica, somos levados a aceitar a doutrina da eleição. Porque se é um dom — um dom, lembre-se, Deus pode distribuir como Ele quiser. Ele não apenas tem esta prerrogativa, mas de acordo com as Escrituras Ele a exerce. “Logo, ele tem misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz”. (Romanos 9:18). Deus não está em débito com ninguém. Ele poderia mandar todas as almas para o inferno, e ainda assim ser justo, pois a salvação não é questão de justiça, mas uma questão de graça, e graça é um dom e um dom é dado de acordo com a vontade do doador. 

Se Você o Quer, Então Você Já Recebeu 

Sempre surge a questão, “E a pessoa que deseja ser salva, mas não pode ser, no caso de não ser um dos eleitos de Deus?”. Deixe-me enfatizar uma coisa — tal pessoa não existe! Seria impossível para uma pessoa desejar a Salvação e não recebê-la, porque você vê, o simples desejo pela Salvação já é uma indicação de que Deus deu àquela pessoa o desejo. E se Deus deu-lhe o desejo, também providenciará para que tal desejo seja satisfeito e cumprido. Lembre-se, é uma cadeia intacta e contínua. Se a pessoa deseja conhecer a Cristo como Salvador, isto é um sinal seguro de que Deus já iniciou nela, em seu coração, a obra da graça; e aquela obra, tendo sido iniciada, será completada, e a pessoa virá em fé a Cristo. Criar uma pessoa que suspira, “Ó, eu desejo ir para o céu, mas não posso porque não sou um dos eleitos de Deus,” é criar uma pessoa hipotética, inexistente. Suponha que eu tenha algo em minha mão que você considere sem valor; algo absolutamente sem utilidade para você. E suponha que eu diga, “Eu vou dar esta coisa para fulano de tal”. Você não tem o menor direito de resmungar ou reclamar porque, para início de conversa, você nem iria querer aquela coisa. O descrente, o não cristão, diz através de sua atitude e comportamento na vida, que ele não quer Deus, não quer Cristo, e não quer salvação. Mas se ele quer, então ele os terá a todos. Cristo nunca afastará de si aqueles que vierem a Ele; é Ele mesmo que diz, “Aquele que vier a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37). Se você O quer, então você pode tê-Lo. E Se você não O tem, é porque você não O quer. Portanto, não crie a pessoa hipotética que diz, “Eu O quero, mas não posso tê-Lo”. Tal pessoa não existe. 

Os Meios da Salvação 

Mas, isto levanta sempre uma outra questão: Então para que pregar o Evangelho a alguém se aqueles que vão ser salvos, serão salvos, e aqueles que não vão ser salvos, não serão salvos? Qual então a razão de toda a conversa sobre evangelismo e missões, e para que toda a excitação sobre a pregação e a oferta de convite para alguém aceitar a Cristo como Salvador? A eleição não cortaria o nervo do evangelismo? Claro que não. Honestamente, pensemos bem nisto. Você espera estar vivo no próximo domingo? Diga-me a verdade. Você espera estar vivo no próximo domingo? Você sente que Deus lhe dará mais uma semana na terra? Você realmente sente, não sente? É claro que sim. Neste caso você não precisa comer nem beber hoje, ou amanhã, ou durante toda a semana; você não necessita nenhuma comida ou bebida ou repouso ou medicamentos, se você estiver tomando algum, durante a próxima semana. Por quê? Porque se Deus tem predestinado para que você seja mantido vivo durante a próxima semana, então não importará o que você faça. Pense bem, não é isto ridículo? É total estupidez, não é? Se você espera estar vivo na próxima semana, então você irá aplicar e usar os meios que Deus usa para manter a vida. Você irá comer, beber, repousar, tomar medicamentos, se necessário. O mesmo princípio se aplica à eleição. Deus ordenou não apenas o fim, a salvação de certas pessoas. Ele também ordenou os meios pelos quais a salvação será realizada. E de acordo com a Bíblia, Deus ordenou a proclamação do Evangelho como o meio que Ele usa para trazer as pessoas das trevas para a Sua maravilhosa luz. Você ainda acha que isto corta o nervo do evangelismo? Pelo contrário, a doutrina da eleição encoraja o evangelismo. É o maior de todos os motivos possíveis para se sustentar um testemunho fiel e verdadeiro. É uma coisa aterradora perceber que Deus pode ter incluído você em Seu plano eterno para a salvação de algumas outras pessoas. Isto faz você querer sentar-se e ficar girando os polegares? Claro que não! Isto faz você desejar dizer a todos quantos se encontrar que, “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). 

