terça-feira, 27 de novembro de 2018

Marxismo e cristianismo são conceitos incompatíveis

O escritor Felipe Lemos, utilizou o portal oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia para escrever uma mensagem clara e direta contra a ideologia marxista.
“Em um de seus escritos, Marx afirmou que a “religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de uma situação carente de espírito. É o ópio do povo”. Seria uma visão da religião como uma fuga do ser humano das suas responsabilidades?”, disse a nota.

“A aversão de Marx pela religião (de modo geral), e pelo cristianismo (de modo particular), se dá pelo fato de ser um obstáculo à implementação de sua utopia. Por isso, usou de dois artifícios intelectuais para ridicularizá-la.

O primeiro foi dizer que a religião era algo inventado pelos ricos para aliviar o sofrimento causado pelo capitalismo sobre os pobres. Em segundo lugar, foi alegar que essas ideias eram falsa consciência imposta pela classe dominante para defender e perpetuar a propriedade privada.

É no primeiro sentido que Marx via a religião como fuga das responsabilidades. Marx tinha uma maneira ruim de tratar seu leitor: ao passo que, por um lado, queria “abrir seus olhos” para a “verdade” dizendo que a religião era uma armadilha da classe dominante, acusava o proletário de ser um iludido, na pior acepção do termo, provocando-o a abandonar a fé. Assim Marx tratava a classe pela qual ele desejava realizar a revolução”, explica.

Ao responder ao questionamento se os cristãos podem conciliar as ideias marxistas com as crenças bíblicas, a Igreja Adventista do Sétimo Dia responde:

“Cristianismo e marxismo são duas coisas opostas entre si, impossíveis de serem conciliadas. As diferenças começam pela criação: a Bíblia mostra que Deus é o Criador do homem, ao passo que, para Marx, foi o homem quem construiu a ideia de Deus”.

Leia a nota completa:

Sim, é necessário que as organizações religiosas se manifestem contra o Marxismo. Pois, como mo bem disse Thiago Oliveira, do blog Electus, se nós somos cristãos e temos os nossos pressupostos baseados na Escritura, logo, não podemos abraçar uma doutrina concorrente ao cristianismo. Ainda mais quando esta corrente enxerga a religião, ou melhor, a metafísica como sendo um produto da opressão, uma vez que os oprimidos a inventaram como um entorpecente que alivia a dor (ópio).

A doutrina cristã não foi fabricada. Ela é a revelação de Deus por meio do seu Filho, trazendo boas novas de salvação. Daí entendemos o porquê do Cristianismo sempre ser perseguido nos regimes marxistas.

Para o cristão, as desigualdades e injustiças econômicas são fruto do pecado e o único capaz de curar esse mal é Jesus Cristo. Mas a promessa de um mundo sem dor e sem lágrimas está no porvir (Ap 21.4). Ora, isso frustra os marxistas que pregam o Reino dos Céus na terra, algo que não funcionará enquanto o pecado dominar o coração humano.

Tanto as sugestões marxianas como as de qualquer outra ideologia que busque o fim da pobreza não serão bem-sucedidas neste mundo corrompido. Podemos ter uma agenda política que pregue uma melhor distribuição da riqueza nacional, ou o Estado do bem-estar social. Podemos criar programas de microcrédito e de transferência de renda. Podemos ver o incentivo estatal e privado na educação profissionalizante.

Seja qual for, como observa Aaron Armstrong, “[…] essas soluções estão tratando os sintomas, não a causa; estão podando os galhos, não desenterrando a raiz. A questão principal por trás da pobreza é o pecado”.

Algumas dessas ideias podem até minorar muitos males, mas não acabarão definitivamente com a injustiça e opressão existentes na sociedade.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Economia e Política na Cosmovisão Cristã: Resenha

Contribuições para uma teologia evangélica

A Obra é uma espécie de tese mesclada com conferência, trazendo fortes apontamentos através de conceitos e experiências de estudos e pesquisas. O autor mesclou parte do livro com a palestra proferida por ele em março de 2016 no 10º Congresso de Teologia Vida Nova.

O que impressiona nesta obra é o conteúdo altamente rico no sentido de orientar e apontar como deveriam ser as questões políticas de uma sociedade e o comportamento de um congressista (entenda-se qualquer tipo de político), como deve agir e realizar seu mandato, com bases não denominacionais, mas somente éticas e morais segundo o que a Bíblia mostra clara e objetivamente.

A combinação traz pontos estratégicos também apontados durante a publicação de um livro referente a apresentação ao Congresso Americano em Washington, DC,EUA. Os capítulos 1, 2 e 3 tratam assuntos diretamente relacionados a questões morais e éticas da política e do cidadão como um todo, foi desenvolvido e trabalhado por Wayne Grudem, já os capítulos 4 e 5 do livro foram desenvolvidos partir da união de Grudem com Barry Asmus.

Me perdoem, como resenhista sei que não é muito ético apresentar minha visão particular, mas o conteúdo desta obra realmente me impactou, caso eu fosse alguém que tivesse boa situação financeira, enviaria um exemplar a cada vereador, prefeito, deputados, ministros e todas outras autoridades do Legislativo e Executivo de todo o território Brasileiro, ou se eu fosse alguém influente nas questões políticas, tornaria a leitura deste livro uma questão obrigatória antes de receber o mandato político ou administrativo aqui no Brasil.

