sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A meninização e feminilização do homem cristão

Falta homem na igreja? Não. Faltam homens que se comportem como homens? Sim. Sobram meninos. E permitam-me dizer: faltam homens com postura masculina, tanto no agir, como na aparência. Isso é um problema? Com certeza. E qual o estado desse problema? Grave! Infelizmente estamos criando uma geração de jovens cristãos meninos e femininos. Meninos pelo comportamento, pela falta de compromisso, de seriedade e de posicionamento diante de Deus e da comunidade. Femininos pelo modo de vestir, se expressar e comportar diante de Deus e da comunidade.

Qual o problema?

A igreja precisa de homens, e muito. De mulheres também, mas primordialmente de homens. Nós fomos chamados a exercer o papel de liderança, de ensino, de defesa, de posicionamento, direcionamento e de exemplo para as gerações mais novas. A igreja precisa contribuir para a formação de homens de verdade. O problema é que muitas estão contribuindo para a formação de meninos. Muitas estão contribuindo para a feminilização dos jovens. Meninos não lideram, não se posicionam e nem direcionam da maneira correta. A igreja não se sente segura. As ovelhas, principalmente mulheres e crianças, não depositarão confiança em homens que transpiram feminilidade. Uma igreja não é saudável quando seus homens não são homens de verdade. Não estou falando de homossexualidade, mas da falta de postura de um verdadeiro homem de Deus. A igreja não pode estar nas mãos de meninos.

Quais são as causas?

A igreja é a culpada, claro. Não todas, lógico. Como? Produzindo entretenimento em vez de alimento sólido. Entretenimento produz meninos, exposição séria da Palavra produz homens. Não defenderei nem o equilíbrio entre eles, pois é preciso bem mais exposição da Palavra do que entretenimento. Quando as brincadeiras, palhaçadas, gincanas, festas e shows ganham destaque no agir da igreja a meninização se destaca nos jovens. E o que falar da feminização? Homens crescem em masculinidade com outros homens. É comum ver igrejas e jovens que têm seus exemplos de fé somente ou principalmente em mulheres. Muitos deles constroem seus referenciais em cantoras gospel ou pastoras famosas. Muitos são incentivados a dançar como mulheres. Muitos são influenciados por pastores meninos a se vestirem com traços femininos. A falta de homens causa mais falta de homens. O produto do entretenimento é a meninização. A falta de referencial é a causa da feminilização.

Quais são as consequências?

Quando meninos lideram eles produzem mais meninos. Quando meninos lideram eles não se tornam referenciais sérios de masculinidade. Quando meninos lideram a juventude cristã definha. A igreja perde sua força de sal e luz e vira uma cópia maquiada do mundo. Os jovens perdem o interesse pela Escritura, discipulado, evangelismo verdadeiro e santidade. Líderes produzidos pelo entretenimento gospel produzem dependentes de entretenimento gospel. E tudo isso colabora para a feminilização dos jovens. Fico triste de visitar congressos e shows onde grande parte dos jovens homens não se vestem, falam e agem como homens. Preconceito? Não, preocupação. Roupas não querem dizer muita coisa, mas elas nunca estão sozinhas, na maioria das vezes apenas refletem o comportamento de meninos gospelmente mimados. Esses serão os próximos líderes, e se assim continuar, nossa igreja sofrerá nas mãos de uma geração de homens mais interessada em brincar de igreja do que sofrer por ela.

O produto do entretenimento é a meninização. A falta de referencial é a causa da feminilização.

O que devemos fazer?

Líderes, principalmente de jovens, precisam tomar uma atitude. Aqueles que já desempenham uma liderança verdadeiramente masculina e compromissada com a Palavra devem continuar firmes, mesmo quando as tentações da moda e entretenimento baterem na porta. Esse líderes devem incentivar o crescimento espiritual e a maturidade nos jovens, escolhendo bem aqueles que liderarão outros e as futuras lideranças. Aqueles que insistem no entretenimento, nas modinhas e brincadeira devem dar mais atenção a Palavra. Em alguns casos até acabar de vez com qualquer aspecto dessa onda de brincadeiras e loucuras eclesiásticas. Os influentes devem começar a viver como homens de verdade, não meninos. Devemos ensinar sim, que homens possuem traços e comportamento de homem. Até brincar devemos brincar como homens. Palhaçada demais pode significar Bíblia de menos. Fico triste em ver igrejas que em todas as programações algo diferente, engraçado ou holywoodiano precisa acontecer. Fico triste ao ver líderes incentivando a meninice. Voltemos a suficiência das Escrituras. Resgatemos a seriedade que é ser um homem de Deus.

Por Pedro Pamplona, 
pamplonapedro.wordpress.com

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Predestinação e livre arbítrio

Estamos diante de um tema de difícil explicação, e a razão pelo qual é complexo se dá pelo fato de que ambas as posições são escriturísticas. O assunto tem sido objeto de discussão através da história do cristianismo a mais de dois mil anos, e hoje tem sido para nós um grande desafio. Os teólogos chamam estas interrogações de antinomia. Isto acontece quando duas doutrinas bíblicas parecem discordar uma da outra. 

O obstáculo notório é que na Bíblia existe uma coleção de versículos afirmando que Deus é soberano para escolher quem ele quer. Ele escolheu, predestinou, elegeu. Em sua soberania ele tem seus escolhidos desde a fundação do mundo (Rm 8.29; Ef 1. 4-5,11; Rm.9. 6-29; 1Pe. 2.8; Jd 4; 1 Pe 1.2,20. Nas palavras de Jesus esta verdade é confirmada: Ninguém poderá vir a mim, se, pelo pai, não lhe for concedido (Jo. 6.65; 6.44; 10.25-28).

Por outro lado, encontramos vários versículos que afirmam o contrario e diz que o homem deve se arrepender, e, portanto é responsável pelos seus atos. Deus é paciente em esperar nosso arrependimento (2 Pe. 3.9), é possível rejeitar a salvação (Mt. 23.37), temos o livre arbítrio pra ouvir ou não a sua voz e arrepender-se (Ap. 3.20). Leia também: Lc 15.7; Ap.16.9; Ap.16.11. 

Sua soberania é indiscutível porque esta verdade esta explicita em toda a Bíblia. Ele é o Deus todo poderoso e soberano sobre todas as coisas. Tanto o homem como todas as coisas que foram criadas têm como propósito glorificar o Deus de toda a eternidade porque tudo foi feito por ele e para ele, e, portanto ele é indiscutivelmente soberano para escolher quem ele quer.

O homem por sua vez deve arrepender-se de seus pecados, reconhecer sua condição de pecador, sua depravação. Sua responsabilidade está em retornar para Deus numa atitude de humilhação e arrependimento sincero. Deve ouvir a voz de Deus (Ap.3.20), Aceitar a salvação (Mt.23.37) e atender a perspectiva de Deus quanto ao arrependimento.

O tema predestinação e livre arbítrio têm levados vários estudiosos da Bíblia a trilhar no caminho perigoso do extremismo. O hipercalvinismo e o arminianismo extremo tomam posições radicais não deixando espaço para uma análise mais equilibrada das escrituras.

O primeiro afirma que Deus já tem seus escolhidos desde a fundação do mundo e, portanto não há necessidade de evangelizar. Deus haverá de salvar os seus. O Hipercalvinismo não admite a ideia da responsabilidade humana dogmatizando a doutrina da predestinação.

A segunda diz que o homem deve buscar e se esforçar para receber a salvação, não crê na depravação total do homem, não admitindo a ação exclusiva de Deus quanto à salvação dos perdidos. 

Não optando pelos extremos, entendemos que o assunto deve ser analisado com prudência e humildade, pois ambas são escriturísticas. Como já dissemos, a soberania de Deus é indiscutível, mas algumas questões difíceis de explicar precisam ser colocadas aqui.

Primeiro, como Deus pode escolher a uns e desprezar a outros, visto que as escrituras diz que Deus não faz acepção de pessoas (Mt.11.28; Jo.17.20; 6.39) ? Seria pela sua presciência, sabendo quem haveria de aceitar a Cristo (arminianismo), ou pela sua soberania escolhendo quem ele quer (calvinismo)?

Segundo, e o que dizer do caso de faraó onde as escrituras nos informa que num momento Deus endurece seu coração, mais adiante o rei por sua própria vontade endurece o seu coração (Ex. 9; 12; 8:15). Soberania de Deus e livre arbítrio se misturam no caso de faraó? Difícil de responder.

Não há outro caminho a trilhar se não o do equilíbrio (Pv.3.21). Creio na possibilidade de unir duas verdades bíblicas que parecem divergir uma da outra num paradoxo. Não podemos exaltar uma doutrina em detrimento da outra, ambas são como duas linhas que correm horizontalmente lado a lado e que se encontram no final. Como diz o Dr. Augustus Nicodemus, são como dois trilhos de trem que seguem no sentido horizontal e depois desaparecem. Não sabemos o destino, somente no final.

Olhando por esta janela, podemos crer que Deus é soberano para predestinar, eleger, escolher e até rejeitar quem ele quer, mas por outro lado, o homem é responsável pelos seus atos. É desafiado a buscar a Deus. Deve arrepender-se de seus pecados, crer em Jesus e aceitá-lo como Senhor e Salvador de suas vidas. Certamente o mistério que atravessa os séculos será revelado na eternidade, pois como diz o apostolo Paulo: Conhecemos em parte, mas na sua vinda o que está oculto será revelado (1 Cor. 13. 8-12).

Portanto, Deus é soberano e tem os seus escolhidos desde a fundação do mundo, no entanto a escritura anuncia a todos os homens que se arrependam e se convertam dos seus maus caminhos (Mt 4:17;Mc 1:15;At;2:38;At:17:30).

Por Marcos Aurélio dos Santos

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ideias equivocadas sobre a eleição divina

“Aquele que vier a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37)

Há sempre aqueles que não compreendem a mecânica da eleição, aqueles que leem na doutrina coisas que não estão ali. Por isto, será proveitoso dedicarmos algum tempo examinando algumas ideias equivocadas sobre esta grande e gloriosa doutrina. Existem sempre aqueles que dizem, “Não está certo, não é justo Deus escolher algumas pessoas e deixar outras”. Há diversas maneiras de responder a esta objeção. Nós podemos dizer, como o apóstolo Paulo em Romanos 9: 20-21, “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quemo fez: porque me fizeste assim? Ou não temo oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra, e outro para desonra?”. Quem é o homem para dizer a Deus que Ele é injusto? Ele é o Criador, e pode fazer com a criatura o que bem Lhe agradar. Nós também podemos responder a esta objeção (de que não seria justo Deus escolher alguns homens e deixar outros) dizendo que fazer esta objeção é negar um fato cardeal de Evangelho — nominalmente que a Salvação não é uma recompensa a ser ganha, ou um prêmio a ser merecido. É simplesmente um dom imerecido. E uma vez admitindo que a Salvação é um dom, nós, pela lógica, somos levados a aceitar a doutrina da eleição. Porque se é um dom — um dom, lembre-se, Deus pode distribuir como Ele quiser. Ele não apenas tem esta prerrogativa, mas de acordo com as Escrituras Ele a exerce. “Logo, ele tem misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz”. (Romanos 9:18). Deus não está em débito com ninguém. Ele poderia mandar todas as almas para o inferno, e ainda assim ser justo, pois a salvação não é questão de justiça, mas uma questão de graça, e graça é um dom e um dom é dado de acordo com a vontade do doador. 