Por W. Wilson Benton Jr.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A mecânica da eleição divina

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E, aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” (Romanos 8:29-30)

Qual é a mecânica da doutrina da eleição? Como ela funciona? Para responder a esta questão, volvamos a atenção para o trecho das Escrituras que tem sido chamado de a corrente ou a cadeia de ouro de Romanos 8, versículos 29 e 30.  Segundo W. Wilson Benton Jr., a mecânica da eleição está dividida em quatro elos. É uma corrente que, estendendo-se de eternidade a eternidade, a um ponto, desce e toca o tempo. Um dos extremos está ancorado na eternidade passada, onde fomos pré-conhecidos e predestinados — e a outra extremidade está ancorada na eternidade futura, onde somos glorificados — o meio desta cadeia descendo e tocando a terra onde somos chamados e justificados. 

Trata-se de uma cadeia contínua e ininterrupta. Não é que alguns foram pré-conhecidos, e destes, alguns foram predestinados, e destes, alguns foram chamados, e destes, alguns foram justificados, e destes, alguns foram glorificados. Não! todos os que foram de antemão conhecidos, foram também predestinados, e estes foram chamados e justificados, e também glorificados. 

Um Conhecimento Íntimo 

Olhemos de perto os elos daquela corrente. “Aos que Deus de antemão conheceu”. O que isto quer dizer? Bem, alguns dizem que quer dizer que Deus estava previamente familiarizado com todas as pessoas antes mesmo que algum ser humano tivesse nascido. Deus conhecia todos os homens. Vejamos como que isto se encaixa. Se conhecer previamente significa estar previamente familiarizado com todos os homens, e eles dizem que Deus estava previamente familiarizado com todos os homens, então Deus previamente conheceu todos os homens. Isto implica, então, que todos são predestinados, todos são chamados, todos são justificados, e todos serão glorificados. E isto significa que todos os homens estão indo para céu. “Não”, nós dizemos, “Não pode ser este o significado. Talvez queira dizer que Deus de antemão conhecia alguns aspectos da vida das pessoas.” “Aqueles a quem Deus soube de antemão que aceitariam a Jesus Cristo como Salvador, estes ele predestinou para a vida eterna”. A Bíblia também não diz isto. Você poderá procurar em toda a Bíblia, de capa a capa, pela qualificação desta afirmativa, e não encontrará. Ela apenas diz. “Aqueles que Deus de antemão conheceu”. A chave para entender a palavra neste caso, reside em entender o que significa conhecer alguém no sentido bíblico. De acordo com o uso nas Escrituras, conhecer alguém significa ter com ela um relacionamento próximo, íntimo e pessoal. Existem pessoas em nossas congregações sobre as quais poderíamos afirmar que “Já nos vimos algumas vezes, mas eu realmente não as conheço”. Nós estamos usando o verbo “conhecer” num sentido bíblico, quando fazemos tal afirmativa. Deus falou, referindo-se a Israel, “De todas as nações, somente a vós outros vos escolhi” (“conheci”) (Amós 3:2a). Aquilo não quer dizer que Deus não conhecia as outras nações. É claro que Ele as conhecia todas. Mas foi sua maneira de dizer “Eu tenho um relacionamento especial com você”. Quando Maria foi informada pelo anjo de que ela teria um filho, ela disse, “Como se fará isto, visto que não conheço varão?”. Com isto Maria não quis dizer que nunca havia visto um indivíduo do sexo masculino; o que ela disse foi que nunca havia tido um relacionamento íntimo com um homem, a ponto de conceber dele um filho. Este é o significado do verbo “conhecer” na Bíblia, e é o significado usado naquela passagem de Romanos. Quando Deus de antemão conhece seu povo, isto quer dizer que Ele tem com as pessoas envolvidas um amor especial, e entra com eles num relacionamento especial, muito antes deles virem a nascer. Este é o primeiro elo da cadeia: Deus de antemão conhece seu povo.