As 128 páginas do livro estão divididas em 5 bons capítulos. O primeiro deles: Por que os cristãos devem influenciar positivamente o governo? O Autor traz a tona uma de suas experiências, realizada em 2016 em um evento da Vida Nova, aqui no Brasil e desenvolve todo um pensamento bíblico a respeito de politica e do que é verdadeiramente servir e ser um representante Cristão nos cargos públicos. Fala também sobre economia e política abertamente, sempre apontando e comparando com exemplos de cristianismo mostrados e relatados nos textos bíblicos. O mais interessante de tudo é que justamente os dois primeiros capítulos parecem uma espécie de resumo contextualizado não somente de conceitos de ética moral, mas trazem todo um pensamento e apresenta ainda, as ideias equivocadas que os evangélicos e igrejas possuem a respeito de política. Existe uma solução bíblica para isso, e é justamente nesta concepção que acontece todo o trabalhar no livro.

O Capítulo 2: O Papel do governo na regulação do mercado e desigualdade econômica. O autor aborda este papel governamental defendendo a economia de livre mercado. Textos bíblicos apontam advertências contra governos que tomam para si o que por direito legítimo pertence às pessoas, ensinando que a propriedade destes bens é, em geral, individual e não do Estado.

O capítulo 3: É correto o cristão participar de atos de desobediência civil, protestos públicos e tentativas de mudar o governo em situações específicas? Por meio de exemplos tanto do Antigo testamento quanto do Novo, o autor argumenta que homens e mulheres tementes a Deus desobedeceram às autoridades civis em submissão ao Senhor. Apresenta algumas aplicações ao citar exemplos de fatos recentes ocorridos nos EUA, nos quais cristãos corajosos desobedeceram ao Estado quando este lhe exigiu violação das leis de Deus, entendendo assim claramente que o mais importante de tudo na vida é submeter-se ao Senhor e não aos homens.

Já no penúltimo capítulo, 4, Direitos de propriedade inerentes ao oitavo mandamento são necessários para a prosperidade humana, existe todo um trabalho realizado em cima do foco e tema do livro. Os autores, até aqui, apontam como o direito à propriedade privada implica certas responsabilidades individuais, visto que os seres humanos são administradores de bens que pertencem, em última instância, ao próprio Deus (baseado em entendimento bíblico dos textos de Salmos 24 em diante).

O último capítulo: Qual o risco para o negócios se perdermos uma cosmovisão cristã? O que é apontado no encerramento da obra é que existe sempre algo porvir e que virá, que existe consequências para cada atitude ou ação, e o povo cristão precisa conhecer e estar preparado a assumir cada qual com suas devidas colocações. Basicamente, os autores apresentam cinco grandes convicções que podem ser perdidas caso estes cristãos não se deixem influenciar a sociedade com os padrões do divino. Em outras palavras, é mostrado biblicamente quais as crenças para cada situação dentro do cenário político e econômico de todo um país, onde o resultado do abandono ou distanciamento destas crenças ou convicções para os negócios e para a sociedade será a total desintegração e destruição decorrentes de maior intervenção estatal e da falta de valor do trabalho.

Todo o livro e a excelente obra, parece que tem muito (ou pelo menos deveria ter) com o Brasil e com os políticos que aqui teimam em querer fazer suas regras, suas posturas e seus próprios legados egocêntricos, deixando totalmente os interesses do povo e da sociedade para atenuarem, trabalharem apenas em interesses próprios e egocêntricos.

É preciso urgente que todos os cristãos (independente de qualquer credo denominacional) comece a atuar conforme os princípios bíblicos e proclamem esses princípios à sociedade, a fim de que a cosmovisão bíblica leve as pessoas a ser mais produtivas e a expressar amor ao próximo por meio de seu trabalho.

Realmente, no ensejo, a qualidade e o conteúdo desta obra me causou momentos de impactos profundos e de reflexões acerca do nosso querido Brasil. Está tudo muito nítido (só não enxerga quem não quer ver) que a Bíblia é objetiva quanto a política e a economia, não somente corrigindo mas principalmente relatado através de passagens pelos livros sagrados que é possível reconhecer a Deus (O Cristo vivo) em uma política e assim obter por meio deste reconhecimento, resultados incríveis e positivos a toda uma sociedade e consequentemente contagiar todo um País com o amor, o respeito e o cristianismo verdadeiro.

No mais, gostei bastante da leitura e indico não somente para indivíduos ou pessoas que pretendem ingressar num cargo político ou administrativo, mas todas as pessoas que exercem já algum tipo de influência (direta ou indiretamente) na posição que ocupa em seu trabalho com municípios, organizações não governamentais, entidades, prefeituras, conselhos e por ai adiante.

Sua leitura é bem fácil, não possuem textos complicados ou carregados de termos técnicos, todo entendimento se faz através da interpretação que os autores deram aos estudos dos princípios ético, morais e políticos através da leitura da Bíblia e seus ensinamentos. Tanto a igreja de Cristo como as igrejas locais, precisam se atentar aos fatos do que está acontecendo no cenário político e econômico do local, cidade ou região que se vive. Ao invés de uma postura omissa em relação ao governo, somos todos desafiados, com base nas Escrituras e em exemplos históricos, a influenciar a política e as leis, contribuindo para a justiça e a paz na sociedade em que vivemos.