Se Você o Quer, Então Você Já Recebeu 

Sempre surge a questão, “E a pessoa que deseja ser salva, mas não pode ser, no caso de não ser um dos eleitos de Deus?”. Deixe-me enfatizar uma coisa — tal pessoa não existe! Seria impossível para uma pessoa desejar a Salvação e não recebê-la, porque você vê, o simples desejo pela Salvação já é uma indicação de que Deus deu àquela pessoa o desejo. E se Deus deu-lhe o desejo, também providenciará para que tal desejo seja satisfeito e cumprido. Lembre-se, é uma cadeia intacta e contínua. Se a pessoa deseja conhecer a Cristo como Salvador, isto é um sinal seguro de que Deus já iniciou nela, em seu coração, a obra da graça; e aquela obra, tendo sido iniciada, será completada, e a pessoa virá em fé a Cristo. Criar uma pessoa que suspira, “Ó, eu desejo ir para o céu, mas não posso porque não sou um dos eleitos de Deus,” é criar uma pessoa hipotética, inexistente. Suponha que eu tenha algo em minha mão que você considere sem valor; algo absolutamente sem utilidade para você. E suponha que eu diga, “Eu vou dar esta coisa para fulano de tal”. Você não tem o menor direito de resmungar ou reclamar porque, para início de conversa, você nem iria querer aquela coisa. O descrente, o não cristão, diz através de sua atitude e comportamento na vida, que ele não quer Deus, não quer Cristo, e não quer salvação. Mas se ele quer, então ele os terá a todos. Cristo nunca afastará de si aqueles que vierem a Ele; é Ele mesmo que diz, “Aquele que vier a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37). Se você O quer, então você pode tê-Lo. E Se você não O tem, é porque você não O quer. Portanto, não crie a pessoa hipotética que diz, “Eu O quero, mas não posso tê-Lo”. Tal pessoa não existe. 

Os Meios da Salvação 

Mas, isto levanta sempre uma outra questão: Então para que pregar o Evangelho a alguém se aqueles que vão ser salvos, serão salvos, e aqueles que não vão ser salvos, não serão salvos? Qual então a razão de toda a conversa sobre evangelismo e missões, e para que toda a excitação sobre a pregação e a oferta de convite para alguém aceitar a Cristo como Salvador? A eleição não cortaria o nervo do evangelismo? Claro que não. Honestamente, pensemos bem nisto. Você espera estar vivo no próximo domingo? Diga-me a verdade. Você espera estar vivo no próximo domingo? Você sente que Deus lhe dará mais uma semana na terra? Você realmente sente, não sente? É claro que sim. Neste caso você não precisa comer nem beber hoje, ou amanhã, ou durante toda a semana; você não necessita nenhuma comida ou bebida ou repouso ou medicamentos, se você estiver tomando algum, durante a próxima semana. Por quê? Porque se Deus tem predestinado para que você seja mantido vivo durante a próxima semana, então não importará o que você faça. Pense bem, não é isto ridículo? É total estupidez, não é? Se você espera estar vivo na próxima semana, então você irá aplicar e usar os meios que Deus usa para manter a vida. Você irá comer, beber, repousar, tomar medicamentos, se necessário. O mesmo princípio se aplica à eleição. Deus ordenou não apenas o fim, a salvação de certas pessoas. Ele também ordenou os meios pelos quais a salvação será realizada. E de acordo com a Bíblia, Deus ordenou a proclamação do Evangelho como o meio que Ele usa para trazer as pessoas das trevas para a Sua maravilhosa luz. Você ainda acha que isto corta o nervo do evangelismo? Pelo contrário, a doutrina da eleição encoraja o evangelismo. É o maior de todos os motivos possíveis para se sustentar um testemunho fiel e verdadeiro. É uma coisa aterradora perceber que Deus pode ter incluído você em Seu plano eterno para a salvação de algumas outras pessoas. Isto faz você querer sentar-se e ficar girando os polegares? Claro que não! Isto faz você desejar dizer a todos quantos se encontrar que, “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). 

Por W. Wilson Benton Jr.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A mecânica da eleição divina

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E, aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” (Romanos 8:29-30)

Qual é a mecânica da doutrina da eleição? Como ela funciona? Para responder a esta questão, volvamos a atenção para o trecho das Escrituras que tem sido chamado de a corrente ou a cadeia de ouro de Romanos 8, versículos 29 e 30.  Segundo W. Wilson Benton Jr., a mecânica da eleição está dividida em quatro elos. É uma corrente que, estendendo-se de eternidade a eternidade, a um ponto, desce e toca o tempo. Um dos extremos está ancorado na eternidade passada, onde fomos pré-conhecidos e predestinados — e a outra extremidade está ancorada na eternidade futura, onde somos glorificados — o meio desta cadeia descendo e tocando a terra onde somos chamados e justificados. 

Trata-se de uma cadeia contínua e ininterrupta. Não é que alguns foram pré-conhecidos, e destes, alguns foram predestinados, e destes, alguns foram chamados, e destes, alguns foram justificados, e destes, alguns foram glorificados. Não! todos os que foram de antemão conhecidos, foram também predestinados, e estes foram chamados e justificados, e também glorificados. 

Um Conhecimento Íntimo 

Olhemos de perto os elos daquela corrente. “Aos que Deus de antemão conheceu”. O que isto quer dizer? Bem, alguns dizem que quer dizer que Deus estava previamente familiarizado com todas as pessoas antes mesmo que algum ser humano tivesse nascido. Deus conhecia todos os homens. Vejamos como que isto se encaixa. Se conhecer previamente significa estar previamente familiarizado com todos os homens, e eles dizem que Deus estava previamente familiarizado com todos os homens, então Deus previamente conheceu todos os homens. Isto implica, então, que todos são predestinados, todos são chamados, todos são justificados, e todos serão glorificados. E isto significa que todos os homens estão indo para céu. “Não”, nós dizemos, “Não pode ser este o significado. Talvez queira dizer que Deus de antemão conhecia alguns aspectos da vida das pessoas.” “Aqueles a quem Deus soube de antemão que aceitariam a Jesus Cristo como Salvador, estes ele predestinou para a vida eterna”. A Bíblia também não diz isto. Você poderá procurar em toda a Bíblia, de capa a capa, pela qualificação desta afirmativa, e não encontrará. Ela apenas diz. “Aqueles que Deus de antemão conheceu”. A chave para entender a palavra neste caso, reside em entender o que significa conhecer alguém no sentido bíblico. De acordo com o uso nas Escrituras, conhecer alguém significa ter com ela um relacionamento próximo, íntimo e pessoal. Existem pessoas em nossas congregações sobre as quais poderíamos afirmar que “Já nos vimos algumas vezes, mas eu realmente não as conheço”. Nós estamos usando o verbo “conhecer” num sentido bíblico, quando fazemos tal afirmativa. Deus falou, referindo-se a Israel, “De todas as nações, somente a vós outros vos escolhi” (“conheci”) (Amós 3:2a). Aquilo não quer dizer que Deus não conhecia as outras nações. É claro que Ele as conhecia todas. Mas foi sua maneira de dizer “Eu tenho um relacionamento especial com você”. Quando Maria foi informada pelo anjo de que ela teria um filho, ela disse, “Como se fará isto, visto que não conheço varão?”. Com isto Maria não quis dizer que nunca havia visto um indivíduo do sexo masculino; o que ela disse foi que nunca havia tido um relacionamento íntimo com um homem, a ponto de conceber dele um filho. Este é o significado do verbo “conhecer” na Bíblia, e é o significado usado naquela passagem de Romanos. Quando Deus de antemão conhece seu povo, isto quer dizer que Ele tem com as pessoas envolvidas um amor especial, e entra com eles num relacionamento especial, muito antes deles virem a nascer. Este é o primeiro elo da cadeia: Deus de antemão conhece seu povo.

No Caminho para a Salvação

Naquela passagem também é dito, “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou”; quer dizer que Ele não apenas escolheu um povo para Si, mas ele estabeleceu o procedimento através do qual esse povo viria a Ele. Charles Spurgeon formulou um modo interessante para explicar o relacionamento entre pré-conhecimento (conhecimento de antemão) e predestinação: “O pré-conhecimento foi pelo mundo afora marcando as casas às quais a salvação viria, e os corações onde o tesouro deveria ser depositado. O pré-conhecimento olhou a raça humana, desde Adão até o último, e marcou comum a estampa sagrada aqueles para os quais a Salvação havia sido designada. Depois veio a predestinação. A predestinação não apenas marcou as casas, mas mapeou o caminho através do qual a Salvação deverá viajar até chegar à cada casa. A predestinação ordenou cada movimento do grande exército da Salvação; ordenou o tempo quando o pecador será trazido a Cristo, a maneira como será salvo, e os meios que devem ser empregados; a predestinação marcou a hora exata e o momento quando Deus, o Espírito, deve vivificar mortos em pecados, e quando paz e perdão serão comunicados através do sangue de Jesus Cristo. A predestinação marcou o caminho de modo tão completo, que a Salvação não saltará jamais um passo, não queimará etapas, nem jamais estará perdida no caminho”. Este é o segundo elo da cadeia: Deus ordenou os meios pelos quais uma pessoa virá à fé em Jesus Cristo.

O Chamado do Espírito

O terceiro elo é o chamado, e aqui a cadeia desce da eternidade até o tempo. “E os que predestinou, a estes também chamou”. Aqueles a quem Deus escolheu, Ele os chamou no homem interior, pela operação de Seu Espírito, para, em fé, responder à oferta do Evangelho. Muitas pessoas têm sido chamadas; pense nisto. Pense nos milhões de pessoas que têm ouvido Billy Graham na televisão, ou pense nos milhões de pessoas que ao longo da história têm ido às igrejas e ouvido o Evangelho sendo pregado, e o convite para aceitar a Cristo como Salvador sendo oferecido. Muitos são os chamados, mas poucos são os escolhidos. Muitas pessoas ouvem exteriormente o chamado do Evangelho, mas poucos respondem interiormente. Apenas aqueles que são chamados pelo Espírito de Deus responderão interiormente. Sem o chamado do Espírito de Deus, a pessoa jamais responderá ao convite. Ela está, de acordo com as Escrituras, morta em delitos e pecados (Efésios 2:1). Ela não pode fazer nada até que o Espírito a desperte, dizendo, “Ouça, é a voz de Deus a chamar-te”. Este é o terceiro elo da cadeia: o chamado do Espírito de Deus para aceitar a Jesus Cristo em fé.

Perdoado dos Pecados

“E aos que chamou, a estes também justificou” — o quarto elo da cadeia. A pessoa que responde ao chamado e aceita a Cristo como Salvador é a pessoa que é perdoada de seus pecados. A justiça de Cristo torna-se a sua justiça, e a morte de Cristo torna-se a sua morte, e a penalidade por seus pecados é paga. Aos olhos de Deus, a pessoa permanece “como se” nunca tivesse pecado. Diante da Lei é declarada justa.