No Caminho para a Salvação

Naquela passagem também é dito, “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou”; quer dizer que Ele não apenas escolheu um povo para Si, mas ele estabeleceu o procedimento através do qual esse povo viria a Ele. Charles Spurgeon formulou um modo interessante para explicar o relacionamento entre pré-conhecimento (conhecimento de antemão) e predestinação: “O pré-conhecimento foi pelo mundo afora marcando as casas às quais a salvação viria, e os corações onde o tesouro deveria ser depositado. O pré-conhecimento olhou a raça humana, desde Adão até o último, e marcou comum a estampa sagrada aqueles para os quais a Salvação havia sido designada. Depois veio a predestinação. A predestinação não apenas marcou as casas, mas mapeou o caminho através do qual a Salvação deverá viajar até chegar à cada casa. A predestinação ordenou cada movimento do grande exército da Salvação; ordenou o tempo quando o pecador será trazido a Cristo, a maneira como será salvo, e os meios que devem ser empregados; a predestinação marcou a hora exata e o momento quando Deus, o Espírito, deve vivificar mortos em pecados, e quando paz e perdão serão comunicados através do sangue de Jesus Cristo. A predestinação marcou o caminho de modo tão completo, que a Salvação não saltará jamais um passo, não queimará etapas, nem jamais estará perdida no caminho”. Este é o segundo elo da cadeia: Deus ordenou os meios pelos quais uma pessoa virá à fé em Jesus Cristo.

O Chamado do Espírito

O terceiro elo é o chamado, e aqui a cadeia desce da eternidade até o tempo. “E os que predestinou, a estes também chamou”. Aqueles a quem Deus escolheu, Ele os chamou no homem interior, pela operação de Seu Espírito, para, em fé, responder à oferta do Evangelho. Muitas pessoas têm sido chamadas; pense nisto. Pense nos milhões de pessoas que têm ouvido Billy Graham na televisão, ou pense nos milhões de pessoas que ao longo da história têm ido às igrejas e ouvido o Evangelho sendo pregado, e o convite para aceitar a Cristo como Salvador sendo oferecido. Muitos são os chamados, mas poucos são os escolhidos. Muitas pessoas ouvem exteriormente o chamado do Evangelho, mas poucos respondem interiormente. Apenas aqueles que são chamados pelo Espírito de Deus responderão interiormente. Sem o chamado do Espírito de Deus, a pessoa jamais responderá ao convite. Ela está, de acordo com as Escrituras, morta em delitos e pecados (Efésios 2:1). Ela não pode fazer nada até que o Espírito a desperte, dizendo, “Ouça, é a voz de Deus a chamar-te”. Este é o terceiro elo da cadeia: o chamado do Espírito de Deus para aceitar a Jesus Cristo em fé.

Perdoado dos Pecados

“E aos que chamou, a estes também justificou” — o quarto elo da cadeia. A pessoa que responde ao chamado e aceita a Cristo como Salvador é a pessoa que é perdoada de seus pecados. A justiça de Cristo torna-se a sua justiça, e a morte de Cristo torna-se a sua morte, e a penalidade por seus pecados é paga. Aos olhos de Deus, a pessoa permanece “como se” nunca tivesse pecado. Diante da Lei é declarada justa.

A Certeza do Céu

Os que são justificados aos olhos de Deus, são os que são glorificados. Você e eu somos glorificados, mas você diz, “Espere um minuto, você fala como se eu já estivesse no céu. Mas eu ainda não cheguei lá.” Não, mas o texto usa o tempo passado, não usa? “E aos que justificou, a estes também glorificou”. A segurança é tamanha, e é tão certo na mente de Deus que você estará nos céu, que Ele pode falar como se você já estivesse lá. Se Deus chamou você, então você ouvirá e responderá, e em respondendo lhe será dada a segurança da vida eterna na presença Dele. Este é o quarto elo da cadeia: E aos que chamou, a estes também justificou e glorificou.

A cadeia é intacta e contínua. Deus o Pai escolhe; Cristo o Filho morre; e o Espírito Santo nos chama à fé — as três pessoas da Trindade estão unidas em trazer-nos a Salvação. Este é o modo como funciona, a mecânica da Salvação.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pelo que você tem morrido?

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida? Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras. (Mateus 16:24-27)

“Fique rico ou morra tentando”. A ideia que o autor quis expressar nessa frase é que ficar rico era o motivo pelo qual ele vivia. Ele lutava para acumular riqueza e ter dinheiro de tal forma que, ou conseguiria ficar rico, ou preferia morrer tentando. Ele dizia que nunca desistiria do seu objetivo. A vida dele foi guiada por esse lema: fique rico ou morra tentando. No final da vida ele estava rico, mais ainda tentava ficar mais rico. A enorme riqueza que possuía ainda não o satisfazia o desejo do seu coração.

Nós cristãos somos chamados por Deus para morrer tentando fazer muitas coisas: seguir Jesus Cristo, pregar o Evangelho, fazer discípulos, cuidar um do outro, etc. Antes de fazermos qualquer coisa para o Reino dos Céu, precisamos primeiramente aprender a seguir a Cristo. Seguir a Cristo é um ato que dever ser encarado como uma morte. O primeiro convite formal de Jesus aos seus pretendentes seguidores foi à morte. Jesus disse que se quiserem segui-lo, teriam que negar a si mesmos.