Segue com uma boa recomendação de leitura que agregou a mim uma visão mais direcionada do que Deus quer que façamos nestas situações e posições quando ocupamos.

Por Carlos Xandelly

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A polarização nunca vai acabar

Se ouvíssemos Marina Silva, entenderíamos que a polarização acabou e veríamos como é possível viver juntando o melhor da esquerda e da direita. O problema é que Janaína Paschoal teve muito mais votos que Marina Silva. Janaina teve mais de 2 milhões de votos e Marina cerca de 1 milhão.

Por que biblicamente a polarização nunca acabará? Simples: porque desde o princípio dos tempos, a humanidade se divide entre Caim e Abel. Acreditar na terceira via é como acreditar que Caim e Abel poderiam superar diferenças e viver em paz.

O problema é que Deus tem lado nessa briga, e o diabo também. Quando Caim matou Abel, Deus levantou a Sete como substituto de Abel, e não como síntese hegeliana.

O cristão precisa entender isso. A Bíblia sempre vê a História como esse confronto entre os filhos de Caim e os filhos de Abel. Isaque e Ismael, Esaú e Jacó, José e seus irmãos, Moisés e Coré, Davi e Eliabe, Salomão e Adonias, Jesus e seus irmãos incrédulos.

Nosso papel não é pregar o fim da polarização por meio da síntese dos dois lados. Nosso papel é pregar o fim da polarização por meio da vitória dos filhos de Abel. É dizer aos filhos de Caim que se submetam ao culto que agrada o Deus de Abel enquanto há tempo para se arrepender. Os pastores hipster marineiros precisam entender isso.

Votos Marina Silva:
https://g1.globo.com/…/eleic…/2018/apuracao/presidente.ghtml

Votos Janaina Paschoal:
https://www.oantagonista.com/…/campanha-de-janaina-custou-…/

Helder Nozima


domingo, 30 de setembro de 2018

Um convite aos cristãos

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2:1-4)


Nesta semana, convido-os a separar um dia para jejuar pelo nosso País e pelas eleições. Não jejue apenas pelo Presidente correto. Jejue pelos que serão eleitos para o Congresso. Jejue pelo seu Estado e pela sua Assembleia Legislativa. Jejue pedindo a Deus que derrame sua graça sobre o Brasil e sobre a Igreja.

Sempre falei de Jesus claramente aqui. E lembro que é Jesus o único que pode salvar o Brasil de si mesmo. Pela Bíblia, o Brasil merece algo pior que a Venezuela. Todos merecemos o inferno. É apenas a graça de Cristo que nos dá emprego, saúde, paz e tudo o mais.

Como reformado, acredito que o Antigo Testamento não é outra aliança. O Novo Testamento é apenas a realização do Antigo. E o que aprendemos no Antigo Testamento é que Deus abençoa os países e governantes que buscam a Ele e se esforçam em guardar a sua Lei. Quando a Lei de Deus é desprezada, os juízos se multiplicam. O fator de sucesso não é a boa gestão da economia e nem o tamanho do Estado, mas sim o temor a Deus e a obediência a Ele.

O Ocidente de um modo geral tem se afastado de Deus e de sua Lei. O Brasil não é exceção. Ore para que Deus aja no coração do nosso povo e de nossos príncipes para que nos arrependamos e voltemos a Ele.

Ore também pela Igreja brasileira. As igrejas evangélicas brasileiras precisam de purificação. A Teologia da Prosperidade, a hipocrisia do evangelho de aparências e o legalismo são abominações que abundam em nosso meio. A Palavra tem sido mal pregada e mal exposta, inclusive no meio reformado. Há pouca oração verdadeira e tem faltado amor verdadeiro também. Nossos conceitos de justiça são mais seculares que bíblicos. Falta coragem pra confrontar os pecados em nosso meio.

Se o Brasil é impuro, talvez estejamos como o sal insípido, que só serve pra ser pisado pelos homens. Ore para que o arrependimento, a confissão e o choro comecem no meio da Igreja.

Jejue e ore. Os príncipes são nada diante de Cristo. Busque a bênção do Rei dos Reis.

Por Helder Nozima

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O comunismo, ou socialismo, é satânico por natureza

As expressões “comunismo” e “socialismo” recebem significados nem sempre muito precisos. Numa explicação bem resumida, daria para dizer que, segundo a teoria marxista, o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo. Este, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que substituiria o capitalismo, implicando o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado. “No socialismo, a sociedade controlaria a produção e a distribuição dos bens em sistema de igualdade e cooperação. Esse processo culminaria no comunismo, no qual todos os trabalhadores seriam os proprietários de seu trabalho e dos bens de produção”, diz a historiadora Cristina Meneguello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Portanto, o comunismo é uma ideologia política e socioeconômica, que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum dos meios de produção.

O comunismo já causou a morte de mais de 100 milhões pessoas através da fome, massacres políticos e genocídio. Criou sociedades em que o poder se concentra nas mãos de um pequeno grupo que escraviza nações inteiras e onde os campos de matança, gulags e campos de reeducação através do trabalho tornam-se parte da vida quotidiana.