A Certeza do Céu

Os que são justificados aos olhos de Deus, são os que são glorificados. Você e eu somos glorificados, mas você diz, “Espere um minuto, você fala como se eu já estivesse no céu. Mas eu ainda não cheguei lá.” Não, mas o texto usa o tempo passado, não usa? “E aos que justificou, a estes também glorificou”. A segurança é tamanha, e é tão certo na mente de Deus que você estará nos céu, que Ele pode falar como se você já estivesse lá. Se Deus chamou você, então você ouvirá e responderá, e em respondendo lhe será dada a segurança da vida eterna na presença Dele. Este é o quarto elo da cadeia: E aos que chamou, a estes também justificou e glorificou.

A cadeia é intacta e contínua. Deus o Pai escolhe; Cristo o Filho morre; e o Espírito Santo nos chama à fé — as três pessoas da Trindade estão unidas em trazer-nos a Salvação. Este é o modo como funciona, a mecânica da Salvação.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pelo que você tem morrido?

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida? Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras. (Mateus 16:24-27)

“Fique rico ou morra tentando”. A ideia que o autor quis expressar nessa frase é que ficar rico era o motivo pelo qual ele vivia. Ele lutava para acumular riqueza e ter dinheiro de tal forma que, ou conseguiria ficar rico, ou preferia morrer tentando. Ele dizia que nunca desistiria do seu objetivo. A vida dele foi guiada por esse lema: fique rico ou morra tentando. No final da vida ele estava rico, mais ainda tentava ficar mais rico. A enorme riqueza que possuía ainda não o satisfazia o desejo do seu coração.

Nós cristãos somos chamados por Deus para morrer tentando fazer muitas coisas: seguir Jesus Cristo, pregar o Evangelho, fazer discípulos, cuidar um do outro, etc. Antes de fazermos qualquer coisa para o Reino dos Céu, precisamos primeiramente aprender a seguir a Cristo. Seguir a Cristo é um ato que dever ser encarado como uma morte. O primeiro convite formal de Jesus aos seus pretendentes seguidores foi à morte. Jesus disse que se quiserem segui-lo, teriam que negar a si mesmos.

Antes de dizer “sim” para Deus, devemos dizer “não” para nós mesmos. O mundo diz “vamos nos permitir”, o Evangelho diz “vamos nos negar”, vamos negar os nossos desejos e dizer “não” para aquilo que somos e queremos. Quando dizemos “não” para nós mesmos, nós tomamos em nossas mãos uma cruz. A cruz para o crente é um símbolo religioso, mas antes de sê-lo, a cruz era um instrumento de pena capital, usado para a morte dos piores criminosos daquela época. Antes de passarmos pela morte para o mundo, somos os mais miseráveis pecadores. 

Jesus não nos convidou para segui-Lo de uma forma politicamente correta. Ele começou com um convite duro, forte e assustador. Começou com uma mensagem que convidava o homem não para ter uma vida melhor, não para experimentar uma plenitude de alegria, não para ter um carro do ano, uma mansão, lazer, viagens etc. Também não era uma mensagem para resolver conflitos interiores, problemas no casamento, desavenças com os filhos, com os parentes, etc. A mensagem de Jesus era para abrir mão da vida terrena. Era uma mensagem para abraçar o sacrifício, a cruz, a negação do “eu”, dos sonhos e tudo mais. Se quisermos seguir a Jesus, devemos saber que seguiremos alguém que foi assassinado injustamente, que foi morto numa cruz, e tudo fez por amor.

No primeiro momento, o chamado de Cristo é para morrer. Evidentemente, não é uma morte física, ou um suicídio, mas é uma morte para esta vida terrena. É dizer como Paulo, não mais vivo eu, eu não tenho uma vida que é minha, mas agora há um Cristo que vive em mim. E a vida que agora eu vivo, eu vivo na fé em Jesus. O chamado é para a morte, mas uma morte que promete outra vida. É um chamado para que no caminho morramos como Cristo morreu, para mais adiante ressuscitarmos como ele ressuscitou, para uma imerecida vida. 

Nós somos desafiados a abrir mão do plano terreno para alcançarmos o plano divino. Isso é seguir a Jesus. É um caminho diário de morte. É carregar a cruz dia após dia. Não é um ato que fazemos uma vez e pronto. É um ato frequente, constante, presente. Nós carregamos a nossa cruz agora, estamos sendo mortificados agora, pois agora seguimos aquele que foi crucificado. 

Todos os dias na vida do cristão existe uma morte, antes de ser definido em termos de vida. Há uma negação antes da aceitação. Portanto, seguir a Jesus Cristo carregar a sua cruz, é morrer para este mundo. E só morrendo para este mundo é que podemos alcançar vida eterna. Só morrendo para as coisas desta vida é que poderemos ser úteis no Reino celestial. No final, Cristo retribuirá a cada um segundo as suas obras.

Finalizo com esta linda poesia da Banda Vineyard:

Quebrantado

Eu olho para a cruz
E para a cruz eu vou
Do seu sofrer participar
Da sua obra vou cantar

O meu salvador
Na cruz mostrou
O amor do pai
O justo Deus

Pela cruz me chamou
Gentilmente me atraiu
E eu, sem palavras, me aproximo
Quebrantado por seu amor

Imerecida vida, de graça recebi
Por sua cruz da morte me livrou
Trouxe-me a vida, eu estava condenado
Mas agora pela cruz eu fui reconciliado

Impressionante é o seu amor
Me redimiu e me mostrou
O quanto é fiel

domingo, 18 de setembro de 2016

Secularismo, a porta de entrada do Islamismo

Em outubro de 2000, na ensolarada cidade francesa de Nice, a Convenção Europeia com 105 membros esboçou a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

Elaborada pela comissão do ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing, o documento se referia apenas ao "patrimônio cultural, religioso e humanista da Europa". O Parlamento Europeu rejeitou uma proposta de Membros Democratas Cristãos do Parlamento Europeu e do Papa João Paulo II de incluir no texto as "raízes judaico-cristãs" da Europa.

Na Carta de 75.000 palavras não há sequer uma menção ao cristianismo. Desde então, uma onda de secularismo agressivo tem permeado todas as políticas da UE. Por exemplo, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos pediu a retirada dos crucifixos das salas de aula: eles eram hipoteticamente uma ameaça à democracia.

A cidade de Nice -- onde há exatamente 16 anos os governantes da Europa decidiram eliminar as raízes judaico-cristãs da Constituição da UE (nunca aprovada) -- acabaram de testemunhar a sangrenta manifestação de outra religião: o Islã radical. "A natureza abomina o vácuo": esta é a verdade que nossas elites não querem ouvir; o islamismo se levanta a partir do que William McGurn, autor de discursos de George W. Bush, chamava de "secularismo irresponsável da Europa".

Isto é possível ver não só nas igrejas da Europa, três quartos delas vazias, e no crescimento vertiginoso da conversão dos europeus ao Islã, mas também no que está acontecendo nas escolas da Europa. Essas tendências não dão suporte à visão de Viktor Orbán de uma Europa cristã.

Há alguns dias, a Bélgica que recentemente foi alvo de ataques terroristas, decidiu que as aulas de religião nas escolas de língua francesa de ensino fundamental e médio serão cortadas pela metade a partir de outubro de 2016 e substituídas por uma hora de "aulas de cidadania": lições de secularismo. Em Bruxelas, 50% das crianças em escolas públicas já optaram por frequentar aulas sobre o Islã.

Na França, o governo socialista impôs uma "carta de secularismo" em todas as escolas banindo o cristianismo do sistema educacional. A carta é o manifesto da "révolution douce" ("revolução adocicada"), melhor dizendo: secularismo extremo da França. É uma tentativa de eliminar qualquer asserção de identidade. A quipá judaica, a cruz cristã e o véu islâmico são tratados da mesma maneira. O secularismo é o que tem sido corretamente definido como "o ponto cego da esquerda em relação ao Islã".

Além de tudo é um secularismo que endoidou. A título de exemplo a escola de ensino fundamental Yves Codou, que fica no vilarejo de La Môle, comemorou o "Dia dos Pais" em vez do Dia das Mães, a fim de não causar dissabores aos casais gays. Certos municípios já mudaram o formulário de inscrição para crianças em idade escolar, eliminando as palavras "pai" e "mãe", substituindo-as por "gestor legal 1" e "gestor legal 2". É a "Novilíngua" de George Orwell.

Após dois ataques terroristas de grandes proporções em 2015, a França, em vez de promover uma "jihad" cultural baseada em valores ocidentais, respondeu ao fundamentalismo islâmico com um ridículo "Dia do Secularismo" a ser comemorado todo dia 9 de dezembro.

Não é que o secularismo "exacerbou" essas tensões culturais como afirmam muitos liberais. É que este secularismo afastou a cultura francesa dos ideais que criaram o Ocidente. O afastamento fez com que esta cultura ficasse cega em relação à incompatibilidade do islamismo com os valores seculares. Após o massacre na redação da revista satírica Charlie Hebdo, a professora francesa Isabelle Rey ressaltou que "muitos dos nossos estudantes não compartilham da nossa consternação em relação aos acontecimentos. Podemos fingir que há consenso, mas a realidade é que uma parcela significativa da população acredita que os jornalistas mereceram o fim que tiveram ou que os irmãos Kouachi (os assassinos) morreram como heróis".

Esse secularismo tacanho também impediu a França de apoiar abertamente os cristãos orientais oprimidos pelos islamistas. O conjunto musical "The Priests" planejava anunciar a próxima apresentação em Paris com uma faixa no poster dizendo que haverá arranjos em apoio à causa dos cristãos perseguidos no Iraque e na Síria -- mas a empresa que opera o sistema metroviário em Paris inicialmente proibiu o anúncio, alegando que considerava a faixa uma violação ao secularismo.

Suécia, um dos países europeus onde há mais infiltração do islamismo radical, é considerada a nação "menos religiosa" do Ocidente. De acordo com a agência Statistics Sweden, apenas 5% dos suecos são religiosos praticantes e um em cada três casais se casam somente no civil. Como é que a Suécia chegou a esse ponto? Há muitos anos o governo sueco proibiu qualquer atividade religiosa nas escolas, exceto aquelas diretamente relacionadas às aulas de religião.

Como se isso não fosse o bastante, o secularismo também não tem respostas para a questão de como lidar com o terrorismo; além disso o secularismo deixa os europeus inseguros sobre o que vale a pena lutar, matar e morrer. Se você acredita, como os secularistas acreditam, que os nossos valores são meros acidentes da história e que o bem maior é o conforto, então você não irá dar a mínima pelo futuro da civilização.

O símbolo deste 'euro-secularismo' é a igreja Oude Kerk, uma das igrejas mais famosas de Amsterdã, datada do século XIII. A igreja, ora vazia, é usada para exposições e pode ser alugada para jantares de gala. Do outro lado da rua fica o "Sexyland", apresentando "shows de sexo ao vivo", uma "coffee shop" para venda de drogas e um supermercado "erótico" para a venda de vibradores. Por sete euros é também possível visitar a igreja.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Evidência da salvação: arrependimento

“Portanto, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo” (Romanos 10:17)

Um dos momentos mais grandiosos da minha vida foi há pouco tempo no sul do Alasca. Alguns de vocês talvez já tenham lido esta história. Tão logo eu cheguei ao púlpito — havia cerca de 25 pessoas —, um homem entrou, um gigante, o ser humano mais triste que vi em minha vida, chegou e se sentou na fileira da frente. Eu parei imediatamente e comecei a pregar o Evangelho.