Antes de dizer “sim” para Deus, devemos dizer “não” para nós mesmos. O mundo diz “vamos nos permitir”, o Evangelho diz “vamos nos negar”, vamos negar os nossos desejos e dizer “não” para aquilo que somos e queremos. Quando dizemos “não” para nós mesmos, nós tomamos em nossas mãos uma cruz. A cruz para o crente é um símbolo religioso, mas antes de sê-lo, a cruz era um instrumento de pena capital, usado para a morte dos piores criminosos daquela época. Antes de passarmos pela morte para o mundo, somos os mais miseráveis pecadores. 

Jesus não nos convidou para segui-Lo de uma forma politicamente correta. Ele começou com um convite duro, forte e assustador. Começou com uma mensagem que convidava o homem não para ter uma vida melhor, não para experimentar uma plenitude de alegria, não para ter um carro do ano, uma mansão, lazer, viagens etc. Também não era uma mensagem para resolver conflitos interiores, problemas no casamento, desavenças com os filhos, com os parentes, etc. A mensagem de Jesus era para abrir mão da vida terrena. Era uma mensagem para abraçar o sacrifício, a cruz, a negação do “eu”, dos sonhos e tudo mais. Se quisermos seguir a Jesus, devemos saber que seguiremos alguém que foi assassinado injustamente, que foi morto numa cruz, e tudo fez por amor.

No primeiro momento, o chamado de Cristo é para morrer. Evidentemente, não é uma morte física, ou um suicídio, mas é uma morte para esta vida terrena. É dizer como Paulo, não mais vivo eu, eu não tenho uma vida que é minha, mas agora há um Cristo que vive em mim. E a vida que agora eu vivo, eu vivo na fé em Jesus. O chamado é para a morte, mas uma morte que promete outra vida. É um chamado para que no caminho morramos como Cristo morreu, para mais adiante ressuscitarmos como ele ressuscitou, para uma imerecida vida. 

Nós somos desafiados a abrir mão do plano terreno para alcançarmos o plano divino. Isso é seguir a Jesus. É um caminho diário de morte. É carregar a cruz dia após dia. Não é um ato que fazemos uma vez e pronto. É um ato frequente, constante, presente. Nós carregamos a nossa cruz agora, estamos sendo mortificados agora, pois agora seguimos aquele que foi crucificado. 

Todos os dias na vida do cristão existe uma morte, antes de ser definido em termos de vida. Há uma negação antes da aceitação. Portanto, seguir a Jesus Cristo carregar a sua cruz, é morrer para este mundo. E só morrendo para este mundo é que podemos alcançar vida eterna. Só morrendo para as coisas desta vida é que poderemos ser úteis no Reino celestial. No final, Cristo retribuirá a cada um segundo as suas obras.

Finalizo com esta linda poesia da Banda Vineyard:

Quebrantado

Eu olho para a cruz
E para a cruz eu vou
Do seu sofrer participar
Da sua obra vou cantar

O meu salvador
Na cruz mostrou
O amor do pai
O justo Deus

Pela cruz me chamou
Gentilmente me atraiu
E eu, sem palavras, me aproximo
Quebrantado por seu amor

Imerecida vida, de graça recebi
Por sua cruz da morte me livrou
Trouxe-me a vida, eu estava condenado
Mas agora pela cruz eu fui reconciliado

Impressionante é o seu amor
Me redimiu e me mostrou
O quanto é fiel

domingo, 18 de setembro de 2016

Secularismo, a porta de entrada do Islamismo

Em outubro de 2000, na ensolarada cidade francesa de Nice, a Convenção Europeia com 105 membros esboçou a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

Elaborada pela comissão do ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing, o documento se referia apenas ao "patrimônio cultural, religioso e humanista da Europa". O Parlamento Europeu rejeitou uma proposta de Membros Democratas Cristãos do Parlamento Europeu e do Papa João Paulo II de incluir no texto as "raízes judaico-cristãs" da Europa.

Na Carta de 75.000 palavras não há sequer uma menção ao cristianismo. Desde então, uma onda de secularismo agressivo tem permeado todas as políticas da UE. Por exemplo, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos pediu a retirada dos crucifixos das salas de aula: eles eram hipoteticamente uma ameaça à democracia.

A cidade de Nice -- onde há exatamente 16 anos os governantes da Europa decidiram eliminar as raízes judaico-cristãs da Constituição da UE (nunca aprovada) -- acabaram de testemunhar a sangrenta manifestação de outra religião: o Islã radical. "A natureza abomina o vácuo": esta é a verdade que nossas elites não querem ouvir; o islamismo se levanta a partir do que William McGurn, autor de discursos de George W. Bush, chamava de "secularismo irresponsável da Europa".