Mas os fracassos econômicos, os assassinatos em massa e as nações escravas criadas pelo comunismo não são os maiores crimes desse sistema.

O maior crime do comunismo é a destruição da alma humana.

O objetivo-chave do comunismo é desmoralizar as sociedades: destruir a cultura, a religião e os valores básicos de qualquer sociedade em que ele toca.

Esse objetivo está claramente exposto no “Manifesto Comunista”, onde Karl Marx e Friedrich Engels escreveram em 1848 que o comunismo procura “abolir toda a religião e toda a moralidade”.

O mais assustador para uma pessoa é a destruição da fé, da crença e da moralidade. Na Bíblia, o Livro de Mateus estabelece: “E não temais aqueles que matam o corpo, mas a alma não podem matar; temais quem pode destruir a alma e o corpo no inferno”.

Temos visto repetidamente que o objetivo do comunismo é destruir a alma da Humanidade.

Quando a fome varreu a Rússia em 1921, depois que o ex-líder soviético Vladimir Lênin ordenou que fossem confiscadas todas as sementes dos camponeses, entre 5 e 10 milhões de pessoas morreram de inanição. Segundo o “Livro Negro do Comunismo,” a resposta de Lênin foi que a fome foi boa para o movimento comunista, porque “a fome destruiu a fé não somente no czar, mas também em Deus”.

Embora o comunismo use várias máscaras, e até tente convencer as pessoas de que suas intenções são boas, a influência de suas verdadeiras raízes sempre pode ser vista. E embora o comunismo pareça ser ateu, muitos de seus fundadores, incluindo Marx, não o eram. Eles tinham crenças satânicas.

O pregador romeno Richard Wurmbrand, que foi encarcerado sob um regime comunista, documentou muito desta história em seu livro “Marx e Satã”.

Um exemplo é Mikhail Bakunin, um dos sócios de Marx na Primeira Internacional, que escreveu: “O Mau é a revolta satânica contra a autoridade divina, revolta em que vemos o germe fecundo de todas as emancipações humanas, a revolução. Os socialistas se reconhecem mutuamente pelas palavras “em nome daquele que foi muito prejudicado”.

Ele também declarou: “Nesta revolução teremos que despertar o Diabo nas pessoas, para despertar as paixões mais baixas. Nossa missão é destruir, não construir”.

O satanismo de Marx é evidente em seus primeiros escritos. No poema “Invocação de um desesperado”, ele escreveu que “construiria [seu] trono nas alturas”, e continuou: “Em uma cimeira imensa e fria/por seu baluarte — supersticioso espanto,/Por seus agentes — a mais negra agonia./Quem olhar para ele com olhos sãos, retornará mudo, com palidez mortal;/ Nas garras da mortalidade cega e fria./Que sua felicidade prepare seu túmulo!”.

No poema de Marx “O violinista”, ele escreve: “Os vapores infernais sobem e enchem a mente/até que enlouqueço e meu coração está completamente mudado”, e “Você vê esta espada? O Príncipe das Trevas vendeu-o para mim”.

Em seu livro de 1968 “Marx”, o biógrafo Robert Payne escreveu que Marx “tinha uma visão do mundo como a do Diabo e a malignidade do Diabo. Às vezes, ele parecia saber que estava cumprindo o trabalho de maldade”.

Também podemos mostrar através dos principais dogmas do comunismo que ele é satânico por natureza. Isto remonta ao materialismo dialético, que Joseph Stalin descreveu em 1938 como “a perspectiva do partido marxista-leninista”.

O Satanismo trabalha invertendo valores dentro do sistema cristão. O materialismo dialético funciona invertendo os valores de todas as crenças tradicionais em todos os sistemas religiosos retos. Ele trabalha com três princípios para identificar, contradizer e eliminar o ponto médio. A inversão de qualquer valor tradicional se converte na agenda que impulsiona o comunismo e usa essas inversões das tradições e da moralidade para fazer a sociedade entrar em luta, de modo a usar esta luta para destruir os valores que existem dentro dessa sociedade.

O Papa Pio XI escreveu em 1937 que, sob esse sistema, o comunismo tenta “aguçar os antagonismos que surgem entre as várias classes da sociedade”. Usando isso, ele disse, os comunistas criam a luta de classes para criar ódio violento que possa impulsionar sua agenda sob a falsa bandeira de “progresso”.

O comunismo não é apenas um sistema político ou econômico. Suas formas existem dentro de muitos movimentos projetados para destruir nossos valores, nossas tradições e nossas crenças. É um espectro, como Marx descreveu, que visa destruir a Humanidade.
Pôster de propaganda russa do movimento anti-bolchevique de 1919 mostra os líderes comunistas Lênin, Trotsky, Kamenev, Radek, Sverdlov e Zinoviev sacrificando um personagem alegórico representando a Rússia para uma estátua de Karl Marx 

Por Joshua Philipp, Epoch Times

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Imunização cognitiva

Hoje é dia do Psicólogo. Parabéns! Segue um texto apropriado para esta época das eleições e interessantíssimo sobre psicologia das massas.