Depois que terminei, fui até ele e disse: “Senhor, o que está errado com você? O que está errado?”. Ele pegou um envelope pardo, me mostrou e me disse: “Eu acabo de vir do médico. Vou morrer em 3 semanas”. Continuou: “Tenho vivido no campo, trabalhando em um rancho de gado toda minha vida. Só se chega lá cavalgando pelas montanhas, ou pegando um hidroavião ou algo do tipo”. Ele disse: “Eu nunca estive em uma igreja em toda a minha vida. Nunca li uma Bíblia. Uma vez escutei alguém falar sobre um cara chamado Jesus, e eu acredito que existe um Deus. Nunca tive medo em toda minha vida, e agora tenho medo, porque vou morrer e não sei o que fazer”.

Eu lhe disse: “Senhor, nos últimos 45 minutos, eu preguei o Evangelho a você. As boas novas do que Deus fez pelos pecadores em Jesus Cristo. Você entendeu? Ele disse: “Sim”. O que a maioria dos evangelistas teria perguntado a ele naquele momento? “Gostaria de fazer uma oração e pedir que Jesus entre em seu coração?”

Mas ele disse: “Irmão Paul, eu entendi. Quero dizer, qualquer um podia ter entendido! Mas, isso é tudo? Eu entendo, faço uma oração, e isso é tudo?” E comecei a explicar-lhe o arrependimento e a fé. Depois de vários minutos, ele me olhou e disse: “Eu simplesmente não entendo”. Eu disse: “Olhe, você tem 3 semanas de vida. Tenho que ir embora amanhã de manhã. Vou cancelar minha passagem de avião e ficarei com você 3 semanas até você morrer, quer você seja salvo, quer você morra e vá para o inferno. Então vamos começar”. Foi isso o que eu falei para aquele homem.

Se vocês estão pensando em serem evangelistas, não pensem que vão pregar a um grupo de pessoas e, quando elas forem à frente, você vai entregá-las a qualquer um para lhe aconselhar e depois, se gloriar em todas as decisões, que na maioria é somente decisões, pois poucos talvez tenha realmente tido uma conversão, mas a maioria não assistirá ao culto no próximo domingo. 

Mas, eu olhei para esse homem e disse: “Senhor, a fé vem pelo ouvir; vamos às Escrituras”. Nós fomos às Escrituras por mais de uma hora. Cada promessa, Antigo Testamento, Novo Testamento, e de novo, e de novo, apenas trabalhando até que Cristo fosse formado. Oramos um pouco mais, lemos um pouco mais, outra hora passou e estava ficando tarde. Eu disse: “Nós vamos ficar por aqui. Este homem está morrendo!”. Não sei depois de quanto tempo voltamos a um de meus versículos favoritos na Bíblia: João 3:16. Nunca vou esquecer, ele estava com a minha Bíblia no colo, e eu lhe disse: “Senhor, vamos apenas ler isto de novo”. Ele disse: “Mas já a lemos muito”. E eu lhe disse: “Senhor, sua vida depende disto”. E então ele olhou para baixo, esse velho homem grande, e disse: “Ok”. “Porque Deus... amou... o mundo de tal maneira... que deu... Oh... Oh... Estou salvo! Estou salvo! Todos os meus pecados se foram! Tenho... minhas mãos estão limpas! Tenho vida eterna! Oh, eu a tenho! Eu vou para o céu!”. Eu disse: “Senhor, como você sabe?”. Ele disse: “Você nunca leu este versículo antes?!”. Vocês veem a diferença!?

As pessoas perguntam: “Você é contra o evangelismo?”. Eu digo: “Sim e não”. Eu sou contra o tipo de evangelismo que correm ao homem, fazem-no agarrar um pequeno ticket, como se estivesse esperando em um escritório do governo para renovar sua licença. “Pegue um ticket. Vá para o Céu”. Nós seremos responsabilizados! Nós temos um chamado! Quando prego em conferencias, isto é o que eu faço. Não faço chamadas ao altar ou coisas deste tipo. Eu digo: “Olhem, já acabou. Se Deus falou ao seu coração, você vem até mim. Sentaremos juntos aqui a noite toda”. E se alguém professa fé em Cristo, então, o que eu faço? Eu não digo: “Oh, você está salvo, está salvo”. Eu lhes digo isto: “Escute. Se esta noite você verdadeiramente se arrependeu e creu em Jesus Cristo, você se tornou um filho de Deus, mas esta vai ser a evidência: se verdadeiramente se arrependeu para salvação, você vai continuar se arrependendo para salvação, e crescendo em arrependimento! E se você verdadeiramente tem crido, você vai continuar crendo! Nada de coisas do tipo: “vacina contra gripe”! Eu não quero que alguém chegue a essa pessoa 10 anos depois, ela esteja vivendo uma vida ímpia, e, quando alguém testemunhe a ela, ela responda: “Oh, não se preocupe comigo. Eu já fiz isso”. “Não te preocupes comigo, pregador. Eu já fiz isso”. “Você fez o quê?”, “Eu recebi minha ‘vacina contra gripe’”. “Sim, mas você não recebeu Jesus”. Trabalhem com eles. Deixe que todos os outros saiam para comer. Você trabalha. Você ora. Você os aconselha com muitas promessas do Evangelho e muitas advertências do Evangelho.

Eu declarei guerra. É mais como um carrapato batendo a cabeça contra um mundo de granito, mas eu não me importo. Estou doente e cansado de ver as pessoas serem guiadas a uma decisão com muito pouco conhecimento do Evangelho, confiando em uma decisão em vez de contemplarem a Cristo. Vivendo em impiedade e crendo que são salvas, porque alguma autoridade religiosa da comunidade evangélica disse-lhes que eram salvas, e elas agora estão quase completamente surdas para o verdadeiro Evangelho.

Por Paul David Washer

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O casamento do cristão

Casais cristãos devem se esforçar para promover uma cultura de simplicidade e alegria ao planejar seu casamento, evitando a triste pressão de gastar muito dinheiro com a cerimônia. É o que diz John Piper, fundador e mestre da “Desiring God”.

O pastor abordou o tema em um post recente, convidando igrejas e casais para solidificar o caminho e assim formar uma cultura de simplicidade em um mundo que está focado em casamentos altamente elaborados com roupas caras, entretenimento e comida.

Em vez de ceder à pressão da sociedade para um casamento caro, John Piper sugere que o matrimônio seja centrado em torno do "significado de Cristo, exaltando o casamento, a impressionante importância dos votos, a preciosidade das pessoas e não a roupa, as flores, a localização, a música e toda a produção que pode tornar o ato de Deus no casamento parecer um pequeno detalhe numa grande festa", pontuou.

Isso não quer dizer que um casal não deve adicionar elementos especiais em seu casamento se eles forem capazes de pagar. No entanto, o foco principal deve ser a alegria de Deus. “Não há correlação”, Piper explica, “entre ser rico e ser alegre, sugerindo que, de fato, a despesa excessiva possa conduzir a uma menor alegria, uma vez que envolve mais stress, aborrecimento e distração”, pontua.

"Este é um apelo aos líderes para cultivar uma expectativa de simplicidade, para que ninguém com menos poder aquisitivo sinta que casamentos simples, com uma recepção simples, sem refeições, sem dança, apenas alegria seja de alguma forma menos honrados ao Senhor e ao casal. Seria trágico se cultivarmos uma situação como essa", acrescentou Piper.

Ele ainda explica que, como cristãos evangélicos, este impulso para a simplicidade pode ser indicado no ensino do Novo Testamento. Enquanto o Antigo Testamento pregou uma religião "venha e veja”, o Novo Testamento prega uma religião "vá e pregue".

Porque o cristianismo evangélico é mais de “vá e pregue”. O que rege o nosso estilo de vida agora é o esforço para mostrar que o nosso tesouro está no céu e não na terra", afirma Piper. Ele diz que o Novo Testamento nos leva para longe do luxo e para perto da simplicidade”, diz o teólogo.

Piper conclui sua mensagem convidando os casais jovens e pastores cristãos a lutar por uma mudança na cultura atual de casamentos. "Deixe o culto, a Palavra e os votos ao Senhor e o amor serem as coisas principais", incentiva Piper. Ele aproveita para convidar casais para que sejam corajosos e radicais para ficar contra uma cultura e mostrar como a verdade, a beleza e a alegria podem ser melhores e dar menos stress e ansiedade.

Não consigo entender cristãos que se dizem comunistas

Após participar como preletor de um Congresso Missionário organizado pela Igreja Irmãos Menonitas no Rio Grande do Sul, eu tive a oportunidade de ouvir alguns tristes relatos de irmãos em Cristo que foram assassinados pelo sistema comunista em várias partes do mudo. Confesso que fui tomado de grande emoção quando um pastor relatou-me que aproximadamente 100 mil menonitas foram mortos ou levados para apodrecerem nas masmorras da Sibéria.

À luz de histórias como essa, confesso que não consigo entender como é que cristãos podem se dizer comunistas. Lamentavelmente tem sido comum encontrarmos nesse brasilzão de meu Deus, uma relativa quantidade de crentes em Jesus identificados com o comunismo. Para tanto, basta andarmos pelas ruas ou visitarmos algumas reuniões evangélicas que encontraremos jovens vestidos com camisetas estampadas com as fotos de Che Guevara, Fidel Castro e outros tantos mais. Se não bastasse isso, volta e meia vejo pastores e teólogos fazendo alusões “positivas” tanto no púlpito, como nos seminários a idealistas como Karl Marx e Friedrich Engels.

Caro leitor, talvez você não saiba mas o comunismo matou mais pessoas do que o Nazismo de Hitler. De acordo com "Le livre noir du communisme" (Livro Negro do Comunismo) o comunismo produziu quase 100 milhões de vítimas, em vários continentes, raças e culturas.

Os números de mortos pelo comunismo estão assim classificados por ordem de grandeza: China (65 milhões de mortos); União Soviética (20 milhões); Coréia do Norte (2 milhões); Camboja (2 milhões); África (1,7 milhão, distribuído entre Etiópia, Angola e Moçambique); Afeganistão (1,5 milhão); Vietnã (1 milhão); Leste Europeu (1 milhão); América Latina (150 mil entre Cuba, Nicarágua e Peru); movimento comunista internacional e partidos comunistas no poder (10 mil).

O comunismo fabricou três dos maiores carniceiros da espécie humana - Lênin, Stálin e Mao Tse-tung. Lênin foi o iniciador do terror soviético. Enquanto os czares russos em quase um século (1825 a 1917) executaram 3.747 pessoas, Lênin superou esse recorde em apenas quatro meses, após a revolução de outubro de 1917.

Fidel Castro é o campeão absoluto da "exclusão social", pois 2,2 milhões de pessoas, 20% da população de Cuba, tiveram que fugir durante o regime comunista. Fidel criou uma nova espécie de refugiado, os "balseros", (fugiam de Cuba em balsas improvisadas), milhares dos quais naufragaram antes de alcançarem a liberdade.

Prezado irmão, alguém já disse que o comunismo é uma das mais bem sucedidas armas satânicas dos últimos tempos, e que tem destruído milhões de pessoas no mundo, incutindo na mente de jovens e adultos tanto o ateísmo como o materialismo. O famoso primeiro ministro inglês Winston Churchill (1874-1965), afirmou que o socialismo é o evangelho da inveja, o credo da ignorância, e a filosofia do fracasso. Martin Luther King chegou a afirmar que o comunismo existe por que o cristianismo não está sendo suficientemente cristão.