Isto é possível ver não só nas igrejas da Europa, três quartos delas vazias, e no crescimento vertiginoso da conversão dos europeus ao Islã, mas também no que está acontecendo nas escolas da Europa. Essas tendências não dão suporte à visão de Viktor Orbán de uma Europa cristã.

Há alguns dias, a Bélgica que recentemente foi alvo de ataques terroristas, decidiu que as aulas de religião nas escolas de língua francesa de ensino fundamental e médio serão cortadas pela metade a partir de outubro de 2016 e substituídas por uma hora de "aulas de cidadania": lições de secularismo. Em Bruxelas, 50% das crianças em escolas públicas já optaram por frequentar aulas sobre o Islã.

Na França, o governo socialista impôs uma "carta de secularismo" em todas as escolas banindo o cristianismo do sistema educacional. A carta é o manifesto da "révolution douce" ("revolução adocicada"), melhor dizendo: secularismo extremo da França. É uma tentativa de eliminar qualquer asserção de identidade. A quipá judaica, a cruz cristã e o véu islâmico são tratados da mesma maneira. O secularismo é o que tem sido corretamente definido como "o ponto cego da esquerda em relação ao Islã".

Além de tudo é um secularismo que endoidou. A título de exemplo a escola de ensino fundamental Yves Codou, que fica no vilarejo de La Môle, comemorou o "Dia dos Pais" em vez do Dia das Mães, a fim de não causar dissabores aos casais gays. Certos municípios já mudaram o formulário de inscrição para crianças em idade escolar, eliminando as palavras "pai" e "mãe", substituindo-as por "gestor legal 1" e "gestor legal 2". É a "Novilíngua" de George Orwell.

Após dois ataques terroristas de grandes proporções em 2015, a França, em vez de promover uma "jihad" cultural baseada em valores ocidentais, respondeu ao fundamentalismo islâmico com um ridículo "Dia do Secularismo" a ser comemorado todo dia 9 de dezembro.

Não é que o secularismo "exacerbou" essas tensões culturais como afirmam muitos liberais. É que este secularismo afastou a cultura francesa dos ideais que criaram o Ocidente. O afastamento fez com que esta cultura ficasse cega em relação à incompatibilidade do islamismo com os valores seculares. Após o massacre na redação da revista satírica Charlie Hebdo, a professora francesa Isabelle Rey ressaltou que "muitos dos nossos estudantes não compartilham da nossa consternação em relação aos acontecimentos. Podemos fingir que há consenso, mas a realidade é que uma parcela significativa da população acredita que os jornalistas mereceram o fim que tiveram ou que os irmãos Kouachi (os assassinos) morreram como heróis".

Esse secularismo tacanho também impediu a França de apoiar abertamente os cristãos orientais oprimidos pelos islamistas. O conjunto musical "The Priests" planejava anunciar a próxima apresentação em Paris com uma faixa no poster dizendo que haverá arranjos em apoio à causa dos cristãos perseguidos no Iraque e na Síria -- mas a empresa que opera o sistema metroviário em Paris inicialmente proibiu o anúncio, alegando que considerava a faixa uma violação ao secularismo.

Suécia, um dos países europeus onde há mais infiltração do islamismo radical, é considerada a nação "menos religiosa" do Ocidente. De acordo com a agência Statistics Sweden, apenas 5% dos suecos são religiosos praticantes e um em cada três casais se casam somente no civil. Como é que a Suécia chegou a esse ponto? Há muitos anos o governo sueco proibiu qualquer atividade religiosa nas escolas, exceto aquelas diretamente relacionadas às aulas de religião.

Como se isso não fosse o bastante, o secularismo também não tem respostas para a questão de como lidar com o terrorismo; além disso o secularismo deixa os europeus inseguros sobre o que vale a pena lutar, matar e morrer. Se você acredita, como os secularistas acreditam, que os nossos valores são meros acidentes da história e que o bem maior é o conforto, então você não irá dar a mínima pelo futuro da civilização.

O símbolo deste 'euro-secularismo' é a igreja Oude Kerk, uma das igrejas mais famosas de Amsterdã, datada do século XIII. A igreja, ora vazia, é usada para exposições e pode ser alugada para jantares de gala. Do outro lado da rua fica o "Sexyland", apresentando "shows de sexo ao vivo", uma "coffee shop" para venda de drogas e um supermercado "erótico" para a venda de vibradores. Por sete euros é também possível visitar a igreja.