Os estudiosos explicam com a imunização cognitiva.

Cognitiva vem de cognição, que é o processo de aquisição do conhecimento, incluindo o pensar, a reflexão, a imaginação, a atenção, raciocínio, memória, juízo, o discurso, a percepção visual e auditiva, a aprendizagem, a consciência, as emoções. Envolve os processos mentais que influenciam o comportamento de cada indivíduo.

A imunização cognitiva é um escudo que permite que as pessoas se agarrem a valores e credos, mesmo que fatos objetivos demonstrem que eles não correspondem à verdade. A pessoa cognitivamente imunizada está no terreno da fé, que dispensa o raciocínio lógico. Para ela, argumentos lógicos não têm relevância.

E então assistimos gente com estudo, inteligente, articulada, que sabemos que não está tirando nenhum proveito material, defendendo em público o indefensável. Como é que essas pessoas chegam a esse ponto?

Bem, existem ao menos cinco fases no processo de imunização cognitiva.

Primeira fase: isolamento de quem tem opiniões contrárias, protegendo suas ideias. A pessoa vai eliminando de seu convívio ou mesmo de sua atenção, quem pensa diferente.

Segunda fase: redução da exposição às ideias contrárias. Passa a ler e ouvir apenas as opiniões em linha com seus credos. Nos estados totalitários, é quando a liberdade de expressão passa a ser ameaçada, quando a imprensa perde a liberdade, quando vozes dissidentes são caladas. É quando os processos educacionais adotam opiniões selecionadas, com autores e textos cuidadosamente escolhidos para seguir apenas uma visão de mundo.

Terceira fase: conexão dos credos a emoções poderosas. Se você não seguir aquelas ideias, algo de ruim vai acontecer. Lembra do "se você pecar, vai para o inferno"? Se você não votar naquele candidato, sua vida, suas economias, seus benefícios estarão em perigo...

Quarta fase: associação a grupos que trabalham para combater as ideias dos grupos contrários. Isso acontece não só em política, mas até mesmo na ciência, quando métodos de investigação científica focam nas fraquezas das teorias adversárias, ignorando os pontos fortes.

Quinta fase: a repetição. Repetição, repetição, repetição. Cria-se um tema, um slogan que materializa um determinado credo ou visão, que passa a ser repetido como um mantra, numa técnica de aprendizado. O grito "não vai ter golpe", por exemplo, não é uma criação espontânea, obra do acaso. É pensado, calculado. Sua repetição imuniza cognitivamente as pessoas contra os argumentos a favor do impeachment.

Os especialistas em psicologia das massas sabem que nossas mentes evoluíram muito mais para proteger nossos credos que para avaliar o que é verdade e o que é mentira. E os especialistas em comunicação constroem retóricas fantásticas, com intenção de desviar o tema principal e, especialmente, imunizar cognitivamente os soldados da causa.

E aí, meu caro, minha cara, não adianta mostrar o vídeo, o recibo, o cheque, o testemunho do caseiro, a ordem da transportadora, o grampo telefônico... O imunizado cognitivo está vacinado contra fatos objetivos.

Naturalmente esse "torpor cognitivo" não se restringe ao campo politico, social, econômico ou religioso. Ele perpassa todas as áreas da vida humana e faz, por exemplo, que uma pessoa acredite, mesmo contra a razão, que o Brasil é o melhor lugar do mundo, que o palmeiras é campeão mundial, que o capitalismo é o responsável por todos os males do mundo, que chá de boldo cura o câncer e por aí vai.

Tá explicado então? Se você está se sentindo entorpecido das ideias, incapaz de descer do muro, provavelmente alguém está lhe ministrando umas doses de imunizante cognitivo.

E você nem percebeu que está.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Teologia da libertação versus teologia bíblica



Libertação e justiça são temas populares na esfera pública. E os cristãos devem se interessar por tais temas. Nós fomos libertos e sabemos que Deus é justo.

Mas o que a Bíblia quer dizer ao falar sobre ser liberto? E sobre buscar a justiça?

Algumas vozes na igreja construíram paradigmas teológicos inteiros a partir desses temas, aplicando-os à sociedade como um todo. Considere afirmações como as seguintes:

[…] A única razão de ser [da teologia cristã] é apresentar em um discurso ordenado o significado da ação de Deus no mundo, para que a comunidade dos oprimidos reconheça que a sua sede inata por libertação não é apenas consistente com o evangelho, mas é o evangelho de Jesus Cristo.

A construção de uma sociedade justa tem valor em termos do Reino, ou, numa fraseologia mais comum, participar do processo de libertação já é, em certo sentido, uma obra salvífica.[1]

Essas assertivas foram feitas por James Cone e Gustavo Gutierrez, respectivamente. Ambos tiveram papéis influentes no desenvolvimento da chamada Teologia da Libertação na América do Norte e do Sul na segunda metade do século XX. A partir dos conceitos sociais de raça e classe, Cone e Gutierrez construíram sistemas teológicos que seriam, ao fim, adotados por cristãos protestantes na América do Norte, predominantemente em igrejas afro-americanas, e segmentos da Igreja Católica na América Latina.

Para avaliar e responder a propostas como essas, os pastores precisam da teologia bíblica.