Isto posto, a luz destas afirmações, além é claro de entender que o comunismo assassinou milhares de cristãos no século XX, sou levado a acreditar que boa parte dos evangélicos se envolveram com essa filosofia satânica e maldita por desconhecimento histórico, até porque, recuso-me a acreditar que existam pessoas regeneradas pelo Espírito de Deus que verdadeiramente acreditem neste sistema do mal.

Pense nisso!

Por Renato Vargens

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Abrir a porta do coração

“Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos” (Apocalipse 3:20)

Voltamos a este maravilhoso versículo. Em primeiro lugar, esse texto não nos é dado no contexto de um convite evangelístico. Você percebe isso? Cristo não está batendo à porta do coração do pecador. Em nenhum lugar isso é dito. Mas Ele está batendo à porta de uma igreja equivocada. Esse é o contexto. Isto nos deve levantar alguns sinais de advertência. Uma vez, disse isso a um evangelista e ele disse: “Sim, eu sei, irmão Paul, mas funciona”. 

Segundo, eu acho interessante que utilizemos este texto para dar a pecadores a certeza de que, se abrem seus corações, Jesus entrará, embora este texto não seja específica ou principalmente dirigido à conversão ou à abertura de um coração. Em vez disso, deveríamos usar o seguinte texto, que foi escrito exatamente no contexto da evangelização: “Uma daquelas mulheres que estavam nos ouvindo era Lídia, uma vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira. Ela adorava a Deus, e o Senhor abriu a mente dela para que compreendesse o que Paulo dizia” (Atos 16:14) Então, porque nunca usamos esse texto? 

Terceiro, em vez de meramente convidar o pecador a abrir a sua vida, não seria também apropriado ajudar amorosamente o pecador a examinar a si mesmo para avaliar o que o Senhor talvez esteja fazendo até esse momento? “Você tem alguma percepção de que Deus está trabalhando em seu coração esta noite?”, “O seu entendimento do Evangelho e das coisas de Deus tem aumentado?”, “Você tem estado mais e mais aberto à pessoa de Cristo, à verdade da Escritura e às exigências do discipulado?”, “Você tem o desejo de responder às coisas que escutou e deixar para trás a confiança em si mesmo e a sua vida de pecado e confiar somente em Cristo?”. 

Quarto, se tomamos o texto de Apocalipse 3:20, mesmo se o tomamos e o usamos para evangelismo, se abriu a porta da vida a Cristo. Notem que a evidência estará de novo na comunhão contínua, porque Ele disse: “Se eu entrar, eu entrarei para cear com ele”. A evidência de que uma pessoa verdadeiramente abriu sua vida para Cristo é uma comunhão contínua com Cristo. Porém, também é verdade que milhões de pessoas, por causa de nossas pregações, caminham por aí sem ter comunhão com Cristo, sem desejar santidade, sem buscar a Deus, mas acreditando serem convertidas, porque, uma vez, em nossas igrejas, elas oraram e pediram a Jesus que entrasse. Infelizmente, isso ainda não é evidência da salvação. 

Por Paul David Washer

domingo, 21 de agosto de 2016

Comunhão contínua com Cristo

“E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, que és o único Deus verdadeiro; e conheçam também Jesus Cristo, que enviaste ao mundo” (João 17:3) 

Outra pergunta que as igrejas fazem demais é: “Você quer ir para o céu?”. Alguma vez você escutou alguém dizer: “Bem, não. Eu prefiro ir para o inferno”. Algumas pessoas dizem isso, mas a maioria diz: “Bem, sim, eu gostaria de ir para o céu!”. Meus queridos amigos, entendam isto: “todos querem ir para o céu, eles simplesmente não querem que Deus esteja lá quando eles chegarem. A pergunta não é: “Você quer ir para o céu?”. A pergunta é: “Você quer Deus?” Até mesmo os homens ímpios querem um lugar onde podem ter tudo o que querem! Mas a pergunta para o pecador a quem você está evangelizando é: “Deus tem feito algo em sua vida?” “Existe alguma estima por Cristo?” “Você se envergonha da maneira que, no curso de sua vida, você O ignorou, O odiou, permaneceu apático diante dEle?”, “Há em você um novo desejo de segui-lO, buscá-lO, conhecê-lO, deleitar-se nEle?”

Quando alguém responde “Sim” a todas essas perguntas, então lhes é feita uma segunda pergunta: “Você quer orar e pedir a Jesus que entre em seu coração?” Todos nós já fizemos isso. Vou dizer que essa fórmula, essa linguagem, não se encontra no Novo Testamento. Quero dizer, não temos no livro de Marcos, Capítulo 1, Jesus chegando a Israel e dizendo: “O tempo se cumpriu. O reino de Deus é chegado. Quem gostaria de me aceitar em seu coração”? Nós não vemos isto no dia de Pentecostes: “Ok! Vejo uma mão levantada. Vejo outra mão levantada. Quantos de vocês querem vir à frente? Tragam-no aqui. Todos estão vendo vocês, não podem mais voltar aonde estavam sentados. Agora, repitam esta oração comigo”. Você diz: “Irmão Paul, você está zombando”. Sim, estou, eu estou. Não sei outra forma de dizer isso. Você diz: “Mas, eu fui salvo dessa forma!” Você foi salvo “apesar” dessa forma, não “por causa” dessa forma.

“Mas irmão Paul, temos todos estes textos maravilhosos!” Ok, então vamos vê-los. “Mas a todos os que o receberam...” (João 1:12). Honestamente, você acredita que isso significa a “oração do pecador”? Honestamente, você acredita que isso significa: “Se você se sente incomodado orando, repita o que eu disser”? É isso que significa? Digo, olhe para o texto. De onde saiu isso? Um evangelista disse a um cara que não queria nem mesmo segui-lo em uma oração: “Ok, façamos isto. Eu direi as palavras e se é o que você quer dizer a Deus, aperte minha mão”. “Contemplem o poder de Deus”. “Receba-O”. Eu creio que esta passagem deve ser interpretada no contexto da teologia de João. Significa abrir a própria vida a um companheirismo ou uma comunhão contínua com o Cristo ressurreto, como em João 17:3. Significa receber a Cristo ou alimentar-se dEle como o sustento de sua vida, como em João 6:53: “Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue...”. Você vê? Um homem é salvo somente pela fé, somente pela fé, crendo no que Deus disse acerca de Deus e acerca dEle mesmo, sobre a obra propiciatória de Cristo, sobre a pessoa de Cristo. Assim são salvos. Mas, nesse momento de salvação, de crer, eles estão abrindo as suas vidas à pessoa de Jesus! Somente o fato de terem feito uma oração com certo grau de sinceridade não é uma evidência verdadeira, porque o coração é enganoso e corrupto.

Como você pode definir o grau de sinceridade do seu próprio coração? Como você pode ver, a evidência através do Novo Testamento é esta: você crê para salvação, e a evidência de que você realmente creu é esta: você é salvo somente pela fé em Cristo, mas, se você crê em Cristo verdadeiramente, sua vida estará mais e mais aberta à comunhão e companheirismo com Ele. Não é assim, o convite do Evangelho não aceita a “mentalidade de vacina contra gripe”. Chamamos os homens ao arrependimento e a crer. E se, nesse momento, se arrependem e creem verdadeiramente, nesse momento são salvos, nesse momento! Mas a evidência é mais do que somente sinceridade de uma oração! É a continuação da obra de Deus em sua vida através da santificação.

Por Paul David Washer

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Evidência da salvação

“Se você disser com a sua boca: "Jesus é Senhor" e no seu coração crer que Deus ressuscitou Jesus, você será salvo. Porque nós cremos com o coração e somos aceitos por Deus; falamos com a boca e assim somos salvos” (Romanos 10:9-10)

Para evangelizarmos segundo o texto acima, em primeiro lugar devemos dizer algo sobre o coração da pessoa. Ele representa o centro, a essência do que é um homem. É a sede de seu intelecto, mente, emoções e vontade. Portanto, é absurdo pensar que um homem pode crer em Cristo com seu coração e que isso não tenha um efeito radical sobre o resto de sua vida.

Vamos analisar a linguagem: “Você gostaria de receber a Jesus em seu coração?” O que significa isso? Alguma vez você pensou sobre isso? A Bíblia diz: “Crer em seu coração”. Mas nós transformamos em: “Você gostaria de pedir que Ele entre em seu coração?” Crer com o coração significa crer com o núcleo, com a verdadeira essência de quem você é. Não quer dizer que você vai abrir uma câmara secreta e pedir que Ele entre.

O testemunho da Escritura e a interpretação de todos os eruditos evangélicos afirma que somos salvos somente pela fé; então, porque Paulo parece abraçar a confissão como um requisito para a conversão genuína? Vamos ler o texto novamente em outra tradução. “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. Paulo, através de todo o livro de Romanos, escreveu: “Salvação é somente pela fé”. Então porque agora está acrescentando a confissão? Paulo não está contradizendo a doutrina da salvação somente pela fé, mas está ensinando que nossa confissão pública do Senhorio de Jesus Cristo é a evidência de crer no coração. Se alguém é verdadeiramente convertido, ele confessará publicamente a Cristo em palavras e em obras. Isso não significa o mesmo que apresentar-se diante da igreja na noite de sua suposta conversão. Se alguém realmente é convertido, vai confessar publicamente a Cristo em palavras e em obras.

Porque eu acrescento “em palavras e em obras”? Porque Mateus 7:21 diz: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus” “Nem todo que me confessa como Senhor, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. Ora, eu não estou dizendo que somos salvos pela fé nas obras; de maneira nenhuma. Eu sou um pregador da Graça. O que estou dizendo é que a salvação envolve uma doutrina perdida chamada “Regeneração”. E que, quando um Deus salva um homem, Ele está regenerando seu coração, convertendo-o em uma nova criatura, e a evidência é esta: você viverá como uma nova criatura. E ele confessará a Cristo, isto é, o homem que verdadeiramente tem crido em seu coração, terá sua vida marcada pela confissão bíblica de Cristo em palavras e em obras. Você poderá ver, escutar de sua boca e ver na sua vida, que sua fé é uma genuína fé salvadora.

Agora, vejamos isso de uma perspectiva cultural. Digamos que somos uma igreja de 20 pessoas, Século I, no Império Romano. Você sabe, pela Epístola aos Romanos, que estão matando alguns desses Cristãos. Estão morrendo como ovelhas. Agora bem, digamos que existem 20 de nós e estamos trabalhando em uma construção. Estamos trabalhando em uma espécie de edifício em Roma, uma construção. Tudo está calmo, nenhum problema está acontecendo. Um dia bonito, é a hora do almoço, estamos descansando, é primavera, estamos deitados na grama, passando muito bem, descansando... E de repente escutamos barulho de passos. Escutamos tambores, levantamos e vemos soldados carregando um pequeno altar, e sobre esse altar há uma pequena vasilha com incenso e um pequeno fogo em cima, e nós ficamos aterrorizados. Enquanto todos os homens da construção se põem de pé, a maioria deles não crentes — e ali estamos, uma pequena igreja no meio deles — os soldados nos reúnem e nos dizem: “Aproximem-se. Deem honra a César”. Então o primeiro homem, um não crente, se aproxima, toma um pouco de incenso, joga-o no fogo e diz: “César é Senhor”. Ele se retira feliz como sempre, e em seguida outro, e em seguida outro, e finalmente ele vem ao primeiro de nós, os Cristãos. Um de nós se aproxima, o soldado o cutuca com a lança: “Dê honras a César”. “lesous estin kyrios”. “Jesus é Senhor”, e morre. E o próximo dos nossos: “Jesus é Senhor”, e morre. E assim sucessivamente.