Afinal, a teologia da libertação se estendeu hoje de modo a servir a uma miríade de outras causas – do feminismo à homossexualidade e ao ambientalismo. O objetivo deste artigo não é discutir essas ramificações contemporâneas, mas colocar uma teologia bíblica evangélica em diálogo com a teologia da libertação, como um estudo de caso para aprendermos como a teologia bíblica protege e fortalece as igrejas na sã doutrina.

O que a teologia bíblica tem a dizer…

Em um sentido genérico, teologia bíblica é simplesmente teologia derivada da Bíblia. E, embora esse compromisso certamente seja necessário para se chegar à verdade sobre Deus, muitas molduras teológicas – inclusive a teologia da libertação – reivindicam procedência bíblica.

Contudo, o termo “teologia bíblica” também se refere a um modo de interpretar a Bíblia, isto é, um modo que ajuda a compreender as narrativas menores as quais, juntas, compõem uma narrativa bíblica total. Ele se preocupa tanto com a grande imagem quanto com os seus pixels, em especial como os autores bíblicos entendiam os detalhes desses pixels à luz da grande imagem como um todo.

Então o que a teologia bíblica tem a dizer em resposta às reivindicações e objetivos da teologia da libertação? Eu posso pensar em cinco tópicos que a teologia bíblica desejaria abordar:

Sobre a opressão sistêmica: os contextos da teologia da libertação

Primeiro, a teologia bíblica expressará uma compreensão empática dos contextos sociais e políticos nos quais a teologia da libertação emergiu nas Américas. Indivíduos como Cone e Gutierrez estavam buscando, desesperadamente, demonstrar a relevância da Bíblia em meio a horrendas realidades sociais e econômicas. Poucos evangélicos na época estavam interessados em abordar tais coisas e muitos impediram progresso naquelas áreas.

A natureza corrosiva do racismo de Jim Crow no sul dos Estados Unidos e as realidades devastadoras da pobreza crônica na América Latina levaram pensadores teológicos a forjar um sistema que fosse tanto profético como público. Infelizmente, à medida que certas questões foram trazidas para o centro, o essencial foi empurrado para as margens.

A teologia bíblica não apenas nos chama a reconhecer esses contextos, mas também nos ajuda a examiná-las de maneira correta. Todas as injustiças no mundo apontam de volta para a queda e para a rebelião fundamental do homem contra Deus. Por exemplo, racistas são racistas porque são rebeldes contra Deus. E, ao apontar para a verdadeira origem do racismo, a teologia bíblica pode então seguir o rastro do enredo bíblico até descobrirmos que a cura definitiva está na pessoa e obra de Jesus Cristo. Apenas os cristãos têm a única mensagem apta a reconciliar racistas e outros rebeldes com um santo e justo Deus.

A missão da igreja local, sem dúvida, é entregar e espalhar essa mensagem evangélica.

Sobre o pecado: o réu da teologia da libertação

A teologia da libertação descreve o pecado não em termos de uma rebelião individual contra um santo e justo Deus, mas em termos de injustiça estrutural e coletiva. E negligenciar completamente os pecados do indivíduo é um erro. Por outro lado, pode-se fechar os olhos para as evidências da queda estrutural ao mesmo tempo em que se reconhece a pecaminosidade dos indivíduos que habitam essas estruturas.

A teologia bíblica encoraja o equilíbrio. O enredo da Escritura situa a origem do pecado no coração humano individual, de tal modo que Paulo pode concluir: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Mas, tão logo indivíduos caídos começam a construir civilizações, sua condição caída se concretizará nas instituições que governam a sociedade, do juramento de Lameque à decisão coletiva de construir Babel, às balanças enganosas e aos decretos iníquos (Gênesis 4.24; 11.4; Deuteronômio 16.19-20; Provérbios 16.11; Isaías 10.1-2). Uma lei ou prática injusta, em outras palavras, é uma injustiça institucionalizada ou estrutural.

Além disso, o enredo do Israel pré-exílico nos apresenta não apenas uma narrativa de atos pecaminosos discretos, mas da corrupção infecciosa de uma nação inteira, em parte devida às injustiças de seus reis e sacerdotes, cujos pecados manifestavam-se não apenas individualmente, mas institucional e estruturalmente – em tudo, desde os seus tratados com potências estrangeiras à prática do suborno e à exploração do órfão e da viúva.

Assim, falar da obra de Cristo ao cumprir a lei e os profetas é falar não apenas de uma lavagem e purificação individuais, mas de uma lavagem e purificação institucional e estrutural. Ele não é apenas o indivíduo justo; ele é o verdadeiro templo. Ele não apenas guardou o sábado; ele é o Senhor do Sábado. Ele não é apenas um novo Adão; ele é um novo reino e nação e governo.

Os cristãos, que se submetem ao governo de Cristo, deveriam, portanto, estar entre os primeiros a reconhecer não apenas a prevalência do pecado individual, mas do pecado institucional e corporativo. Ao considerarem a governança de Cristo, eles estão treinados para discernir a natureza de um governo verdadeiramente justo. Embora grandes falhas marquem o registro histórico nesse particular, indivíduos cristãos deveriam lutar para liderar o caminho não apenas de oposição a atos individuais de injustiça, mas às injustiças institucionais. Nós devemos servir como sal e luz em um mundo tenebroso. Ainda assim, a teologia bíblica compreende que este mundo continuará a falhar em refletir a glória de Deus, exatamente porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus.