E nós temos levado a verdade que Paulo nos está ensinando aqui, de que se você verdadeiramente crê, vai confessar a Cristo mesmo que custe a sua vida, nós temos tomado essa linda verdade e a temos reduzido a isto: se você repete uma oração em frente a um monte de gente em uma igreja na América, isso garante que você é salvo, se você acha que foi sincero. Isso não é o que ele está dizendo! Outra vez, no momento em que uma pessoa invoca o Senhor com fé, ela é salva. Mas, a evidência de salvação não é que uma vez na vida dela ela foi sincera em fazer uma oração. A evidência de sua salvação é: existe um arrependimento genuíno? Existe fé? Além disso, essas duas graças evangélicas continuam em sua vida e estão crescendo? Em outras palavras, a evidência da justificação pela fé é a obra contínua de santificação pelo Espírito Santo.

Por Paul David Washer

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

As nossas pregações

“O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade. Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente” (Êxodo 34:6-7)

Ao evangelizamos alguém, em vez de repetir o mantra moderno que existe hoje nas igrejas evangélicas “Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida”, devemos dizer quem é Deus. Devemos dizer que Ele é o Criador, o Sustentador e o Senhor de todas as coisas, e Ele é digno de sua honra e sua obediência. É isso que devemos dizer a quem evangelizamos.

O livro de Êxodo proclama muito bem quem é Deus. Conforme o verso acima, ali está uma das revelações mais grandiosas de Deus no Velho Testamento. Moisés se esconde na fenda de uma rocha, e Deus proclama Sua glória a Moisés. Agora, vejam a resposta de Moisés: “E Moisés apressou-se, e inclinou a cabeça à terra, adorou” (Êxodo 34:8). Então, em vez de dizer: “Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida”, diga a eles quem Deus é. Porque se você lhes dê um deus feito à sua própria imagem, garanto que eles irão aceitá-lo, mas não será o Deus que salva. Diga a eles quem Deus é, exalte a Deus diante deles e diga-lhes que tudo em suas vidas tem que inclinar-se ante a Sua vontade. Ele não é como vocês. Arrependa-se e creia.

As nossas pregações estimulam os homens por aquilo que Deus pode fazer por eles aqui na terra, ou por quem Deus é? Observem bem a seguinte pergunta: “Você sabe que é um pecador?” Meus queridos amigos, a pergunta não é se vocês sabem que são pecadores. A pergunta é: Enquanto você me ouve pregar o Evangelho, Deus tem trabalhado de tal maneira em sua vida que o pecado que você antes amava agora odeia? Vão até o Diabo e perguntem se ele sabe que é um pecador. Ele vai dizer: “Sim, sim eu sou e, de fato, sou um pecador muito bom”. Alguém diz: “Sim, eu sou pecador”. Eles sabem o que isso significa? É como quando alguém diz: “Eu aceitei a Deus”, porém, quando você começa a escutar a sua definição do deus que ele aceitou, você percebe que não é o Deus da Bíblia! Da mesma maneira, quando uma pessoa diz: “Eu sou um pecador”, isso pode significar qualquer coisa! Por exemplo: “Eu não tenho suficiente amor por mim mesmo”. Você deve usar as Escrituras. O Espírito Santo, usando a espada para penetrar em seus corações, lhes demonstrará o que realmente é ser um pecador.

Eu estava pregando anos atrás e havia um grupo de conselheiros fazendo um treinamento. Havia uma mulher que dirigia o grupo. E ela não gostava muito de mim. Então, uma noite, eu estava pregando e começou a haver um mover de Deus; as pessoas do lado esquerdo começaram a chorar, e começaram a atravessar o auditório. As pessoas estavam chorando, algumas quase em convulsão. Eu não tinha sequer terminado o sermão e uma garota correu e ficou deitada, atravessada nos degraus, e depois outra pessoa, e começaram a chorar. Eu levantei a vista para onde estavam os conselheiros e a líder me olhou assim como se não soubesse o que fazer, e eu sinalizei que não fizesse nada. Eu continuei pregando e, quando finalmente terminei de pregar, ela deu um passo adiante e me dei conta de que ela iria interferir, então desci até ela e parei ao seu lado, e ela queria que eu agisse. E eu sinalizei que não. Então, finalmente, ela me olhou e deu um passo adiante, mas eu pus minha mão sobre seu ombro e lhe disse: “Irmã, não toque na arca de Deus. É o Deus de Israel que está ferindo estas pessoas com respeito aos seus pecados! Não conforte a alma que Deus está quebrantando! Deixe-os a sós com Deus!”

Como podemos ver, a pergunta não é simplesmente: “Você sabe que é um pecador?”, mas é: “Meu querido amigo, você sabe o que isso significa?”, “Deus tem começado a trabalhar em seu coração de tal maneira que você está começando a ver o pecado como Deus o vê?”, “Há sementes de uma atitude, de uma atitude divina de odiar o pecado como Deus o odeia?”, “O orgulho que você tinha do pecado tem agora se convertido em vergonha?”, “Deus está fazendo algo?” Essas devem ser as perguntas.

Por Paul David Washer

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O autêntico convite bíblico

“Ele (Jesus) dizia: - Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho” (Marcos 1:15)

A convenção de uma denominação evangélica que conheço chegou à conclusão de que 60% de todos os seus convertidos nunca frequentaram a igreja. E a sua resposta a enfermidade foi: “Temos que fazer um melhor trabalho no discipulado”. Não! As ovelhas de Jesus ouvem a sua voz e elas O seguem, quer você as discipule, quer não! (João 10:3) Nós devemos discipular? Sim, devemos discipular.

Nos anos 70, o discipulado pessoal começou a ser importante. “Nós temos a mesma quantidade de gente saindo pela porta traseira da igreja, como de gente entrando pela porta principal, porque não estamos fazendo discipulado pessoal”. Digo que não! É porque não estamos pregando o Evangelho corretamente e porque estamos declarando as pessoas convertidas, sem na verdade serem, e “saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (1 João 2:19).

Você precisa entender isto. Nós lidamos 5 minutos com uma pessoa em sua conversão e então gastamos 50 anos discipulando um bode tentando torná-lo uma ovelha! Não estou dizendo isso porque eu sou uma pessoa nervosa. Estou dizendo isso porque estou nervoso, porque inúmeras pessoas estão sendo enganadas. O problema não são os políticos liberais, mas sim os pregadores evangélicos. Se as pessoas são alguma vez desafiadas quanto à sua conversão, por sua falta de fruto, ou por sua carnalidade excessiva, elas defendem sua esperança de salvação, mais uma vez afirmando a sinceridade da sua oração e a confirmação de seus líderes religiosos. Se algum aconselhamento é feito, a pessoa é geralmente admoestada a abandonar a sua apostasia e começar a servir o Senhor novamente. Contudo, a validade da sua conversão nunca é examinada ou mesmo questionada.

Tantas pessoas enganadas! Por exemplo: evangelismo de crianças. Não deixaria o meu filho ir a 98% das escolas bíblicas de férias neste país e direi por quê. Um grupo de crianças entra e contam-lhes lindas histórias sobre Jesus, e então: “Quantos de vocês amam a Jesus?” Digo, exceto pelo menino de jaqueta de couro com símbolos satânicos desenhados nas suas costas, todas as demais crianças na sala vão levantar-se e dizer: “Eu amo a Jesus!”. “Bem, quantos de vocês querem ir para o céu?”, “Oh, eu quero!” “Quantos de vocês querem fazer esta oração?”, “Eu vou!”. E logo marcham rumo ao Batismo, e muitas vezes o batistério está decorado como se fosse uma festa feliz, como desenhos, para que elas realmente o desfrutem. Então, quando elas são suficientemente grandes para serem rebeldes aos seus pais, elas se rebelam e passam a viver em grande imoralidade e pecado. Depois, quando têm 25 a 30 anos, depois da faculdade, elas decidem que necessitam consertar as coisas, porque a moralidade é realmente um caminho melhor a seguir, então elas “re-dedicam” suas vidas, e continuam frequentando os cultos uma vez por semana, tendo apenas uma moralidade suficiente para anuviar suas consciências e para mandá-los direto para o inferno. Isso é o que está acontecendo.

E quando o Joãozinho começa a sair do caminho, dormir com sua namorada, usar drogas, vender drogas, e tudo o mais, sua mãe, seu pai e seu pastor vão até ele e dizem: “Você é um Cristão, tem que deixar de viver desse jeito”. Em vez de dizerem isto: “Você fez uma profissão de fé em Cristo, foi batizado em Seu nome, e por um tempo pareceu que você caminhava com Ele, mas agora você está desviado da fé, e tem demonstrado que provavelmente nunca O conheceu e que está reprovado desde o princípio. Arrependa-se e creia no Evangelho! Fuja da ira vindoura!”. Essa é a diferença! 

Por Paul David Washer

 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Um convite sincero

“Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos” (Apocalipse 3:20)

Os convites para homens virem a Cristo mais proeminentes na América são estes: “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”. “Você sabe que é um pecador?”, “Você quer ir para o céu?”, “Você quer orar e pedir para que Jesus entre em seu coração?”, “Ele entrou em seu coração quando você orou?”, “Você foi sincero?”, “Agora você é um Cristão. Bem-vindo à família de Deus!”.

Eu digo que isso é como um bezerro sagrado, um bezerro de ouro, e, na comunidade evangélica de hoje, eu sou mais atacado por isso do que por qualquer outra coisa. Mas, eu lhes asseguro: isso não é linguagem bíblica e não se encontra na maior parte da história Cristã. Este método sem o qual não conseguimos evangelizar não é nem bíblico nem histórico, e tem exatamente nos conduzido àquilo de que tanto nos queixamos.

A maior parte dos Estados Unidos da América se declara “nascida de novo” e não o é. O maior campo de evangelismo atualmente encontra-se nos edifícios da igreja. Não quero dizer que se encontra nas igrejas — porque todos na igreja são verdadeiramente convertidos — mas nos edifícios das igrejas. Você diz: “Oh, nós temos muitas igrejas, irmão Paul”. Não! Nós temos um grupo enorme de lindos edifícios de tijolos com belos jardins, mas a glória de Deus se tem apartado deles e o nome “Icabode” será escrito na fachada de suas portas.

Vejamos este convite: “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”. Muitas vezes, isso vem acompanhado por uma explicação de tudo o que Jesus pode fazer pela pessoa. Consertar sua vida, seu matrimônio, suas finanças, sua autoestima. Mas, considere tudo o que nós conhecemos sobre o pecador: é egocêntrico, independente, quer fazer sua própria vontade, quer realizar seus próprios sonhos, e está apaixonado por si mesmo. Então, você chega até este homem e diz: “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”. E ele diz: “O quê? Deus me ama?! Isso é fantástico! Eu também me amo! Que bom, isso é maravilhoso! E você ainda está dizendo que Ele me ama mais do que eu me amo? Bem, isso soa impossível. Como pode ser que alguém tenha um amor tão grande assim? E Deus tem um plano maravilhoso para minha vida!? Oh! Eu também tenho um plano maravilhoso para minha vida também! E você está me dizendo que, se eu aceitar esse Jesus, Ele vai me ajudar com todos os meus planos maravilhosos e eu posso ter ‘Minha Melhor Vida Agora’”?! “Sim!”. “Bem, então eu aceitarei a um deus assim! Você tem mais dois desses?”