Ademais, na teologia da libertação, o pecado é descrito dentro do binário oprimido/opressor. Não há espaço para debruçar-se sobre normas universais de comportamento ético. Além disso, parece que aqueles que constituem a comunidade dos oprimidos são até mesmo incapazes de cometer pecado.

Aqui, a teologia bíblica novamente enfatizaria a universalidade do pecado (Romanos 3.23; 5.12). Toda a humanidade, tanto os opressores quanto os oprimidos, é culpada de pecado. Essa culpa e corrupção herdadas têm sua gênese no Jardim, no qual tanto a inocência como o paraíso são perdidos por causa da desobediência idólatra (Gênesis 3.7, 23).

Isso significa que, dentro do enredo bíblico, até mesmo aqueles considerados vítimas são também vilões que necessitam desesperadamente da graça salvadora.

A Bíblia não conta uma história de mocinhos contra bandidos. Em vez disso, ela conta a história de um único que é bom, o qual sofre em lugar de um povo que é mau e em favor desse povo adquire o bem (2 Coríntios 5.21). O conflito humano procede da quebra da comunhão com Deus, da qual toda a humanidade padece. Qualquer teologia que rejeite este fato pode apenas enganosamente ser chamada “da libertação”, uma vez que ela confina seus aderentes à perpétua escravidão e, talvez, à condenação eterna.

Sobre a vitimização como lente interpretativa: a hermenêutica da teologia da libertação

A teologia da libertação ensina que a Bíblia deve ser interpretada sob a perspectiva do pobre e do oprimido. Ela faz isso a fim de evitar mais injustiças e de trazer à luz os sofrimentos das vítimas sociais. De fato, ela afirma que a Bíblia existe para revelar Deus como o libertador das vítimas oprimidas. Essa libertação é, de muitas maneiras, vista como a essência da mensagem da salvação.

Mas deveríamos nós utilizar a comunidade dos oprimidos ou os pobres como a lente interpretativa por meio da qual lemos a Bíblia? Uma teologia bíblica correta defende que a Bíblia não é sobre o homem, mas sobre o Deus-homem, Jesus Cristo. A pessoa e obra de Cristo é o ápice da história da redenção. Ele é o objeto último e o consumador da fé que justifica. Lembre-se de que Jesus colocou a si mesmo no centro da narrativa do Antigo Testamento (Lucas 24.27). Assim, uma hermenêutica centrada em Cristo é o princípio para abrir o significado das Escrituras.

Essa convicção nos ajuda a nos concentrarmos no conteúdo do grande drama bíblico. É a história da história dele, movendo da criação à queda, à redenção, à consumação. A Bíblia conta a história de um Deus que planejou, da eternidade passada, assegurar a salvação de um povo pecador ao enviar e sacrificar o seu Filho.

Sobre a narrativa do êxodo: o tema dominante da teologia da libertação

Para a teologia da libertação, especialmente a teologia da libertação negra, o relato do Êxodo é o tema central em torno do qual a teologia se orienta. O ato de Deus libertar o seu povo da escravidão egípcia estabelece as expectativas e a agenda atual da teologia da libertação.

Aplicar a história de resgate do Êxodo ao mundo temporal das nações e da política não começou no meio do século XX. Escravos negros americanos nos séculos XVIII e XIX foram atraídos para a narrativa do Êxodo, uma vez que ela refletia sua condição. A narrativa servia como uma prova positiva de que Deus era capaz de e desejava resgatar um novo Israel (escravos negros) de um novo Egito (América). Olhando mais além, os puritanos do século XVII que atravessaram o Atlântico consideravam estar deixando um Egito (Inglaterra) em missão divina, embarcando no que um historiador chamou “uma peregrinação pelo deserto”. Não obstante, a teologia da libertação moderna foi a primeira a tomar essa narrativa e aplicá-la como normativa às comunidades oprimidas.

A teologia bíblica expõe diversos problemas com essa pressuposição prescritiva. Primeiro, ela ignora o fato de que as pragas culminam na morte dos primogênitos e na Páscoa, um ato de julgamento que caía tanto sobre os descendentes de Abraão quanto sobre o resto do Egito. Os descendentes de Abraão, contudo, tinham um modo de escapar por meio de um sacrifício substitutivo. Os Evangelhos, depois, caracterizam Cristo como o nosso Cordeiro Pascal (por exemplo, João 1.29). Não seria correto dizer, portanto, que o caminho do nosso êxodo é por meio do sacrifício expiatório desse Cordeiro Pascal, em vez de, por exemplo, por meio da modificação de leis injustas?

Segundo, a teologia da libertação falha em reconhecer – ou, pelo menos, parece menosprezar – a realidade pactual em que o Êxodo se expressa. O Êxodo não foi um evento meramente político e socioeconômico. Em vez disso, Deus estava mantendo uma promessa pactual ao reunir para si mesmo um povo pactual: “Tomar-vos-ei por meu povo [israelitas] e serei vosso Deus” (Êxodo 6.7). A Antiga Aliança, então, foi cumprida na Nova. E em nenhum lugar Jesus faz uma nova aliança no seu sangue com os puritanos. Ou com os escravos negros. Ou com os excluídos da América do Sul. Em vez disso, ele oferece uma nova aliança por todos aqueles que se arrependem e crêem em sua obra pactual realizada.