Você enxerga isso? Eles dizem: “Irmão Paul, não é isso o que queremos dizer”. Mas é assim que se entende. Dizem-me: “Paul, você é muito duro. Cheio de sarcasmo”. Sim, eu sou. Mas, veja, todos estão lamentando o fato de que este país crê que é salvo quando não é mais salvo do que... Ele está perdido — como dizem no Alabama — como uma bola em grama alta. Mas, ninguém quer dizer qual é o problema, e o problema é que, ainda que preguemos o Evangelho corretamente, usamos este método de convidar os homens que não é nem bíblico e nem histórico! Fazemos com que pulem alguns degraus evangélicos, e digam “Sim” às perguntas apropriadas, e, logo de forma papal, os declaramos salvos! E, quando creem nessa mentira religiosa, dada por uma autoridade religiosa, se alguém vem depois e tenta pregar o Evangelho a eles — porque estão vivendo no mundo —, eles não escutarão, porque a mentira religiosa tem muito poder.

Então, a pergunta seguinte: “Você sabe que é um pecador?” E, muitas vezes, essa pergunta não é feita com muita seriedade. É mais ou menos como: “Ouça, você sabe que todos nós somos pecadores, não é?” E se a pessoa diz: “Sim, eu sei que sou um pecador”. A pergunta seguinte é: “Você quer ir para o céu?”, “Sim, sim eu quero!”. “Então, gostaria de orar e pedir a Jesus que entre em seu coração? Só levará 5 minutos”. “Somente 5 minutos?”, “Sim”. Porque a Bíblia diz: “mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (João 1:12). “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10:9). “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3:20). “Então, você gostaria de receber a Jesus? Porque é isso o que diz a Bíblia”. “Só vai levar 5 minutos?” — Só 5 minutos, claro! Então, em seguida, geralmente depois que uma pessoa ora ou é guiada em uma oração pelo evangelista, lhe é assegurado que, se foi sincera, Jesus entrou definitivamente em seu coração, porque Ele prometeu que o faria e, se não entrou, Ele é um mentiroso, já que ela foi sincera.

Quantas pessoas que você conhece, creem que vão para o céu, não porque confiam muito em Cristo, mas sim no grau de sinceridade que tiveram na decisão que tomaram há muito tempo? Muitas vezes, depois de uns poucos minutos de aconselhamento, eles são imediatamente apresentados diante da igreja, e receberam as boas vindas dentro da família de Deus — Estou equivocado? — Vão à frente, já vi isto muitas vezes, são levados a um conselheiro que foi treinado em uma forma de aconselhamento compacto, falam com eles de 5 a 10 minutos enquanto seguem com o apelo, e são imediatamente apresentados diante da igreja: “nosso novo irmão ou irmã em Cristo”. E essa é a última vez que a maioria deles vai receber aconselhamento sobre sua conversão em toda sua vida.

E depois, o que acontece? Se eles nunca cresceram, ou se eles duvidarem de sua salvação, são levados outras vezes àquele dia no qual oraram e são indagados acerca da sinceridade da sua decisão. Se, em algum momento, eles vão de novo ao pastor duvidando de sua salvação, ele os levará de novo àquele dia e lhe dirá: “Bem, alguma vez você orou e pediu para Jesus entrar no teu coração?”, “Sim”. “Você foi sincero?”, “Creio que sim”, “Então, é só o Diabo que está tentando-o”. Se eles nunca crescerem nas coisas de Deus, a falta de crescimento é atribuída à falta de discipulado ou à doutrina do cristão carnal.

No próximo texto vou dizer porque o convite bíblico correto é este: “Ele [Jesus] dizia: - Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho” (Marcos 1:15)

Por Paul David Washer

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Evangelismo bem-sucedido

“Veio sobre mim a mão do Senhor, e ele me fez sair no Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos. E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor. Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo” (Ezequiel 37:1-10)

Eu acabei de descrever a conversão dos homens.

Quando vamos pregar, como lemos no texto, sempre somos como um Ezequiel, e sempre estamos parados em um vale de ossos secos. E, observem, eles estão muito secos. Ora, certamente, nos tempos de Ezequiel não havia nenhuma técnica para trazer vida a ossos sem vida. A medula estava completamente seca, fora dos esqueletos. Não era mais do que poeira! Não havia nenhuma técnica, não havia persuasão, não havia poder, não havia nada, humanamente falando, que se pudesse fazer para trazer esses ossos à vida. Isso é evangelismo, e você faria bem em aprendê-lo agora.

Os homens estão mortos em seus delitos e pecados. Eles não somente estão mortos, mas estão na escravidão do pecado. A vida que eles têm é uma vida apenas para seguir ao príncipe deste mundo. Aborrecem a Deus; são inimigos de Deus; estão cegos. Fazem tudo em seu poder para restringir e limitar cada traço de conhecimento que têm sobre Deus. Trabalham com todas as suas forças para endurecer sua consciência para que ela não lhes fale. Preferem sofrer no inferno do diabo por toda a eternidade a dobrar os seus joelhos e se arrepender e crer em seu Deus. Vá e tente aprender alguma técnica evangelística para trazê-los à vida; faça intermináveis chamadas ao altar para que eles repitam uma oração; conte todo tipo de histórias sentimentais; manipule suas paixões, suas emoções e a única coisa que vocês vão obter é um grupo de pessoas que são duas vezes mais filhas do inferno.

A igreja na América hoje se parece com um parque de diversões de Jesus, porque se você atrai pessoas usando métodos carnais, terá que manter essas pessoas usando métodos carnais.

Para que os homens sejam salvos há somente uma forma, e é que um homem como Ezequiel pare no meio desse vale, e pregue a única mensagem que Deus prometeu abençoar: o Evangelho de Jesus Cristo! Quando estamos procurando missionários, ou quando estamos entrevistando candidatos, só queremos uma coisa: um homem que saiba que o ministério é uma impossibilidade; que os homens não podem ser convertidos mais do que os mortos podem ser ressuscitados, ou mais do que mundos podem ser trazidos à existência do nada. Um homem que entende que tem apenas algumas poucas armas de guerra, mas que são poderosas: a pregação do Evangelho, oração intercessora, e amor sacrificial e abnegado. Dê-me homens e mulheres como estes, e veremos o Evangelho avançar neste mundo. Porém, quanto mais você depender de armas carnais, quanto mais as igrejas tentarem crescer, não sendo igrejas bíblicas, mas sim encontrando a última moda com que possam atrair o maior número de pessoas, enquanto fizermos isso, nunca veremos o poder de Deus. E a igreja, em seu desejo de ser relevante, torna-se ridícula perante os seus inimigos.

Por Paul David Washer

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Evangelismo sem poder de Deus

“O meu ensinamento e a minha mensagem não foram dados com a linguagem da sabedoria humana, mas com provas firmes do poder do Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:4) 

Vou falar uma coisa séria sobre missões. Existe todo tipo de missões neste mundo, mas a maioria delas não é bíblica. Não necessitamos de mais missões. Deixe-me compartilhar algo com alguns de vocês que são novos missionários. As missões devem ser definidas pelo exegeta e pelo teólogo, isto é, pelo estudioso das Escrituras, não pelo antropólogo ou o sociólogo nem pelos “experts” em novas tendências culturais. Fazemos missões e evangelismo de acordo com as Palavras Sagradas da Escritura e não precisamos da ajuda de Wall Street.

Não temos o direito de diluir a afronta do Evangelho ou civilizar suas exigências radicais, com o objetivo de fazê-lo mais atrativo a um mundo caído ou a membros carnais da igreja. Nossas igrejas estão cheias de estratégias para fazê-las mais “amigáveis”, “desembrulhando” o Evangelho, removendo a pedra de tropeço e retirando o fio da navalha para que ele seja mais aceitável aos homens carnais. Nós devemos buscar ser “agradáveis”, mas devemos nos dar conta de que importa agradar somente a Um, e esse é Deus. Se nós estamos nos esforçando para tornar a nossa igreja e a nossa mensagem “adaptáveis”, então, devemos adaptá-las a Ele. Se estamos nos esforçando para edificar nossa igreja e nosso ministério, então, devemos edificá-los sobre uma paixão de glorificar a Deus e um desejo de não ofender a Sua Majestade. Não importa o que o mundo pensa de nós. Não estamos aqui para buscar as honras desta terra, mas sim as honras dos céus.

Outra coisa que quero mencionar. Nossa mensagem não é apenas escandalosa, ela é inacreditável. Eu quero que saibam disso. É uma mensagem inacreditável. Paulo, na carne, teria todas as razões para se envergonhar do Evangelho que ele pregava. E havia ainda outro motivo para ter vergonha carnal: o Evangelho é uma mensagem absolutamente inacreditável, um aviso absurdo para os sábios deste mundo. Como Cristãos, nós às vezes falhamos em perceber o quão assombroso é quando alguém crê em nossa mensagem. Em um sentido, o Evangelho é tão inverossímil que a sua propagação pelo Império Romano é prova da sua natureza sobrenatural.

O que jamais poderia atrair algum gentio, completamente ignorante quanto às Escrituras do Antigo Testamento e arraigado na filosofia grega ou em superstições pagãs, para que viesse a acreditar nessa tal mensagem sobre um homem chamado Jesus? Ele nasceu sob circunstâncias questionáveis, numa família pobre, em uma das regiões mais depreciadas do Império Romano e, ainda assim, o Evangelho reivindicou que Ele era o eterno Filho de Deus, concebido pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem. Foi um carpinteiro de profissão, um mestre religioso itinerante sem qualquer instrução formal e, ainda assim, o Evangelho reivindica que Ele ultrapassada toda a sabedoria do filósofo grego e dos sábios romanos da Antiguidade. Foi pobre e não tinha onde repousar sua cabeça e, ainda assim, o Evangelho reivindica que, por três anos, Ele alimentou milhares pela Palavra; curou todo tipo de enfermidade entre os homens e até ressuscitou os mortos. Foi crucificado fora de Jerusalém como um blasfemador e um inimigo do Estado, e, ainda assim, o Evangelho reivindica que Sua morte foi o evento fundamental em toda a história da humanidade, e o único meio para a salvação do pecador e a reconciliação com Deus. Foi colocado em uma tumba emprestada e, ainda assim, o Evangelho reivindica que ao terceiro dia Ele ressuscitou dentre os mortos, apareceu a muitos de Seus seguidores e em quarenta dias ascendeu aos céus, assentando-se à direita da Majestade nas alturas. Assim, o Evangelho reivindica que um carpinteiro judeu e pobre, o qual foi rejeitado como um lunático e blasfemador pelo Seu próprio povo, e crucificado pelo Estado, é agora o Salvador do mundo, o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, e, ao Seu nome, todo joelho se dobrará, incluindo os Césares.