Terceiro, a teologia da libertação falha em considerar o objetivo do evento do Êxodo. Deus diz a Faraó: “Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto” (Êxodo 7.16, ênfase acrescida). O objetivo não era, em última instância, a libertação política ou econômica, mas ajuntar um povo governado por Deus, obediente e adorador. E, contudo, nós sabemos que os israelitas acabaram por fracassar em submeter-se ao governo de Deus, fracassaram em adorar e fracassaram em obedecer. Embora eles tenham sido resgatados da escravidão física, permanecem em escravidão espiritual. A teologia da libertação, portanto, põe a sua esperança num Êxodo que, literalmente, não liberta e jamais libertou.

Felizmente, o tema do Êxodo não está confinado ao Pentateuco; ele está presente em toda a Bíblia. A desobediência pecaminosa de Israel culmina com os cativeiros assírio e babilônico nos séculos VIII e VI a.C., respectivamente. Antes desses cativeiros, os profetas Isaías e Jeremias falaram de um novo Êxodo, um que iria ofuscar o primeiro. Segundo esses profetas, este Êxodo, quando plenamente realizado, não apenas incluiria o retorno dos exilados, mas, e mais importante, a libertação espiritual.

Assim, o grande descuido da teologia da libertação no que se refere à narrativa do Êxodo é que ela falha em tratar o evento do Êxodo como uma sombra da libertação que Cristo traz. À medida que a Bíblia se descortina e a Nova Aliança é estabelecida, Cristo é retratado como um superior Cordeiro pascal (1 Coríntios 5.7), como um superior Moisés (Hebreus 3.1-6) e como o verdadeiro Israel (Oséias 11.1; Mateus 2.15). Colocando de modo simples, o Êxodo é, em sua plena expressão, a salvação eterna do pecado e da condenação, salvação que só se pode encontrar em Cristo. Um novo povo de Deus está sendo moldado segundo a sua justiça, não segundo uma identidade étnica ou uma condição social.

Sobre o fim dos tempos: o erro escatológico da teologia da libertação

É difícil discernir o que a teologia da libertação ensina sobre o fim dos tempos. O modo como Deus levará este mundo ao seu fim apropriado não constitui uma preocupação imediata dos teólogos da libertação. Além disso, a realidade de uma vida por vir é raramente discutida. O que importa é o aqui e o agora e como a opressão, a pobreza e a injustiça podem ser erradicadas hoje. Ela sustenta que uma teologia preocupada com um mundo superior e por vir paralisa as comunidades oprimidas e justifica o status quo. Portanto, a teologia da libertação busca desiludir as pessoas de suas expectativas futuras e encorajá-las a buscar essas esperanças futuras agora.

Embora perigosamente desorientada, há algo de valor a se reconhecer aqui. A teologia da libertação oferece uma crítica justa a alguns na comunidade evangélica, ao expor o que pode apenas ser considerada uma indiferença para com a injustiça social, ainda que escondida sob uma doutrina ortodoxa.

Não obstante, o corretivo que a teologia bíblica oferece é de imensa importância: ela afirma a ressurreição final e a nova criação por vir. O testemunho bíblico está cheio de um constante refrão da esperança eterna. As alianças bíblicas culminam na nova aliança em Cristo, marcada pelo selo da habitação do Espírito – o literal penhor da prometida herança a se receber (Efésios 1.14). E, contrário ao que a teologia da libertação sugere, a esperança dessa herança encoraja tanto a paciência que reflete a Cristo (2 Coríntios 4.17-18; 1 Pedro 2.21-23) como os esforços que exaltam a Cristo (1 Coríntios 15.58).

A teologia bíblica expõe o fato de que a teologia da libertação não apenas tem uma escatologia excessivamente realizada, mas se engana completamente acerca do fim dos tempos. O objetivo último do drama bíblico da redenção não é fazer com que o homem habite com o homem em harmonia e igualdade. O objetivo do drama se realizará e se expressará na exclamação desta grande voz: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles.” (Apocalipse 21.3). Infelizmente, a libertação que importa não pode ser encontrada na teologia da libertação.


Notas:
[1] As citações no início deste artigo – assim como os ensinamentos em geral do sistema teológico criticado – foram respectivamente extraídas de James H. Cone, A Black Theology of Liberation, Fortieth Anniversary Edition (New York: Orbis Books, 2010) [N.T.: Sem tradução em português] e Gustavo Gutierrez, A Theology of Liberation, 15th Anniversary Edition (New York: Orbis Books, 1988) [N.T.: Publicado em português sob o título Teologia da libertação: perspectivas (São Paulo: Edições Loyola, 2000)].

Por: Steven Harris. © 2014 9Marks. Original: Biblical Theology and Liberation.
Este artigo faz parte do 9Marks Journal.
Tradução: Vinícius Silva Pimentel. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Teologia Bíblica e Teologia da Libertação.