Você tem alguma ideia de como é impossível para qualquer um, nos tempos de Paulo, crer nesta mensagem? É impossível! Quem jamais poderia ter crido em tal mensagem, senão pelo poder de Deus? Não há outra explicação. O Evangelho nunca poderia ter sido levado para fora de Jerusalém, muito menos ao Império Romano, e a toda nação deste mundo, a menos de que Deus tenha estabelecido que assim fosse. A mensagem teria morrido desde o momento de sua concepção, se tivesse dependido de habilidade organizacionais, eloquência, ou poderes apologéticos de seus pregadores. Todas as estratégias missionárias do mundo e todas as artimanhas astutas do mercado de Wall Street nunca poderiam ter feito avançar o Evangelho, o tropeço e a loucura do Evangelho. Martin Hengel escreve sobre o velho escândalo da cruz: “Crer que o único Filho pré-existente do único Deus verdadeiro, o Mediador na criação e o Redentor do mundo, tenha aparecido em tempos recentes, num lugar afastado da Galiléia, como um membro da obscura nação dos judeus, e, ainda pior, que tenha morrido a morte de um criminoso comum em uma cruz, somente poderia ser considerado como um sinal evidente de insanidade mental...”.

Essa verdade traz, ao mesmo tempo, um encorajamento e uma advertência para os que pregam o Evangelho. Primeiro, é um encorajamento saber que a simples proclamação fiel do Evangelho assegurará o seu avanço contínuo no mundo. Segundo, é uma advertência para que nós não sucumbamos à mentira de que podemos fazer avançar o Evangelho através de habilidades, eloquência ou engenhosas estratégias de crescimento de igrejas. Tais coisas não têm poder para produzir a impossível conversão dos homens. Nós devemos nos lançar, com desespero esperançoso, aos únicos meios bíblicos para fazer avançar o Evangelho: a ousada e clara proclamação de uma mensagem da qual não apenas nós não temos vergonha, mas na qual nós cremos e nos gloriamos, porque é o poder de Deus para a salvação de qualquer um que crer.

Concluirei dizendo isto: Nós vivemos em uma época incrédula e cética. Nossa fé é ridicularizada como um mito sem esperança, e somos vistos seja como fanáticos de mente fechada, seja como homens de mente fraca, vítimas de um engano religioso. Tal forma de ataque frequentemente nos coloca na defensiva e tentamos contra-atacar, e provar a nossa posição e a nossa relevância com a Apologética. Quero dizer isto: eu estou de acordo com a Apologética, mas, ainda que algumas formas dessa disciplina sejam muito úteis e necessárias, devemos nos entender que o poder ainda está na proclamação do Evangelho. Não podemos convencer um homem a crer mais do que podemos levantar os mortos. Tais coisas são a obra do Espírito de Deus. Os homens são atraídos à fé somente através da obra sobrenatural de Deus e Ele tem prometido trabalhar, não através da sabedoria humana, nem através de habilidades intelectuais, mas através da pregação de Cristo crucificado e ressuscitado dentre os mortos. Devemos encarar o fato de que nosso Evangelho é uma mensagem inacreditável. Não deveríamos esperar que alguém nos dará atenção, muito menos que crerá, sem uma obra graciosa e poderosa do Espírito de Deus. Quão desesperançosa é nossa pregação quando separada do poder de Deus! Quão dependente de Deus é o pregador! Todo nosso evangelismo é nada mais que uma incumbência de tolos, a menos que Deus toque nos corações dos homens. Não obstante, Ele tem prometido fazer justamente isso, se nós fielmente pregarmos o Evangelho.

Por Paul David Washer

 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Época humanista

Portanto, como as Escrituras Sagradas dizem: “Quem quiser se orgulhar, que se orgulhe daquilo que o Senhor faz” (1 Coríntios 1:31) 

Vivemos numa época humanista. Durante as últimas décadas, o homem tem lutado para tirar Deus de sua consciência e de sua cultura. Tem derrubado cada um dos altares visíveis do único Deus verdadeiro e tem construído monumentos dedicados a si mesmo com o zelo de um fanático religioso. Isto não é uma luta entre o secularismo e o pensamento religioso. Não pense isso, porque o secularista tem uma religião, e algumas vezes ele é muito mais fanático em sua religião do qualquer Cristão jamais fingiu ser.

O homem tem conseguido fazer de si mesmo a medida central e o fim de todas as coisas. Ele louva o seu próprio valor inerente, exige homenagens à sua autoestima, e promove o cumprimento de suas ambições e de suas autorrealizações, como a coisa mais importante a se alcançar. E se você não crê que isso se tem alastrado dentro do Cristianismo, então você não leu o livro “Sua Melhor Vida Agora”, de Joel Osteen, porque é exatamente disso que se trata. Ele menospreza o remorso de sua consciência. Ele não pode removê-la, ela está ali para ficar. Ele menospreza o remorso de sua consciência como remanescente de uma religião antiquada de culpa: o Cristianismo. E ele livra a si mesmo de qualquer responsabilidade do caos moral que o rodeia, culpando a sociedade ou, pelo menos, essa parte da sociedade que não tem alcançado a sua “iluminação”. Qualquer sugestão de que sua consciência pudesse estar correta em seu testemunho contra ele mesmo, ou de que ele poderia ser responsável pela quase infinita variedade de maldade no mundo, é impensável para esse homem.

Por esta razão, o Evangelho é um escândalo para o homem caído, porque expõe suas ilusões sobre si mesmo, e o convence de sua queda e de sua culpa. Este é o primeiro e o principal trabalho do Evangelho, e esta é a razão pela qual o mundo detesta tanto a pregação do verdadeiro Evangelho: porque o verdadeiro Evangelho arruína a festa do homem, faz cair chuva sobre a sua celebração, expõe suas falsas crenças, e faz ver que “o imperador está nu”.

As Escrituras reconhecem que o Evangelho de Jesus Cristo é uma pedra de tropeço e uma loucura para todos os homens de todas as eras. E vou dizer isto mais adiante: Não apenas é um escândalo, mas deve ser um escândalo. Foi um dos reavivalistas do passado que disse: “Como é possível que o mundo não tenha ido bem com o Homem mais santo que andou sobre a terra, mas pode viver bem conosco?” Nós deveríamos ser um escândalo. Agora, nós não temos que viver como um bando de fanáticos. Não temos que fazer um monte de loucuras para sermos um escândalo. Basta ser fiel a esta única proclamação: Jesus é o Senhor de tudo. Tentar remover o escândalo dessa mensagem é anular a cruz de Cristo e seu poder salvador.

Devemos compreender que o Evangelho não é somente escandaloso; ele deve sê-lo. Através da loucura do Evangelho, Deus decretou destruir a sabedoria dos sábios, frustrar a inteligência das mentes mais brilhantes e humilhar o orgulho de todos os homens, com o fim de que nenhuma carne se glorie em Sua presença.

O Evangelho de Paulo não apenas contradizia a filosofia religiosa e a cultura de seus dias, como também declarava guerra contra elas. Não uma guerra política. Não uma guerra militar. Mas uma guerra espiritual pela verdade. Recusava a trégua ou fazer tratados com o mundo e não se conformava com nada menos do que a redenção absoluta da cultura ao Senhorio de Jesus Cristo, até que cada um de nossos pensamentos fosse levado cativo a Cristo.

Faríamos bem em seguir o exemplo de Paulo. Devemos ser cuidadosos a fim de rejeitarmos qualquer tentação em conformar nosso Evangelho à moda do momento ou ao desejo dos homens carnais.

Por Paul David Washer

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Pluralismo religioso

“Elias chegou perto do povo e disse: – Até quando vocês vão ficar em dúvida sobre o que vão fazer? Se o Senhor é Deus, adorem o Senhor; mas, se Baal é Deus, adorem Baal! Porém o povo não respondeu nada” (1 Reis 18:21)

Também vivemos em uma época de Pluralismo, um sistema de crença que põe fim à verdade, declarando que tudo é verdade. Quando tudo é verdade, isto é, quando declarações contraditórias e diametralmente opostas são ambas etiquetadas como verdades, o resultado é a morte da verdade.

O que eu vou dizer pode ser difícil de entender: os Cristãos que viveram nos primeiros séculos da fé Cristã foram marcados e perseguidos como ateus. A cultura que rodeava o Cristianismo estava mergulhada em teísmo. O mundo estava cheio de imagens de divindades e a religião era um negócio crescente. Os homens não só toleravam as divindades dos outros, mas também as trocavam e as compartilhavam. É o Pluralismo religioso.

O mundo religioso inteiro estava funcionando muito bem, até que os Cristãos apareceram e declararam que os deuses feitos por mãos humanas não eram deuses de verdade. Eles se negavam a dar aos Césares as honras que lhes eram exigidas, recusavam-se a dobrar os joelhos diante dos outros supostos deuses e confessavam somente a Jesus como Senhor de tudo e, portanto, foram rotulados de ateus. O mundo inteiro via essa arrogância assombrosa e reagia com fúria contra os Cristãos por sua intolerância contra a tolerância.

Vejam estas palavras: “arrogância assombrosa”. O mesmo cenário abunda em nosso mundo hoje. Contra toda a lógica, estão dizendo a nós que todos os pontos de vista com respeito a religião e moralidade são verdades sem importar quão radicalmente diferentes sejam ou quão contraditórios possam ser. O aspecto mais esmagador de tudo isto é que através dos esforços incansáveis dos meios de comunicação e do mundo acadêmico isso rapidamente está se tornando a opinião da maioria. Todavia, o Pluralismo não resolve o problema, nem cura a doença. Ele somente anestesia o paciente para que não seja mais capaz de pensar ou sentir. O Evangelho é um escândalo porque desperta o homem de sua sonolência e se nega a deixá-lo repousar sobre um fundamento tão ilógico. Ele o obriga a chegar a uma conclusão a qual Senhor verdadeiramente servir.

O verdadeiro Evangelho é radicalmente exclusivo. Nunca pensei que chegaria um dia no qual teria que dizer isto a evangélicos: que o Evangelho é radicalmente exclusivo. Nunca pensei que iríamos começar a perder Cristo como o único caminho. Agora, escutem: O verdadeiro Evangelho é radicalmente exclusivo, Jesus não é um caminho, mas sim O caminho, e os demais caminhos não são caminhos, na verdade.

Escutem isto com cuidado, porque isto é o que está acontecendo hoje: se o Cristianismo simplesmente se movesse um pequeno passo rumo a um ecumenismo mais tolerante e alterasse o artigo definido “O” em “O Salvador” pelo artigo indefinido “um”, em “um salvador”, o escândalo seria removido e o mundo e o Cristianismo poderiam tornar-se amigos. Você percebe isso? Se simplesmente disséssemos que Jeová é “um deus”, já não teríamos mais perseguição sobre nós. Se simplesmente disséssemos que Jesus é “um salvador, convidar-me-iam até para o programa da Oprah Winfrey. Vocês percebem isso? Todo o escândalo seria removido, se somente disséssemos: “Ele é o nosso salvador”. Vocês têm o de vocês, nós temos o nosso. Nós não vamos impor nada a vocês. Nós não vamos discutir nem dialogar nada. Se esse é o seu caminho, siga-o, e eu seguirei o meu. Se somente disséssemos isso, nunca seríamos perseguidos. Mas, se fizermos isso, o Cristianismo deixa de ser Cristianismo, nós deixaremos de ser Cristãos, Cristo é negado, e o mundo fica sem um Salvador.

Continua...

Por Paul David Washer